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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Deu Brasil em 2016
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Deu Brasil em 2016

O Brasil, especialmente o carioca, explodiu de alegria na última sexta-feira (02/10/09) com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Quando o presidente do Comitê, o belga Jacques Rogge, anunciou o nome da cidade, foi como se o país acabasse de vencer uma disputa por algum título esportivo, com o gol decisivo, a cesta no último segundo, a passagem pela linha de chegada, o salto insuperável, o nocaute salvador... enfim, o detalhe decisivo. Mas a decisão foi unânime. Recebeu um total de 66 votos contra apenas 32 de Madri, a adversária na grande final.
Dos quatro finalistas (Rio de Janeiro, Chicago, Madri e Tóquio), o Rio foi o que apresentou o orçamento mais caro para atender a infraestrutura que é exigida, 14,2 bilhões de dólares. O de nenhuma concorrente, Tóquio (6,8 bilhões), Madri (6,13 bilhões) e Chicago (4,82 bilhões), atingiu a metade da cidade brasileira. Mas o choro do presidente Lula, assim como o do Pelé, não foi de tristeza e sim de alegria. Ser o único país latino-americano a sediar este evento significa uma grande conquista, o fim da desconfiança da comunidade internacional sobre o Brasil – uma medalha de ouro
Mas o que a mídia divulgava nos comentários, antes do evento, era que as opiniões estavam divididas nos países concorrentes. Chicago, apesar de contar com o presidente Barack Obama, não era unânime sobre a escolha. Para muitos a crise tem prioridade. Tóquio também não era obsessão para os japoneses, pois já sediaram um evento desses há 45 anos. Apenas a Espanha, assim como o Brasil, estava interessadíssima em vencer. Por isso, quem viu as imagens sobre a campanha do Rio, produzidas pelo cineasta Fernando Meirelles, se deparou com um país sem muitos problemas.
À medida que os eliminados iam sendo anunciados, primeiro Chicago e depois Tóquio, a ansiedade aumentava – e a certeza de alguns também - entre os brasileiros. A confirmação veio acompanhada de vários gritos entre os representantes presentes à cerimônia. Todo esforço e dedicação se resumiram a um pequeno retângulo de papel, gravado com o nome da cidade escolhida, mas valeu à pena. Como valeu! O significado deste simples gesto inflou de maneira incontrolável o ego e a autoestima dos brazucas – até alguns humildes vibraram com isso, esquecendo as dificuldades!
Ninguém espera apenas elogios porque isso faz parte da democracia, lógico. Nem que os casos anteriores de sucesso e fracasso sejam decisivos para o país. O problema que preocupa os mais temerosos é a corrupção, o superfaturamento, o estouro do orçamento, muito comum neste país. Exemplos têm de sobra, como os recentes Jogos Pan-americanos, onde muita conta ficou mal explicada. Além do mais, temos a Copa do Mundo de 2014, que também requer um planejamento bem feito e muita seriedade. A atitude agora é controlar a euforia, arregaçar as mangas... e trabalhar muito!
Só que estes desafios apresentam dois lados: um positivo e outro negativo. No caso da Copa do Mundo, o grande beneficiado será o morador da cidade escolhida para sediar parte do evento. Serão bilhões para preparar a infraestrutura necessária, o que não deixa de ser muito positivo. Quando haveria verba para isso? O lado negativo é que isso só beneficiou algumas cidades, deixando as outras de fora. Se o critério foi político, ou se houve favorecimento, não importa mais. O fato é que todos os brasileiros pagarão para melhorar apenas doze cidades no país. Como fica o restante das pessoas?
Já para os Jogos Olímpicos, o único beneficiado é o Rio de Janeiro, apesar da afirmação de que o grande vencedor foi o Brasil. Mas como é a cidade brasileira mais conhecida e visitada isso não deixa de ser um avanço. Adicionar segurança e facilidade de locomoção às belezas e ao estilo de vida carioca tem lá suas vantagens. Significa mais turistas, maior ocupação na rede hoteleira e nos restaurantes, agregando valor em toda a cadeia atrelada ao turismo. Por outro lado, a verba destinada a esta cidade suprimiu do orçamento a oportunidade de melhorar comunidades mais necessitadas.
Os compromissos, porém, já foram assumidos e pactuados. Agora é esquecer a comemoração e se concentrar na árdua tarefa a ser realizada. A afirmação do presidente Lula de que deixamos de ser cidadãos de segunda categoria, para um tratamento como pessoas de Primeiro Mundo, precisa de comprovação. Isso só será possível se houver uma sinergia entre planejamento, suprimento e execução, como no sincronismo dos ponteiros de um relógio. Mas a grande lição que ficou é que quando não fazemos o básico precisamos vencer desafios muito maiores para poder competir.

J R Ichihara
07/10/2009

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