A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Justificativas inaceitáveis
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Isso não exige maior aprofundamento?


O Brasil viu as imagens do ataque que os dois adolescentes Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique Castro, de 25 anos, fizeram à Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, na última quarta-feira. Soube-se que eram ex-alunos desta escola pública, mas não há certeza sobre o porquê da ação que resultou na morte de 8 pessoas e deixou 11 feridas. Além das vítimas, Guilherme matou Luiz e se matou em seguida, quando se sentiram acuados pela polícia. Qual seria a justificativa para esse tipo de comportamento?
No outro lado do mundo, mais precisamente na Nova Zelândia, o australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, deixou um saldo de 49 mortos e 48 feridos quando atacou duas mesquitas, na última sexta-feira. Segundo informações, o ataque às mesquitas Al Noor e Linwood foi o mais devastador na história da Nova Zelândia. Em pronunciamento público, disse a primeira-ministra neozelandesa, Jacinta Ardern, tratou-se de um “ato de violência sem precedentes”, que a levará a propor mudanças na lei sobre posse e porte de armas de fogo. Todo muçulmano merece isso?
A diferença entre os pronunciamentos das autoridades dos países, onde as tragédias aconteceram, revelam um pouco da opinião pessoal e do possível comportamento diante das diferenças ideológicas. Para o general Mourão, o vice-presidente do Brasil, o uso excessivo dos jogos violentos de vídeo game induzem os jovens a praticarem atos desta natureza. Ele não quis comentar sobre a opinião do major Olímpio, senador do PSL-SP, que disse que a tragédia seria evitada se os professores da escola estivessem armados. Muito diferente do outro lado do mundo!
Quando isso acontece é normal e compreensível que surjam opiniões divergentes sobre o comportamento devido as influências externas. Mas uma justificativa tem ocupado o lugar preferido entre elas: o bullying! Os programas na TV, colunas de jornais e revistas e tudo mais comentam fartamente sobre o assunto. Mas será que tudo que o ser humano, da infância à fase adulta, recebe de críticas, zoações e outras piadas ao longo da vida pode ser considerado como bullying? Existe um mundo livre disso quando convivemos com pessoas diferentes? Portanto...
Falou-se que um dos rapazes também matou um tio que era proprietário de uma venda de veículos. O motivo seria porque foi demitido há algum tempo depois de trabalhar no estabelecimento. Só isso é motivo para matar alguém? Ou o fato dele gostar de jogos violentos o induziu a praticar o assassinato? Expandindo o raciocínio para uso geral da população, quantos demitidos injustamente temos no mercado de trabalho? Se havia um grupo que o humilhava e tudo mais, o que os outros estudantes e funcionários, tinham a ver com isso? Bota simplicidade nisso!
Muito se falou que o projeto do presidente Bolsonaro de facilitar o acesso da posse de armas de fogo para as pessoas de bem teria um peso considerável no que vimos. Se assim fosse, por que aconteceu o massacre na Escola de Realengo, em 2011, quando o assunto sobre a liberação de armas não era notícia nos telejornais e nas redes sociais? Parece que todos querem simplificar ou arranjar um culpado pelos acontecimentos. Regras de comportamento em sociedade são fundamentais para uma convivência pacífica. Agora, se precisamos de armas para isso...
Infelizmente os casos isolados acabam generalizando tudo. A segurança pública, na opinião de alguns, se baseia no direito de se defender com uma arma de fogo. Isso não seria um meio de aumentar apenas a defesa pessoal? Como defender os alunos, professores e demais envolvidos no funcionamento de uma escola pública? Ou os frequentadores de um culto religioso, cujo direito de escolha é livre e amparado por lei? Se a ideia é dar o porte de armas – diferente da posse – como prevenção de ameaças, precisamos rever as obrigações do Estado com o cidadão.


J R Ichihara
17/03/2019

 Comente este texto
 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: fOfS (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.