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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Uma fé inabalável
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Uma fé inabalável

Provavelmente não existe povo que tenha mais fé do que o brasileiro. À parte a religiosidade, somos facilmente inclinados a acreditar numa boa promessa. E quanto mais crise e adversidades, mais soluções milagrosas são apresentadas ao contribuinte. Daí a CPMF que salvaria o nosso moribundo sistema de saúde pública, o FGTS que acabaria com a deficiência de moradia, a CIDE que sumiria com as estradas esburacadas... e por aí vai. Mas na prática...
Mas isso não é motivo para abalar a nossa fé. Continuamos firmes nas nossas crenças, principalmente quando o futuro promissor é vislumbrado por nossos dirigentes. E quem questiona, argumenta ou exige mais esclarecimentos, pode ser chamado de fracassomaníaco, antipatriota ou qualquer outro adjetivo que desqualifique o seu direito como interessado. Pois bem. A varinha de condão da vez é a exploração do petróleo na camada do pré-sal – tudo será resolvido com isso!
Já somos, antecipadamente, os novos magnatas do petróleo. E os benefícios que este produto estratégico proporciona serão utilizados para melhorar a qualidade de vida dos excluídos – promessa do nosso presidente Lula. Como somos crédulos com as boas intenções, vamos esperar para ver dias melhores para os menos favorecidos. Afinal de contas, Deus é brasileiro e nos deu todas essas riquezas porque sabia que manteremos a nossa fé. Então não vamos decepcioná-Lo!
A atividade comercial, entretanto, desconsidera muitos princípios religiosos, éticos e morais, apesar das regras que são estabelecidas. Normalmente, neste exercício, o que menos se leva em consideração é o beneficio para o ser humano. O objetivo é maximizar o lucro financeiro, a qualquer custo, para remunerar o capital dos acionistas. Raramente uma empresa, principalmente a privada, se preocupa com os problemas das pessoas, com a sua qualidade de vida, antes de obter o lucro.
Baseados em quê, então, os promesseiros esperam que acreditemos que os benefícios da exploração do pré-sal serão voltados para melhorar a vida dos excluídos. Isso é abusar da nossa fé! A fonte de energia que move o mundo, que desperta a cobiça geral no planeta, promove incursão em países que possui grandes reservas, elege políticos na maior potência da Terra, ser usada para atender necessidades de pobres coitados? Só pode ser piada de mau gosto, uma brincadeira.
Apesar de não conhecer uma teoria inquestionável sobre a origem do petróleo, a humanidade aprendeu muito sobre a sua utilização. Fala-se tanto no fim da sua era como fonte de energia, mas o que se vê é a busca frenética por mais poços, nos quatro cantos do mundo. Da mesma forma, procura-se por fontes alternativas, utilizando os recursos naturais, mas isso em nada diminuiu o valor do chamado ouro negro. Bem ou mal, ele ainda representa muito poder.
O fato é que a nova perspectiva na exploração do pré-sal envolve muitos interesses econômicos. Há os que defendem que isso deve ser feito por uma estatal brasileira; outros acham que nada impede que empresas estrangeiras participem. Os royalties que isso gerará já é motivo de disputa entre os estados – enfim, o principal atrativo é o resultado financeiro. Perante tudo isso, quem realmente acredita que os benefícios serão revertidos para atender os mais humildes?
Por ser um assunto tão importante, a mídia esqueceu, por alguns momentos, dos escândalos que ultimamente ocuparam o horário nobre. Mas trata-se do futuro do país, da possibilidade de dias melhores para o povo, da oportunidade de adquirir poder de barganha com um produto tão valioso em mãos. É um momento que exige cautela nas decisões porque pode comprometer todo um trabalho anterior de pesquisa, avanço tecnológico e dedicação das pessoas.
Se esta tarefa vai ser a grande redenção ainda não sabemos. Mas a nossa fé inabalável depende de decisões políticas, onde tudo o que gira em torno disso defende interesses pouco favoráveis aos pobres. Pelo retrospecto da atuação desta classe, com relação à seriedade, compromisso, honestidade e outros valores intangíveis fundamentais, as previsões não são nada animadoras, já que muitos estão se lixando para o povão. Assim... Só nos resta mesmo ter muita fé.

J R Ichihara
16/09/2009

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