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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Nem o ENEM escapou
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Nem o ENEM escapou

A educação sempre foi considerada como fundamental para o desenvolvimento de qualquer país. Estudos e levantamentos mostram que todos os casos de sucesso estão diretamente atrelados à educação. Independentemente de ser pública ou privada – os exemplos comprovam – a boa qualidade só é atingida quando existe dedicação, comprometimento, seriedade e transparência nesta atividade.
Há muito tempo procuramos o modelo salvador para o nosso sofrível sistema educacional. Massificar o ensino? Elitizar o processo? Socializar o acesso? Enfim, foram tentativas sem o objetivo alcançado. Para serem mais justos com a grande maioria, os que vêm do ensino público, pensou-se no ENEM como avaliador para o aceso às universidades públicas, pois seria feito por etapas.
Mas... Nem deu para testar esta experiência! O sonho, a esperança e a frustração de quem se preparou para isso foi desfeito e se materializou sob a denúncia de vazamento da prova que seria realizada. E agora? Como fica a credibilidade? Algumas universidades, para extirpar este mal, já anunciaram que não levarão em consideração as notas do ENEM nos seus vestibulares.
O Exame Nacional do Exame Médio, o ENEM, a ser adotado no Brasil já é utilizado com sucesso em países do Primeiro Mundo como os Estados Unidos e Inglaterra, conforme foi mostrado em um noticiário de TV. E o mais importante, neste critério, é que não existem indícios de que houve vazamento das questões antes da realização das provas, desde 1950. Por aqui, infelizmente...
Segundo denúncias, ofereceram ao jornal O Estado de São Paulo, pelo pagamento de R$500 mil, cópias das provas que seriam realizadas. Os envolvidos seriam Felipe Pradella, que trabalhava como segurança do consórcio Connasel, responsável pela elaboração das provas, Gregory Camillo, que é um DJ, e Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria em São Paulo. Haveria outro comprador?
Decepcionados com a corrupção, a impunidade, os atos secretos e todo tipo de escândalo que põe em cheque a moral do nosso povo, achávamos que, pelo menos, a educação merecia um crédito, uma nota mínima de confiança da população. Qual o quê?! E aí temos todo o direito de ampliar a suspeita para uma abrangência muito maior. Cursinhos também? Com tanta competição... quem sabe?
E assim a cada bordoada que levamos, quando tentamos mostrar o nosso lado bom, precisamos redobrar os esforços para sair da nova situação vexatória. As autoridades, como sempre, estão tomando todas as medidas cabíveis que o caso requer! Mas esses casos só penalizam as vítimas porque os culpados logo serão esquecidos e liberados pela nossa maleável e frouxa Justiça.
Qual atitude resta para a sociedade? Ressuscitar a antiga Lei do Gérson, onde temos de levar vantagem em tudo? Adotar as regras do jogo e competir utilizando armas desleais para vencer? Lembre-se que estamos tratando de educação! Como avaliar o que isso provoca na mente de um jovem que está apenas tentando ser um bom cidadão? São perguntas que precisam ser feitas!
Corremos sério risco, por se tratar de um valor fundamental, de deformar uma geração inteira quanto à moral, se não houver uma punição exemplar para os culpados. Estamos na zona limítrofe que separa o certo do errado, o justo do injusto, o ético do antiético, o permitido do proibido – enfim, de valores intangíveis inquestionáveis e inegociáveis. Agora... Quem pode e deve impedir isso?
Talvez nossa percepção sobre educação esteja equivocada. Insistimos que ela torna o cidadão mais consciente, com maior responsabilidade social. Que a sociedade só tem a ganhar com cidadãos de melhor nível educacional. Em teoria, isso está perfeitamente correto! Mas a natureza humana possui desvios que independem de instruções técnicas... Ou será que isso não acontece?
Daí que, além da instrução técnica, o cidadão deve trazer de berço bons valores éticos e morais, independentemente da posição social e do nível de escolaridade dos pais. Quantos criminosos que conhecemos possuem curso superior? Será que não sabiam que estavam praticando ilegalidades e prejudicando terceiros? Para quê serviu a sua escolaridade? O que isso garantiu para a sociedade?
Enquanto a Justiça tratar quem tem escolaridade superior de forma especial, teremos certeza de que a criminalidade nunca vai diminuir. Por isso, busca-se a todo custo o diploma de doutor! Vale até comprar prova para facilitar o ingresso numa universidade, eliminando uma concorrência limpa e democrática. Aí se pergunta: está faltando educação formal acadêmica ou moral e bons costumes?

J R Ichihara
14/10/2009

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