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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Hora da reavaliação?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Hora da reavaliação?

Forçaram-nos a acreditar que tudo que é público não funciona, possui baixa qualidade, é deficiente e sem solução. Daí os que podiam migraram rapidamente para as prestadoras de serviço particulares: educação, saúde e segurança. Matricularam os filhos em escolas particulares, se associaram a planos de saúde e contrataram empresas de segurança, acreditando, com isso, estarem livres desses problemas. Passados alguns anos, a conclusão não é tão convincente.
Os usuários de planos de saúde recebem um tratamento pouco melhor que o do SUS: longas esperas, falta de médicos e marcação de consultas com especialistas a perder de vista. Nas instalações, o atendimento não é como se espera pelo preço que se paga. Clinicas e pronto-socorros superlotados, pessoas atendidas em corredores e muita reclamação dos associados. Ah! Tem a mesma história de pegar uma senha para ser atendido, como nas tristes filas do SUS.
A única comodidade que o paciente recebe é a esperança de ser atendido... talvez o grande diferencial com relação ao SUS. Mas pode ser que isso esteja com os dias contados. Circulou um boato que há uma ideia de utilizar a rede pública para atender os usuários de planos de saúde privados. Já pensaram no que vai acontecer?! Oficialmente ainda não foi publicado, mas só de pensar assusta muita gente. A confusão vai ser homérica! Será o caos privado na rede pública.
Mas a saúde é apenas um exemplo. Olhando para a educação, o problema é mais frustrante ainda. O último exame para avaliar os cursos superiores mostrou que pouquíssimas particulares conseguiram destaque. Como se sentiram os pais dos alunos das faculdades privadas, que pagam uma fortuna, diante desse resultado? Como investimento, apostar em estudo pago foi uma furada! Mas a proliferação de cursos particulares por todo o país é exponencial.
Não bastasse a decepção nesses dois itens básicos e fundamentais na formação do cidadão, acrescenta-se a segurança. Tentar se proteger atrás dos muros dos condomínios – aparentemente uma fortaleza particular –, ou nos prédios de alto luxo muito bem vigiados, não foi nada eficaz. A mídia mostra diariamente a atuação de quadrilhas fazendo a festa nestes locais sem que os moradores tenham a quem recorrer. Via de regra tem empregado envolvido no caso.
Qual seria, então, o caminho que o cidadão deveria seguir para ser atendido no mínimo necessário que a Constituição lhe garante? O governo agradeceu quando o contribuinte procurou resolver o problema por sua conta e risco. Só que a sociedade deve cobrar a fiscalização nas prestadoras de serviço: planos de saúde, escolas e empresas de segurança. Ela já paga compulsoriamente por tudo isso! Contratar serviços particulares seria um up grade... aquele plus.
Curioso é que foram criadas várias agências reguladoras para fiscalizar tudo isso. É tanta sigla e chefe ocupando cargo que, se dependesse disso, não teríamos problemas em nenhuma atividade que presta serviço à população. Isso comprova que deixar o mercado se autorregular pode ser muito perigoso, já que a empresa privada visa essencialmente o lucro financeiro. Para tanto criam contratos leoninos para o consumidor e costuma abusar se ninguém fiscalizar.
Significa, então, que a bomba está no colo do governo? Exatamente, mas de uma forma mais fácil de resolver. Basta usar os mecanismos de fiscalização e as inúmeras leis que existem. O que não pode é o cidadão ser lesado em tudo que tem direito, principalmente quando paga corretamente e não recebe a prestação do serviço da forma que deve ser. Parte da sociedade faz um sacrifício enorme para obter o básico, desonerando o governo. Mas... alguém não faz sua parte.
Já que o governo comprovou que é incompetente para atender as necessidades da população, que tal reavaliar a forma de obrigar as prestadoras de serviço a cumprir seus contratos? Por que isso não é feito? Será que falta moral para atuar? Ou será que a corrupção impede isso também? A continuar a situação caótica na saúde, na educação e na segurança, o povo terá que lutar contra dois inimigos: as prestadoras de serviço e a fiscalização do governo. Quem aguenta?

J R Ichihara
05/09/2009

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