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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Não merecemos um tratamento melhor?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Não merecemos um tratamento melhor?

Contrariando o ditado popular onde “uma imagem vale mais que mil palavras”, precisamos sentir melhor o que há por trás das belas fotografias. Nosso país é mundialmente conhecido pelas belas paisagens, fauna e flora exuberante e um litoral generoso em belezas naturais. Como metrópole, temos São Paulo, a nossa terra da garoa, para exibir o símbolo do progresso, com seus inúmeros arranha-céus, viadutos e trânsito caótico, que fazem parte do desenvolvimento.
Mas, como também sabemos, fotos e imagens não possuem cheiro, portanto podem ocultar uma particularidade que pode desagradar às pessoas. Um exemplo claro disso, sem desmerecer a importância do local, é a cidade do Recife – a Veneza brasileira. Realmente, olhando as fotos, é belíssima, sem discussão alguma. Mas quem já esteve lá detestou o mau cheiro que exala por toda a cidade, reduzindo sem parcimônia o visual que pode ser apreciado a uma rapidíssima visita.
Da mesma forma, quem já circulou pelas marginais Pinheiros e Tietê, na cidade de São Paulo, pensa que se encontra dentro de uma estação de tratamento de esgoto. Mas, infelizmente, essas rodovias urbanas são os principais corredores do fluxo de veículos da cidade. Rio de Janeiro, a nossa Cidade Maravilhosa, e Salvador, a Terra da Alegria e do Alto Astral, não ficam atrás em termos de poluição do ar e da água, tornando um suplício a permanência em certos lugares.
Até a distante Amazônia, com seus belos encantos, participa desta avaliação negativa sobre a qualidade de vida. Belém, um dos portões de entrada da região, com mais de um milhão de habitantes, só possui 6% de rede de esgoto e 1% de esgoto tratado. Mesmo sendo a capital de um dos estados mais ricos em mineração e pecuária, oferece condições de vida nos padrões dos pobres países do Terceiro Mundo. Manaus, apesar da falta de dados, não deve ser tão melhor.
Esta pesquisa, feita pela revista Exame, não indica qual foi a arrecadação, o FPM (Fundo de Participação do Município), nem os investimentos realizados em cada cidade citada. Mas, independentemente dos valores, os indicadores não são nada animadores. Se isso for levado em consideração, como quesito para atrair investimentos, estamos muito mal, para não dizer inviáveis. O mais preocupante é que não vemos nenhum planejamento sério para melhorar essa deficiência.
Só que o nosso país é mesmo um grande exemplo de contradições. A mesma revista Exame publicou, três meses depois, um artigo onde mostra as empresas que são exemplos e modelos de eficiência, chegando a serem estudos das mais famosas conhecidas universidades de negócios do mundo. Assim, Alpargatas e Vale são temas na suíça IMD. Gafisa e Lupo interessaram às americanas Harvard e Kellogg. Já a francesa Insead estuda o caso da Natura. Isso é Brasil?
O estudo, mais uma vez, não mostra outros fatores importantes decorrentes do sucesso dessas empresas, tais como o impacto pelos benefícios diretos e indiretos. Se o resultado positivo envolve, holisticamente, os stakeholdrs onde elas se implantaram – enfim, o que a sociedade ganhou no geral com o funcionamento e o desempenho das atividades em cada região. Mas o simples resultado favorável, aliado ao interesse das escolas internacionais, já nos enche de orgulho.
No caso das deficiências – rede de esgoto e tratamento deste -, os melhores índices apresentados estão localizados nas regiões Sul e Sudeste. Da seleção de várias cidades com mais de 300 mil habitantes, as melhores foram: Franca (SP), Uberlândia (MG), Sorocaba (SP), Santos (SP), Jundiaí (SP), Niterói (RJ), Maringá (PR) e Santo André (SP). Coincidência ou não são as regiões mais desenvolvidas do nosso país. Mas... Esperamos que isso sensibilize os dirigentes!
Qual dos Brasis deve ser mais olhado? Para o cidadão comum, com certeza, aquele que apresenta deficiências. Aí fica sempre a pergunta: por que gastar tanto com instituições que só nos envergonham, se existem outras prioridades? Merecemos este tratamento desumano, em troca de tudo o que pagamos de tributos? Do jeito que os dirigentes tratam as cidades, somos condenados a viver num enorme esgoto a céu aberto. Não bastam os outros dejetos que recebemos deles?

J R Ichihara
12/09/2009

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