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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Jornalismo
 
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Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




De vez em quando ouço algumas pessoas reclamando das câmeras espalhadas aqui e ali, monitorando o nosso ir e vir, e acho tudo isso muito engraçado. Afinal, a vida a lente do “Grande irmão”, ou seja, pessoas que você nunca viu, não conhece, não sabe quem são, mas a postos bisbilhotando cada movimento seu, a cada minuto, não é privilégio do século XXI.
Câmeras aqui e ali. Ah! Isso é café pequeno! Estamos sob um controle social muito mais poderoso há tempos. Alguém já ouviu falar no Sputnik? Trata-se do primeiro satélite lançado ao espaço, em 4 de outubro de 1957, durante a chamada Guerra Fria. Enquanto norte-americanos e soviéticos, na época, disputavam a hegemonia do mundo, o céu começava a ficar repleto de satélites, pequenos espiões espaciais, capazes de observar a Terra nos seus mínimos detalhes.
Sua responsabilidade era vigiar a humanidade ininterruptamente. Eles sabem mais de nós do que possamos imaginar. De certa forma, eles exemplificam bem um aspecto da Pós-Modernidade, o qual afirma que quanto mais segurança nós temos menos liberdade existe e vice-versa. Portanto, não há equilíbrio nessa conta, de algum modo sairemos perdendo, seja na segurança, seja na liberdade.
A grande questão é que não necessariamente esses “olhos vigilantes” são sempre nossos e sempre ruins. Podemos até fechar os nossos de maneira seletiva, para garantir uma vida idealizada; mas, isso acaba sendo inútil, pois não podemos exigir que o mundo nos acompanhe na nossa “cegueira voluntária”. Não queremos ver isso ou aquilo. Ok. Tudo bem. Mas, outros continuarão vendo e tirando suas próprias conclusões. Sabe, é como você desligar a sua TV. Você desliga, mas seu vizinho não. Você deixa de saber o que está acontecendo, mas ele não.
É preciso entender que o grande barato dos satélites foi permitir uma visão mais ampla desse todo chamado Terra. Imaginem, por exemplo, diante dos recorrentes episódios de furacões e tornados, a dimensão do benefício desses instrumentos. Em tempo real eles são capazes de fornecer imagens que apontam a extensão do problema, de modo que medidas preventivas e protetivas possam ser empregadas, mitigando os prejuízos humanos e materiais. Outro exemplo são as regiões reconhecidas como isoladas, as quais pelo trabalho dos satélites possibilitou-se um estreitamento nas relações sociais. Enfim...
Sem contar que, ao contrário do ser humano, essas máquinas trabalham com dados, com fatos. Nada de achismos ou especulações infundadas. Aliás, porque foram criadas para fornecer informações com o máximo de precisão e critério. Lembram-se do que falei anteriormente sobre a Guerra Fria? O passar do tempo, então, aliado ao desenvolvimento científico e tecnológico mundial, só fez aprimorar esse trabalho, propiciando uma qualidade de respostas altamente confiáveis.
Infelizmente, qualquer eventual incômodo que o excessivo controle das máquinas exerça sobre você é, no fundo, culpa sua. Máquinas, ciência, tecnologia, tudo isso é resultado da criatividade, da engenhosidade, da capacidade humana, a qual a sociedade se encanta e venera. Fica engraçado, então, de repente aparecer esse tipo de rusga, de desconforto, de manifestação enviesada. Como, também, o fato de que antes questionávamos a verdade cotidiana entre nossos pares. Então, criaram-se as máquinas para resolver a questão. E agora passamos a questionar as máquinas. Como assim?! Talvez, as palavras do historiador brasileiro, Leandro Karnal, estejam realmente certas, “a idiotice está distribuída de forma muito democrática no mundo”.

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