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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Fazer o quê?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Fazer o quê?

Circulam na internet, apesar das evidências da insegurança e da violência, várias mensagens de otimismo, de pessoas que revolucionaram em matéria de comportamento perante as agressões aos direitos ou outros feitos heróicos, tentando manter a autoestima da sociedade. É verdade que após ler as palavras tão didaticamente bem colocadas, sentimos uma enorme motivação para redobrar a vontade de lutar contra tudo isso que nos aniquila, encurrala e amedronta no dia-a-dia, fora das quatro paredes das nossas casas. A mídia, porém, mostra que nem dentro de casa estamos mais seguros!
Já que a Lei e a Ordem não tranquilizam os cidadãos, o que vemos são tímidos e infrutíferos movimentos localizados. Mas isso é apenas uma tentativa para levantar o moral de grupo, sacudir as pessoas para despertar uma reação, externando a raiva e a revolta contra o medo que se instalou e não tem mais controle. Acreditar na garantia das autoridades é perda de tempo, além de colocar em risco a própria vida. Não podemos dizer que não existe atuação da polícia, mas a forma e a intensidade estão muito aquém da necessidade – o tráfico já ocupou o espaço vazio deixado pela Lei.
Mas como fica o cidadão? Ele não pode mais andar no transporte público com medo de ser assaltado (ultimamente de ser queimado, como em Salvador-BA), sem garantia que chegará vivo ao destino. A criminalidade resolveu reagir contra a Lei coagindo as pessoas indefesas. Prenderam um chefão? Espalha-se terrorismo pelas ruas da cidade para intimidar e acuar a atuação da polícia! Assim mesmo: simples, direto, eficaz. O crime organizado utiliza a chantagem contra a Justiça, colocando a segurança pública num dilema: ou trata bem o chefe... ou a população inocente paga por isso!!!
Quantos dias de aula foram suspensos por causa da gripe A? Independentemente do número, isso foi por uma causa justificável. Agora, suspender aulas por causa da intimidação dos traficantes é difícil de engolir. Mas os responsáveis pelas escolas não estão totalmente errados, não. Quem vai garantir que os alunos não serão atingidos pelas balas perdidas? Dificilmente vemos policiamento nas portas das escolas públicas, diferentemente das residências oficiais das autoridades. Para a população menos favorecida, até para receber uma instrução de qualidade duvidosa precisa arriscar a vida.
O cidadão comum também fica no mesmo dilema pessoal: ou obedece as regras não escritas pelo tráfico, ou assume a responsabilidade pela sua segurança arriscando a própria vida. Além disso, como ensinar aos filhos que o crime deve ser combatido, que não devemos compactuar com as coisas erradas? De que forma ele pode mostrar que devemos confiar na policia, na segurança pública e até mesmo na Justiça? Pelo contrário, o que toda criança e adolescente vê é um aumento da violência, dos abusos sexuais e da impunidade - e cada vez mais os pais chorando as perdas dos filhos.
Há bem pouco tempo tinha-se a sensação de que o Shopping era uma ilha de lazer e compras tranquilo devido à segurança. Era o ponto de convergência dos adolescentes e jovens estudantes. Lojas de grife, cinema, praça de alimentação – o lugar ideal para desfrutar de horas intensamente prazerosas. Qual o quê? Os noticiários mostram que isso faz parte do passado. A violência e a insegurança já adentraram nesses templos de consumo fazendo as suas vítimas. Tornou-se um nicho para sequestradores por causa do público alvo que frequenta este local. Mais um adeus à segurança!
Restaram os condomínios fechados, com altos muros, várias câmeras de vigilância, sistema de segurança projetado por especialistas no assunto. Quem disse? Sabe-se de inúmeros assaltos a essas supostas fortalezas contra a criminalidade. Como ninguém quer se expor, os números e os valores roubados não são facilmente divulgados. O fato é que os ladrões, os criminosos e toda a classe que representa um alto risco para a população, assaltam, sequestram ou matam quem eles quiserem, independentemente da segurança do local onde a vítima se encontra. Como a população pode reagir?
Os incentivos via internet têm o seu valor. Mas nem tudo que deu certo para alguém pode ser recomendado, de forma genérica para a sociedade, como uma regra geral. Deve-se combater a criminalidade, sim. Só que a segurança pessoal não pode ser confiada a terceiros, já que a noção de perigo e os mecanismos de defesa são inerentes a cada indivíduo. Por isso, além das orientações básicas, deve-se ter muita cautela antes de reagir numa situação de perigo. O mais importante é preservar a vida, não os ônibus, os prédios ou os bens materiais. Alguém me responda: fazer o quê?!!!

J R Ichihara
19/09/2009

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