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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Brasil... um país de todos!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Brasil... Um país de todos!

Ressurgiu uma antiga discussão sobre o nosso modelo de gestão pública: o Estado mínimo. A sociedade ainda não sabe de maiores detalhes, mas dá para entender que é a velha história de que o Estado deve se dedicar somente aos serviços básicos (educação, saúde, fiscalização e segurança pública), deixando toda atividade econômica com as empresas privadas. Mas espera, espera aí... O Brasil não é um país de todos? Por que entregá-lo a algumas pessoas?
Justificar que, depois de ser privatizado, o setor de telecomunicações deu um salto no crescimento, pode ser questionado com o título de campeão de reclamações. Exemplificar que as concessionárias privadas de água e energia oferecem um serviço de boa qualidade é ignorar os consumidores insatisfeitos com o que recebem em troca do que pagam. Mostrar a excelência dos bancos privados é concordar com as tarifas mais caras e as longas horas nas filas dos caixas.
Qual seria o motivo para não se desvincular do Estado, que já deu mostras da sua incompetência, outros serviços essenciais à população? Talvez a falta de uma fiscalização séria, com regras bem definidas, onde os direitos do usuário sejam o principal objetivo. No dia que isso funcionar todas as atividades produtivas que ainda estão nas mãos do governo poderá migrar para a iniciativa privada. O tratamento com a mão-de-obra, logicamente, precisa ser mais humano.
Defender a iniciativa privada como a única solução para desenvolver o país, soa muito evasivo quando se foca nas pessoas. Se o lucro financeiro é o único objetivo dos dirigentes, elas são tratadas apenas como um recurso. No momento em que há a possibilidade deste lucro cair, o que todas as empresas fazem? Demitem, aumentando a produtividade, pressionando aqueles que ficam! Agora, na hora de compartilhar os bons resultados com os empregados... a conversa muda!
As consequências das demissões em massa geram problemas sociais como aumento da violência e da criminalidade. E aonde tudo isso vai refletir? Na sobrecarga e na queda da qualidade dos serviços básicos, claro. Mas as empresas privadas não podem absorver uma parte do impacto gerado nas crises ou pelas más administrações? Nem pensar! O único objetivo é o lucro, lembram-se? Se algo deu errado só restam duas alternativas: demissão em massa ou falência.
Mas as gestões públicas, apesar das dificuldades, não podem negar o atendimento ao contribuinte. Isto é inconstitucional! Então, sejam quais forem os resultados das atividades econômicas no país, a responsabilidade social é do governo – e para isso foi eleito. Mas por que os serviços básicos são deficientes, se a arrecadação não para de subir? Simplesmente porque se priorizam outras instituições que não surtem os efeitos imediatos nos benefícios à população.
Quanto à infraestrutura, um dos motivos do atraso no desenvolvimento, criaram-se as parcerias público-privadas, as PPP, donde parte dos investimentos virão das empresas privadas. Mas isso nunca chegará aos locais extremamente deficitários porque elas só investem onde o retorno é garantido. Via Dutra? Beleza! Porto de Santos? Claro! Transamazônica? Impensável! Secas nordestinas? Sem chance! Banco nos Cafundós do Judas? Inviável! Perceberam? Daí...
Então, mesmo sendo um país de todos, as maravilhas que os empresários pregam não chegam à população da forma que muitos ainda precisam. Para usufruir dos benefícios, os excluídos precisarão dedicar muito esforço para obter uma qualificação à altura da exigência do mercado. Por isso, a instrução recebida na escola – não importando se pública ou privada – é a única vantagem competitiva para se conseguir uma vaga em qualquer futura atividade produtiva.
A grande reflexão, portanto, quanto à escolha do modelo a ser adotado, pode ser feita baseada nas consequências da recente crise financeira mundial, gerada nos Estados Unidos. O objetivo não era maximizar o lucro? Mas o que aconteceu? Para evitar uma quebradeira geral foi necessária a ajuda dos cofres públicos, com a injeção de bilhões de dólares nas eficientes e bem administradas empresas privadas. Isto foi real, aconteceu, todos viram! Não é bom pensar melhor?

J R Ichihara
23/09/2009

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