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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Viés ideológico não é prioridade agora
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Parece que a campanha não acabou... Ou já começou


A segregação nacional está tão internalizada que muitos ainda, a despeito do momento delicado provocado pelo Covid-19, insistem em procurar culpados e acusar o comunismo pela pandemia que o vírus trouxe ao planeta. Seria o momento de esquecer o tal viés ideológico, juntar esforços e conhecimento de todos, focando no combate ao inimigo apartidário politicamente para controlar e eliminar a ameaça iminente. Qual valor isso agrega aos países que veem seu povo morrer? O palco disponível está sendo explorado para dividendos políticos por alguns atores.
Nessas horas todos esperam a atuação do verdadeiro líder de cada país. Usar a oportunidade para subjugar os adversários políticos e ideológicos é de uma covardia e mau caratismo sem qualificação. Da mesma forma que penalizar ainda mais os desprotegidos, em detrimento dos poderosos e influentes, demonstra que tipo de governante cada povo tem. Não adianta esperar socorro das megaempresas multinacionais privadas porque elas não veem a desgraça alheia como problema comum – isso é tarefa exclusiva da gestão pública. Portanto...
Enquanto os países mais atingidos pela pandemia no mundo seguem numa direção, procurando minimizar o sofrimento dos mais necessitados, o Brasil demonstra que a crise econômica deve receber mais atenção que o socorro à vida dos cidadãos. Isso fica evidente nas medidas anunciadas pelo governo federal e as críticas aos governadores dos estados que procuraram soluções factíveis dentro de suas competências. Se isso não consegue sensibilizar a gestão central... De onde virá o auxílio para os que precisam por serem os mais vulneráveis?
Infelizmente o desvio de caráter humano independe da dificuldade coletiva imposta por qualquer agente externo ou das consequências de uma catástrofe natural. Toda vez que surge uma situação de calamidade pública, alguns brasileiros se aproveitam deste momento para ganhar dinheiro. Seja estocando água mineral para vender muito acima do preço, nos caos de inundações, álcool gel e máscaras cirúrgicas protetoras, como no caso do Covid-19, com o mesmo objetivo... e por aí vai. Aquela crença que todo brasileiro é solidário é muito questionável por causa disso.
Mas não é somente o oportunista que pensa e declara sua indiferença com a vida humana diante da crise econômica. O ministro da Economia, o todo-poderoso Paulo Guedes, no auge do espírito republicano, disse que o Covid-19 só será combatido com as reformas propostas por ele. O empresário dono da rede de restaurantes Madero, Junior Durski, criticou o isolamento alegando que a morte de 5 ou 7 mil pessoas é menos catastrófico que o fechamento do comércio. Este é o pensamento do atual governo federal. Que importância têm as pessoas diante do deus mercado?
Qualquer brasileiro que assiste aos noticiários lembra que o ministro Paulo Guedes chamou os servidores públicos de “parasitas”. Não adiantou colocar panos quentes e tentar justificar o que disse porque todos ficaram sabendo da forma desrespeitosa que ele tratou esses trabalhadores. Ironicamente, se ele for vítima do tal vírus, será assistido por um dos parasitas que ele desqualificou publicamente. Alguém desconhece o esforço e a dedicação do pessoal do sistema de saúde pública para atender as vítimas? Qual elogio receberam do governo federal?
Se o combate ao Covid-19 só será eficaz com as reformas, ou se isso depende exclusivamente do viés ideológico adequado, não sabemos. A única certeza, no meio de tanta incerteza, é que se não houver apoio do governo federal liberando recursos, além de evitar as declarações desnecessárias e esquecer as divergências políticas, o vírus vai dar de goleada no povo brasileiro. E não adianta o presidente da República afirmar que a atuação da sua equipe está vencendo o adversário. Gestor que não sabe estabelecer as prioridades normalmente fracassa.


J R Ichihara
24/03/2020

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