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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Grosseria para consumo interno e tipo exportação
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Precisa ser grosseiro para demonstrar soberania?


Disse o nosso presidente numa cerimônia de inauguração de um trecho da BR 116, que liga Porto Alegre ao Porto de Rio Grande: “Quando falam em terminal de contêiner, vale a pena. Há anos um terminal de contêiner no Paraná, se não me engano, não sai do papel porque precisa agora também de um laudo ambiental da Funai. O cara vai lá, se encontrar – já que está na moda – um cocozinho petrificado de um índio, já era. Não pode fazer mais nada ali. Tem que acabar com isso no Brasil. Tem que integrar o índio na nossa sociedade e buscar projeto para nosso país”
O fato ocorreu dias depois de ele responder a um repórter sobre a conciliação de desenvolvimento com a preservação do meio ambiente, sugerindo fazer cocô dia sim, dia não. À parte a eficiência pela disciplina na evacuação fecal da população, citar novamente isso, agora na forma petrificada, precisava enfatizar isso numa declaração pública durante uma cerimônia oficial? Como todo respeito ao direito dele ser como é, mas o cargo que ele ocupa exige um comportamento diferente do que está demonstrando ao país e ao mundo. Terrivelmente estranho!
Ao saber da suspensão de envio de verbas para o Fundo Amazônia, pela Alemanha, o presidente brasileiro declarou: “Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu US$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”. Isso agradou os fãs e os que entendem tal atitude como soberania. Mas será que num mundo globalizado a resposta foi coerente? No passado Merkel fez algo parecido com a Dilma, sobre o “tsunami financeiro”.
Quando os noticiários divulgaram os resultados das primárias na eleição presidencial na Argentina, onde o atual presidente Macri perdeu, a declaração de Bolsonaro não destoou do costumeiro: “Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar na Argentina, nosso Rio Grande do Sul poderá se tornar um novo estado de Roraima”. Isso tem a intenção de lembrar que os refugiados da Venezuela, sob o governo Maduro, cruzaram a fronteira a e se estabeleceram naquele estado no extremo Norte. Será que os argentinos também não sabem escolher seus dirigentes?
Mas algumas decisões importantes tramitaram na Câmara de Deputados e para alguns sinalizam o caminho para a saída da crise econômica reduzindo o desemprego. Portanto, a Medida Provisória da Liberdade Econômica é mais uma forma de desburocratizar as relações entre trabalho e capital, facilitando a vida de ambos. Basicamente libera com mais facilidade os trabalhos aos domingos e feriados, arquivamento de documentos, agilidade na abertura, proteção do patrimônio dos sócios e fiscalização sobre as atividades. Só a Reforma Trabalhista não bastou.
Uma análise mais apurada sobre o que está acontecendo no país sobre o combate à crise acaba sendo desviada por causa das declarações polêmicas e desnecessárias do nosso presidente. Se o lema é Brasil acima de tudo... por que se preocupar com as eleições na Argentina e com as decisões da Alemanha suspender verbas para o meio ambiente? Será que os problemas internos desses países dizem tanto respeito ao rumo que estamos procurando? O cidadão que acredita no país, apesar dos problemas crônicos que conhecemos, precisa ouvir sobre cocô?
Infelizmente a solução dos problemas seculares que nos impedem de deslanchar estão muito longe da simplicidade que alguns pregam. Os desafios são enormes e o sucesso não depende apenas de uma linha de pensamento, onde somente algumas pessoas são consideradas como cidadãs. A ideia de impor um estilo de gestão que agrada uma parcela da população, desrespeitando a Constituição, encontra muita oposição e questionamentos, mas faz parte de um regime democrático - o linguajar usado na comunicação presidencial não precisa ser tão rasteiro.


J R Ichihara
15/08/2019

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