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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Financiando a destruição e a desordem
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Financiando a destruição e a desordem

As imagens mostradas em uma plantação de laranjas, no interior de São Paulo, pertencente ao Grupo Cutrale, um dos maiores exportadores de cítricos do mundo, provocou revolta, mas nos força a uma reflexão mais profunda sobre a utilização de verbas públicas. Segundo a reportagem, sete mil pés de laranja foram destruídos, com tratores, pelos membros do MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra. A alegação era que precisavam de espaço para plantar feijão!!!
Violência no campo não é palco de luta da atualidade. Nosso país, apesar da enorme extensão territorial, sempre foi marcado por confrontos sobre a terra. E quanto mais terras alguém possuísse, mais poder isso representava. Haja vista que as análises de maior credibilidade sobre o Brasil versam sobre a utilização da terra e da relação patrão-empregado. Só que os escravos, que representavam a força motriz da produção, não tinham nenhuma representatividade, na época.
Passado mais de três séculos, muita coisa mudou. Ainda temos casos de trabalho em regime de escravidão, mostrados na mídia, principalmente na região Norte. Em todos, a ação do Ministério do Trabalho e do Emprego – MTE, foi punitiva, já que os patrões conhecem os direitos trabalhistas dos empregados. Pena que depois das cenas mostradas não ficamos sabendo o que realmente acontece com os infratores. Mas, pelo menos, os abusos são contidos.
As indignações, porém, principalmente da classe média, são com as ocupações indevidas e os atos de vandalismo. A oposição ao governo Lula quer uma CPI sobre o MST, alegando desvio de verba pública para o movimento. Este justifica suas ações como a única forma de chamar a atenção para o problema da Reforma Agrária. No meio da troca de acusações e justificativas fica o contribuinte, que não tem ingerência no caso, sem entender o porquê do seu dinheiro nisso.
Só que a aplicação de verbas públicas, sem grandes benefícios para a sociedade, também não é privilégio dos desassistidos. Há bem pouco tempo – e em algumas aquisições atuais – muitos empresários como, por exemplo, os usineiros, recebiam empréstimos vultosos e raramente pagavam essas dívidas. A chantagem que os maus empresários utilizavam é de que vários pais de família perderiam seus empregos... simplesmente apelando para a responsabilidade social.
O fato é que o problema existe e precisa ser solucionado com base nos princípios democráticos. Claro que é totalmente errado invadir terra produtiva, destruir plantações e infraestrutura, ameaçar os funcionários – enfim, utilizar de qualquer método ilegal. Mas como ficam os que não têm oportunidade, não podem contar com empréstimos, vivem à margem de qualquer acesso aos direitos constitucionais... os verdadeiros excluídos? Quem lutará por eles?
Daí que pouco adianta se indignar ou tomar partido de incriminadores ou defensores deste movimento. No passado era muito comum morrer pessoas nos confrontos por terra. Atualmente, com toda a violência que impera nas cidades, pouco se ouve falar que isso ocorreu. Ainda bem! Mas os ânimos vão se alterando, o grau de ousadia crescendo e os proprietários, sem proteção legal, procurando se defender utilizando recursos particulares, com pessoas armadas. Então...
Respeito ao meio ambiente, responsabilidade social e transparência em qualquer atividade produtiva, sindical ou recreativa, devem ser premissas básicas para garantir um mundo sustentável, sob todos os aspectos. Mas se não houver a atuação da Justiça, em qualquer uma delas, a perda da credibilidade induz e facilita o desvio para finalidades perniciosas à sociedade. Ou seja, a Justiça, com o apoio da Lei, deve impedir a tendência do ser humano para praticar atos ilegais.
Urge, então, suspender qualquer liberação a quem tenta se beneficiar com o dinheiro público. Mas sabe-se que é impossível desvincular a política dos movimentos sociais. Por isso, os gestores públicos, os parlamentares e a Justiça, como um todo, precisam dedicar todo o esforço e sabedoria para atender às prioridades da sociedade. Se a solução para este tipo de problema nunca aparecer, vamos continuar financiando a destruição e a desordem com o dinheiro público.

J R Ichihara
17/10/2009

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