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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Golpe errado
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Golpe errado

A mídia tem mostrado, nos últimos dias, as arestas diplomáticas entre Brasil e Honduras. Tudo porque o presidente deposto Manuel Zelaya refugiou-se na Embaixada Brasileira naquele país. O presidente interino Roberto Micheletti, que para o Brasil é um golpista, mandou isolar a Embaixada, determinou o toque de recolher, decretou Estado de Sítio, suspendeu a liberdade de imprensa e deu um ultimato ao Brasil para se decidir sobre o asilo político a Zelaya. Lula, por sua vez, rebateu que não negocia com golpistas. As ações de Micheletti, por enquanto, não conquistaram o apoio internacional.
Sem procurar as causas ou os motivos, o fato é que o imbróglio diplomático está feito. Zelaya é acusado de usar a Embaixada para incitar os que o apóiam, o que irrita e incomoda Micheletti. Este, por outro lado, insiste que o depôs porque havia indícios da instauração de uma ditadura no estilo do Hugo Chávez. Aliás, os petrodólares do caudilho da América Latina são apontados como o epicentro disso tudo. Mas o que importa, no momento, é a solução da crise. Quem deve recuar? A OEA comprovará sua competência indicando uma saída? Como isso é visto pelo resto do mundo?
Os países subdesenvolvidos há alguns anos, quando havia uma bipolaridade de poder no planeta, eram forçados a optar por um regime. Atualmente, após vinte anos da queda do Muro de Berlim, que marcou o fim do socialismo, não há mais esta obrigação de adesão a um bloco ideológico. Com a URSS desintegrada, restou os Estados Unidos, totalmente capitalistas, como a única potência econômica e militar. Quais ditaduras sobreviveram? Cuba? Está de pires na mão! Coréia do Norte? Só pensa em armas nucleares! China? Tem mais interesse em vender seus produtos para o mundo!
Honduras, com todo respeito que merece, não possui grandes atrativos. O mundo desconhece qual é a sua importância estratégica geográfica, militar, comercial, tecnológica ou como fornecedora de bens indispensáveis à humanidade. Então, fora a sede de poder, quais motivos levariam alguém instalar uma ditadura neste país? Sem muita novidade alguns especialistas internacionais brasileiros comentaram o porquê das atitudes de Zelaya e Micheletti. Mas o ser humano possui vontades e desejos intrínsecos difíceis de entender. Agora, se isso faz parte de um plano mais abrangente...
Diplomacia é a arte de conciliar divergências de opiniões e posicionamentos em prol do bem comum. Daí os países sempre recorrerem aos corpos diplomáticos ou aos órgãos responsáveis pela paz e segurança, nos momentos de impasse, onde os opositores não abrem mão da razão. Só que uma postura inflexível dificulta a negociação. Sim, porque aos olhos dos comandados, ceder em alguns valores significa fraqueza, falta de pulso – e nenhum líder quer ser visto assim. Ainda mais com os holofotes da mídia expondo os fatos em tempo real. Para o poder a imagem é um valor inestimável!
Unanimidade apoiando a decisão e a postura do Brasil ninguém esperava, evidente. Afirmar que isso condiz com o estado democrático de direito tem um pouco de verdade. Mas lembrar que interferir nos problemas internos de outro país fere os princípios básicos da democracia, também é válido. De real mesmo temos uma situação que precisa ser resolvida. Agora, veremos a habilidade do corpo diplomático brasileiro para encontrar uma saída que seja boa para todos. Não é para isso que existe a diplomacia? Afinal, o que cada um achava que era o certo acabou dando errado para ambos.
Como a democracia permite que todos tenham a sua opinião a respeito de qualquer problema que envolva o seu país, a discussão corre solta. Da análise séria, ponderada e responsável ao simples achismo; da crítica desnecessária e inoportuna às propostas realmente bem fundamentadas. Enfim, como dizem os estrategistas, em tempos de guerra as regras mudam. Só que a diplomacia nunca trata os problemas, por mais sérios que sejam, como numa situação de guerra. A saída deve ser sempre honrosa para as partes envolvidas, sem apontar culpados, vencedores ou perdedores. Como fazer?
Portanto, tudo que significar imposição de vontades pessoais, violação de direitos universais adotados por todos, desobedecendo à Constituição de qualquer país, pode caracterizar uma ditadura. Só que este impasse desgastante para o Brasil, que pretende um assento na ONU, precisa de uma solução diplomática para mostrar que temos competência para isso. Espera-se que nos bastidores, longe dos efeitos midiáticos, estejam costurando algo muito diferente do que vemos nos noticiários. Radicalismo, no momento, não é a atitude mais recomendável para quem quer encontrar a solução.

J R Ichihara
03/10/2009

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