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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Homossexual: ser ou não ser?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Homossexual: ser ou não ser?

A evolução social e a instituição dos direitos humanos sempre tiveram a pretensão de eliminar os preconceitos, criando leis e instrumentos para combater qualquer discriminação contra as pessoas. Mas o ser humano continua refém de velhos e inquebráveis tabus, sendo que um deles, talvez o mais resistente de todos, é o homossexualismo. Quantas pessoas, a despeito da capacidade intelectual, profissional e criativa, acabam no ostracismo por causa disso – a carreira, o talento, o sucesso e todas as demais conquistas são desvalorizados quando este diferencial negativo vem à tona.
Tradicionalmente, as Forças Armadas, no mundo todo, não admitem o homossexualismo entre as suas fileiras. Isso é tão forte e arraigado que quando surgem casos desta natureza, imediatamente os envolvidos são expulsos das corporações. Na verdade, esse tipo de desvio é eliminatório no momento da admissão. É conhecida a história dos jovens norte-americanos, na época da Guerra do Vietnã, simularem tendências homossexuais para não ser recrutados para o front. Mas sempre houve desconfiança de que na alta cúpula ocorre esta anormalidade comportamental, sem represálias.
Existem termos que depreciam de forma inquestionável: gay, boiola, veado, traveco, macho-fêmea, sapatão... e assim por diante. Quantas vezes a aplicação de um deles acaba com uma discussão, um debate ou as convicções de alguém? Muitos acham que qualquer deles é pior do que assassino, ladrão, drogado, pedófilo ou corno – há os que aceitam todos, mas nunca o veado. Chegam até a afirmar que matariam ou deixariam de reconhecer o próprio filho se descobrir essa inclinação sexual nele! Sem dúvida, isso ainda é muito malvisto pela sociedade – um desvio que condena.
Não é segredo a opinião de parte das pessoas no planeta sobre personagens importantes da História Universal. Platão, Sócrates, Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Santos Dumont, Alexandre, o Grande – além de muitos outros – são considerados homossexuais. E quando se descobre erro ou engano nas suas teorias, descobertas, invenções ou conquistas sempre vêm a conclusão: também, era gay! Como se isso fosse o grande motivo para se cometer falhas normais em qualquer ser humano. Homossexual, definitivamente, nunca é avaliado ou julgado como uma pessoa respeitável.
Mas esta breve viagem no tempo foi para comentar a recente polêmica entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. O motivo da discussão? Uma Lei proibindo a expansão de canaviais no pantanal e na Amazônia. Como os termos chulos e inadequados para autoridades, nas farpas trocadas entre eles, resolveriam isso? Muitos condenaram a mídia por publicar notícias desta natureza, mas até que ponto isso é negativo? Não serve para mostrar que pouca coisa mudou? Que assim são tratados assuntos muito importantes?
À parte a baixaria promovida por ambos, vimos que o antigo tabu permanece, já que isso independe de lei, mas da evolução do ser humano. Como não ficou claro qual foi o final da discussão, de forma que a sociedade pudesse saber, os termos usados pelo governador encerraram as divergências de opinião. Quem errou? Por que a discussão terminou desta forma? O que a população achou do papelão? A mídia agiu corretamente? De real mesmo só a decepção de que mais uma questão de relevância deixou de ser esclarecida por causa do preconceito enraizado nas pessoas.
Como se percebe, a humanidade dá mais atenção aos escândalos sexuais das pessoas que às questões universais. Basta acessar os blogs especializados nisso que comprovaremos pelo número de visitantes. Pouco se comentou sobre o caso do presidente deposto de Honduras, Manoel Zelaya, que se refugiou na Embaixada Brasileira, naquele país, para fugir dos golpistas que tomaram o poder. Isso interessa? Somente para os parentes dos brazucas que vivem neste país. Mais picante é ver um ministro e um governador revelarem qual deles saiu do armário. É... Sexo sempre é uma delicia!
Pena que além de nada mudar no campo dos preconceitos, os problemas realmente importantes são esquecidos. A quem interessa saber qual dos dois é gay? O que isso vai influenciar no resultado daquele estado ou naquele ministério? Se um deles assumisse, publicamente, a sua opção sexual, os problemas se resolveriam? Isto é ridículo, inaceitável, inútil e improdutivo. Se qualquer um deles realizar um grande feito para a população – e a posteridade provar que era gay –, o país não deixará de reconhecer isso, independentemente da sua preferência sexual... O tal ser ou não ser.

J R Ichihara
26/09/2009

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