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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Tudo começa no ensino fundamental?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Dos bancos escolares para o mundo livre


Com a atenção encoberta pela operação de ajuda humanitária dos Estados Unidos, com o apoio do Brasil, à Venezuela, mas alertado por alguns atentos de plantão, o governo quer impor uma doutrinação às escolas públicas. A mídia divulgou que o MEC enviou um e-mail às escolas sugerindo que os alunos sejam filmados perfilados, cantando o Hino Nacional e dizendo o slogan da campanha do presidente Bolsonaro “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. O que parecia uma tentativa despretensiosa repercutiu negativamente fora do núcleo do Planalto.
A ideia partiu do ministro que chamou os turistas brasileiros de canibais porque roubam assentos salva-vidas dos aviões e coisas dos hotéis. Ele quer a volta do ensino de Educação Moral e Cívica, a disciplina imposta pela Ditadura Militar que tinha o objetivo de doutrinar os estudantes. Quem viveu a época como acadêmico sabe que houve tentativa de alienar a classe estudantil de todas as formas dissimuladas. O motivo era que os movimentos deste meio ganhavam visibilidade contra o Regime. As medidas atuais querem a volta daqueles dias castradores das opiniões?
Infelizmente muitos desatentos não percebem o que o novo governo está fazendo com a população, através dos serviços públicos. O tripé que compõem o sonho de consumo dos mais necessitados – educação, saúde e segurança – tende a ser entregue à iniciativa privada. Não bastou o eminente ministro da Educação dizer que a Universidade deve ser uma exclusividade dos intelectuais? Alguém ouvir ele dizer que há outras alternativas, para ascensão no mercado de trabalho, além da graduação superior? Mas a Dilma foi ridicularizada por causa do Pronatec!
Toda autoridade que assume um cargo importante, em qualquer dos Três Poderes, no Brasil jura solenemente que obedecerá a Constituição Federal. Nada mais normal e obrigatório. Só que a prática mostra que isso não passa de um ato protocolar. Impedir que alguém tenha acesso a um direito constitucional, como cursar uma Universidade, não é desobediência? Obrigar um aluno a invocar Deus numa filmagem propagandista não contraria a máxima que as leis do país seguem a laicidade? Inocentar policias que matam aumenta a segurança da população?
O curioso é que muitos pediram euforicamente a volta dos militares ao poder, seja na forma de intervenção ou no comando efetivo dos destinos do país. A contradição é que muitos detestam a censura, o bloqueio da liberdade de expressão, a obrigação de seguir uma orientação que contraria seus princípios e valores... o direito de escolher livremente quem acha que pode conduzir os destinos do país. Como saber se os ensinamentos recebidos permitem uma opinião crítica sobre a forma de gerenciar os recursos públicos? A disciplina rígida habilita para isso?
Ouve-se e lê-se que a vantagem das escolas militares é a eficiência do ensino por causa da obediência inquestionável. Mas será que o mundo fora dos quartéis segue as mesmas regras quando se trata de comércio bilateral, investimento nas diversas atividades produtivas, acordos diplomáticos e outros ingredientes do jogo do poder? O mundo competitivo e baseado em resultados prova que muitos desobedientes e indisciplinados nos bancos escolares fundaram e comandaram grandes empreendimentos no mundo livre. Portanto, há vida além dos quartéis!
Felizmente o regime atual que vivemos no país permite, por enquanto, a manifestação individual e coletiva sobre as decisões ou sugestões dos dirigentes que estão no topo do poder. Nada mais lógico e racional, já que a conta de toda despesa gerada nas diversas atividades serão pagas por todos. É muita ingenuidade achar que o período da Ditadura Militar, que agora querem mudar para “movimento de 1964”, só trouxe benefícios. Como saber a realidade, através da história, se a divulgação era rigorosamente controlada? Alguns justificam o “povo sem memória”!


J R Ichihara
26/02/2019

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