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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Kill, kill, kill!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Kill, kill, kill!

A TV Record apresentou no último domingo, 27/09/09, uma reportagem sobre o treinamento dos jovens norte-americanos antes de serem enviados ao Iraque, o relato de alguns que estiveram lá e as mutilações físicas e psicológicas que eles sofreram. Quem se indignou com o filme brasileiro “Tropa de Elite”, deve achar que os nossos soldados estavam brincando de mocinho e bandido. Analisando as imagens, pergunta-se: por que os norte-americanos acharam tão revoltantes os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center, onde morreram muitas pessoas inocentes, em 11 de setembro de 2001?
O treinamento intensivo prepara verdadeiras máquinas de matar. O instrutor repete várias vezes aos soldados que eles vão àquele país com um único objetivo: matar, matar e matar. Prometem-se inúmeras vantagens aos voluntários, caso retornem com vida, como vagas nas melhores universidades, empregos, condecorações e tudo o que eles não conseguiriam num desempenho normal como estudante ou trabalhador. Isso somente para matar pessoas... que nunca viram antes! Apenas porque tiveram o azar de viver num país que contrariou a vontade dos Estados Unidos, o exemplo de Justiça mundial.
Mostrando a vida no Iraque, a reportagem choca pelas brutalidades praticadas pelas forças norte-americanas. Os depoimentos de veteranos confirmam que o prêmio com o retorno para casa dependia da quantidade de rebeldes que eles matassem. A certa altura da matéria um voluntário, que acreditou na boa-fé Ianque, confessou que atropelou um garoto com um jipe... que esta imagem nunca mais saiu da sua memória! Dá para esperar outra atitude depois das ordens recebidas durante o treinamento? Para um país em crise financeira isso não é um gasto irresponsável? O prejuízo financeiro e moral valem à pena?
Foram deprimentes os relatos de alguns veteranos. Uma moça, que perdeu uma perna, agradecia imensamente porque ainda está viva. O jovem que desertou, cumpriu pena por isso, hoje faz campanhas contra esta guerra. Um rapaz, que perdeu o braço, tenta refazer a vida que foi parcialmente destruída no Iraque. Outro cidadão, de tanto matar pessoas na guerra, tornou-se um problema em casa. A esposa e os filhos sofrem junto porque o que as batalhas fizeram com ele jamais será apagado. Enfim... Onde estão as recompensas prometida pelo governo? De real mesmo só as mutilações definitivamente irreparáveis.
Em determinado momento, o sargento fala para um soldado, ainda em treinamento, para ele permanecer acordado por mais 24 horas, após já ter cumprido esta mesma jornada. Isso justifica a tese de que em época de guerra as regras mudam? Será que era para torná-lo mais eficiente na arte de matar “inimigos”? Dá para imaginar o que se passou na cabeça deste jovem? As ordens – matar, matar, matar – martelando no seu cérebro. Por que aquelas pessoas devem morrer? Porque junto com Irã e Coréia do Norte formam o Eixo do Mal e ameaçam os Estados Unidos, segundo o ex-presidente George Bush filho.
Viu-se que a pátria que prega a liberdade e os direitos tem lá os seus deslizes. E lá se vão oito anos de ocupação num país, destruindo tudo – era outra ordem expressa -, matando inocentes e disseminando o instinto assassino numa geração que poderia ser mais bem aproveitada em outra atividade. Não basta ser considerada a maior potência econômica e militar do planeta? Precisa mostrar, subjugar o inimigo, impor a sua vontade, fazê-lo ajoelhar-se aos seus pés? Daí ser o mediador da paz mundial, pelo que temos visto ultimamente, é um título que deve ficar bem longe dos Estados Unidos.
Violência, porém, gera violência, diz um antigo ditado. As máquinas de matar produzidas pelos Estados Unidos, após os combates em terras alheias, voltam para atuar no seu próprio país. Como uma pessoa moldada apenas para destruir, sem nenhum motivo racional, vai se comportar em uma sociedade permissiva com divergências? Por isso, são comuns os problemas inerentes aos neuróticos de guerra quando retornam ao dia-a-dia. Só que agora eles passam a executar os próprios compatriotas, já que não sabem fazer outra coisa. Esta habilidade, outrora extremamente valorizada, torna-se um problema social.
Os norte-americanos idolatram seus heróis do cinema como Rambo, Exterminador do Futuro, Braddock... todos do bem. Da ficção à realidade é só uma questão de cifras. Nas telas eles sempre vencem. Foi assim com o Vietnã. Até com as desgraças alheias eles faturam – são o país do capitalismo! Mas as coisas mudam, ainda bem. De tanto promover guerras no país dos outros, conquistaram a antipatia mundial. Há algum tempo era comum se mostrar uma faixa com os dizeres “Ianque, go home”. Atualmente, com todo esse preparo para matar pessoas inocentes, o mais correto seria “Killer, get out”

J R Ichihara
30/09/2009

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