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ALESSANDRA LELES ROCHA
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Vida e morte nos caminhos da Paz
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




É claro que torci como nunca pela escolha do líder indígena brasileiro Raoni Metuktire. Mas, são tantos os vieses em que a Paz se faz presente nesse mundo, que no fim das contas não fiquei tão desapontada assim, com a escolha do Prêmio Nobel desse ano. Abiy Ahmed, primeiro-ministro da Etiópia fez por merecer ao ter alcançado a paz no conflito entre seu país e a Eritreia.
Palavras como guerras, conflitos armados, invasões,... são sempre, profundamente, consternadoras ao ponto da razão não ser capaz de impedir o coração de se fechar. Todas elas contrariam a filosofia da paz e, portanto, da manutenção de uma coexistência equilibrada e sustentada pelo diálogo, pelo bom senso. De modo que, quando pronunciadas e/ou estampadas em letras garrafais pelas diversas mídias já se entende que o intelecto humano fracassou.
Os estandartes da violência e da desordem serão erguidos. Estarão suspensos por tempo indeterminado o amor, a convivência, a fraternidade, a igualdade, a liberdade,... porque uma atmosfera de insegurança, de intranquilidade e de medo permeará todos os ambientes. Também, não haverá risos nem sorrisos; mas, haverá lágrimas e dor em profusão. O suficiente para encharcar o corpo e o espírito, destruindo sem pudor quaisquer vestígios do viço pacificador.
Os viventes andarão pelas ruas cabisbaixos, encurvados, soturnos, como se o mundo estivesse a lacerar seus ombros, por conta de um peso descomunal que materializa aquilo que não é material. Até que o correr dos dias lhes transformem em farrapos, fiapos, vagas lembranças do que já foram, em tempos de PAZ.
E pensar que tudo isso não foi escolha voluntária da grande maioria. Nas guerras, conflitos armados, invasões, justos e pecadores são arrastados para a mesma cova a revelia. Poucos, efetivamente muito poucos, são os que encontram algum fascínio e beleza na destruição, na desolação, na perversidade existente no extermínio da própria espécie. O restante é sugado pelo imbróglio, vagando as cegas sem saber como e quando tudo vai acabar.
Talvez, por isso, houve quem acreditasse seriamente que a Segunda Guerra Mundial seria um ponto final nesse desatino e tempos de Paz pudessem florescer e perenizar. Mas, já sabemos que isso não aconteceu e pode ser que jamais aconteça, a observar o que os anos pós 1945 historiografaram até aqui. A complexidade humana nem sempre permite lançar mão da previsibilidade. Há cláusulas pétreas no comportamento humano e a barbárie, certamente, é uma.
A evolução da espécie serviu como boa tentativa de domar e frear tais instintos; mas, vez por outra, percebe-se a sua fragilidade. Sobretudo, quando o ser humano é exposto às tentações do mundo: status, poder, dinheiro, território, hegemonia,...
Aí, como conta a história, “os fins justificam os meios”. A racionalidade se abstém e a irracionalidade faz uso dos recursos que considera mais apropriado. Sendo esse, então, um comportamento altamente imediatista e desprovido de uma real análise temporal, os desdobramentos são sempre nefastos. Basta um mínimo de atenção ao redor. Os exemplos só fazem proliferar.
Por isso, há quem esteja na contramão dessa visão. Defender a Paz não anda assim, tão “démodé”, como alguns querem fazer transparecer. Seja pela mais pura consciência altruísta, ou por instinto de sobrevivência, ou por professar o pacifismo, ou quaisquer outros motivos, o fato é que o contingente de pessoas a favor da Paz ao redor do mundo vem se expandindo graças às próprias ações de guerras, conflitos armados, invasões.
A questão dos refugiados e dos apátridas, por exemplo, é um grande mobilizador de discussões pacifistas. Os deslocamentos forçados pelo planeta, pelos quais eles passam, traduzem um apelo desesperado e contundente pela Paz. Afinal de contas, eles passam a ocupar espaços que não lhes pertencem, interferindo diretamente na dinâmica identitária de outros, o que fomenta muitos atritos.
Gandhi já dizia que “não há caminho para a paz; a paz é o caminho”. De modo que, viver sem paz é o mesmo que viver sem luz, sem pão, sem esperança, ou seja, é não viver. A ausência de paz resulta na consolidação da anticidadania, ou seja, preconceito, intolerância, segregação, desvalorização do seu país em detrimento de outros etc. E isso acontece rápido, muito rápido, porque há uma tendência humana de naturalizar, trivializar, pensamentos, atitudes e comportamentos tanto bons quanto ruins.
Como é de conhecimento público, guerras, conflitos armados, invasões, têm impactado a população economicamente ativa de um mundo que envelhece a olhos vistos. Trata-se, portanto, de um modelo que é no mínimo antiproducente e socioeconomicamente inviável.
O que significa pensar em mais uma entre tantas outras razões, pelas quais enaltecer a Paz mundial é tão importante, se a humanidade tiver reais pretensões de um amanhã. Não há graça, não há lógica, não há motivo para se viver continuamente sob um nível de tensão desnecessário como esse. Viver e morrer estão, de alguma forma, nas mãos de cada um; assim, não se pode deixar levar pela omissão. Quem cala consente, então, quem cala grita alto contra a Paz.

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