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ODILON DE MATTOS FILHO
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UMA NAÇÃO ANESTESIADA E SEM LIDERANÇAS
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Não obstante as inúmeras ilegalidades e arbitrariedades que cercaram as eleições de 2018, um fato já era de conhecimento da ampla maioria da população: o modelo econômico ultraneoliberal adotado pelo governo Bolsonaro e sua camarilha da extrema-direita.

Porém, neste contexto, há um fato, no mínimo, estranho para não dizer leviano. A esquerda e o governo PTista deveria ter tido conhecimento prévio do desfecho que estamos vivenciando hoje, pois, tudo isso começou a ser arquitetado no ano de 2006, quando foi julgada a Ação Penal 496, mais conhecida, como Mensalão.

Depois do exitoso primeiro mandato do presidente Lula e a possibilidade de sua reeleição, à direita começou a planejar o golpe, pois, sabia que pelas urnas seria muito difícil derrotar a esquerda. Foi assim que surgiu AP 496, a primeira etapa do plano: “Não tenho provas contra José Dirceu, mas, a literatura me permite condená-lo”, Ministra do STF Rosa Weber. Lembram?

Pois bem, essa etapa não derrubou a esquerda. Lula foi reeleito, terminou com uma extraordinária aprovação de 86% e elegeu a Dilma que, depois se reelegeu, mas, não terminou o seu mandato, pois, entrou em cena uma nova etapa do plano dos golpistas, desta feita com o pesado e decisivo apoio do Sistema Judiciário Brasileiro com a malfadada, Operação Lava-jato que ajudou a derrubar a Dilma e condenou e prendeu o presidente Lula por meio de um processo, absolutamente, ilegal, arbitrário e sujo, conforme as revelações do The Intercept, e depois, para fechar com chave-de-ouro, Lula foi impedido de disputar as eleições de 2018, na qual era o grande favorito.

Resumidamente, essa foi à macabra história de um plano arquitetado pela direita brasileira que demorou treze anos para ser concluído e sejamos honestos, vitorioso.

Com a eleição de Bolsonaro a direita e a extrema-direita se viram na oportunidade de concluir os seus sonhos e objetivos: entregar todas as nossas riquezas para o capital internacional e colocar em prática a política econômica dos Chicago Boys de Paulo Guedes implantada no Chile nos obscuros tempos do general Augusto Pinochet.

Mas, o que nos chama atenção no cumprimento desse objetivo e que deveria ser objeto de análise por parte dos estudiosos do comportamento humano e da política, é como em curto espaço de tempo, apenas onze meses, um governo sem credibilidade moral, ética e com uma aprovação popular baixíssima (30%) tem o atrevimento de preparar e aprovar um conjunto de medidas, amplamente, impopulares e danosas ao país sem qualquer oposição ou revolta popular.

Bolsonaro conseguiu aprovar uma reforma da previdência que massacra a classe trabalhadora, retirou várias conquistas e direitos dos trabalhadores, reduziu drasticamente e vai liquidar com todos os programas sociais, já entregou a Embraer aos EUA, está entregando toda nossa riqueza ao capital internacional, inclusive, áreas estratégicas, como por exemplo, o petróleo, a energia, o solo, a Floresta Amazônica, a base de Alcântara e agora, até a Casa da Moeda vai ser privatizada. E para fechar ele apresentou nessa semana do 05/11/2019, três PEC's que, se aprovadas, coloca um fim ao pacto federativo, destrói os serviços públicos, desapare com os pequenos municípios, extingui mais de 240 Fundos Públicos, como, por exemplo, o FAT e tudo isso sob o eufemismo de pagar a dívida pública, mas, que na verdade o objetivo é encher os cofres dos banqueiros e rentistas.

Em qualquer país do mundo se a metade dessas atrocidades e dessas políticas ultraneoliberais fossem colocadas em prática, os povos já tinham se rebelado e ganhado às ruas com grandes protestos, como acontece, por exemplo, no Líbano, Argélia, Chile, Equador, Argentina, Hong Kong, Iraque, etc.

Aliás, nesse sentido o Editorial do Jornal “O Trabalho” Nº 496, nos chama atenção sobre a movimentação que acontece mundo afora contrária a essas políticas: “A ordem mundial ditada pela sobrevivência da propriedade privada dos grandes meios de produção, do imperialismo em crise, assenta-se sobre um barril de pólvora que explode em vários países. Neste ano, inaugurado pela revolução argelina, as explosões atingem países em todos os continentes. É a inexorável luta de classes que marca o cenário mundial convulsionado...Os povos se revoltam, querem viver e cada vez mais expressam a rejeição aos regimes que cumprem as ordens mortíferas do imperialismo1”.

Portanto, não conseguimos entender, ainda, como toda essa destruição acontece no Brasil e não há uma grande revolta popular contra esse caos. Como explicar essa letargia do povo, será problema cultural, falta de lideranças? Será que o presidente Lula é esse grande líder que comandará a tão esperada e imperiosa reação popular e por essa razão o covarde judiciário o matém preso ?

Por fim, vale aqui relembrarmos os dois primeiros versos da canção "O que foi feito deveras" de Milton Nascimento, que resume bem todo o nosso sentimento com relação a essa prostação coletiva:

"O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida, o que foi feito do amor?”





1 Fonte: http://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2019/11/JOT_856-1.pdf

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