A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
Para alterar som de fundo clique F5: 

Mensagens de Natal e Boas Festas

Mais Mensagens

                                  

 

Publicações
Perfil
Comente este texto

 

O PINHEIRINHO TORTO (Uma crônica de natal)


Por: Flavio Rodrigues


Quando chegou em casa, seu filho de oito anos estava lhe esperando no portão.
Ele ficou contente ao ver o pai, pegou no seu braço, e enquanto caminhavam para dentro de casa, perguntou se iriam enfeitar a casa para o Natal.
Ele não queria desapontar o filho, dizendo-lhe que não havia dinheiro sobrando para isto... Tentou desconversar, mas ele insistia em uma resposta melhor do que... "Depois a gente vê isto filho".
Diante da insistência, perguntou:
– E como você quer enfeitar a casa, filho?
– Vamos armar um pinheirinho na sala e enfeitar a casa com luzinhas.
Mas ele não estava muito entusiasmado para nada disto, até porque estava desempregado e não achava prudente gastar o pouco dinheiro que tinham na compra de pinheirinho, enfeites e luzes de natal. Ficou um pouco agitado sem saber como dizer isto.
Para não acabar definitivamente com as expectativas do garoto, achou melhor apelar mesmo para o recurso "Vamos ver isto depois filho".
Mais tarde teve de sair outra vez, e quando retornou encontrou em cima da mesa da sala um pequeno ramo de pinheiro de Araucária espinhoso muito comum naquela região. Era apenas um ramo de um galho, seco e torto.
– O que é isto, filho?
Ele respondeu entusiasmado que era para fazerem uma árvore de Natal.
Pegou aquele galho em silêncio e ficou tentando imaginar uma maneira de transformar aquilo em um pinheirinho de Natal. Ficou com pena do menino, por sua inocência de criança, que consegue resolver tudo de forma tão simples. Teve receio de magoá-lo. Não queria dizer para ele que aquilo não dava para fazer um pinheirinho de Natal.
O menino parado em pé ao seu lado aguardava que lhe informasse o que fazer. Olhou em seus olhos em silêncio, e olhou de novo para o galho.
Ocorreu-lhe um pensamento, de que sua vida estava como aquele galho: seco, torto e com falta de expectativas.
O menino quebrou o silêncio e perguntou:
– Como é, vamos fazer o pinheirinho?
Resignado, respirou fundo, esboçou um sorriso, meneou a cabeça e disse:
– Está bem vamos ver o que dá para fazer.
Chamou sua filha e lhe disse que precisavam da ajuda dela para enfeitar a árvore de natal.
Ela olhou aquele galho seco nas mãos do pai e disse:
– Vocês não estão pensando em fazer um pinheirinho disto, estão?
– Minha filha, nós não temos uma árvore de natal, temos? Mas nós temos um galho. Pois então nós vamos transformar este galho velho e feio numa árvore de Natal.
– Mas nós vamos enfeitar ele com o que? Perguntou ela, talvez tentando lembrar o pai, que não havia dinheiro disponível para isto.
– Nós vamos fazer isto com o que temos em casa, sem gastar nada.
Ela ficou olhando o pai muito séria, talvez, assim como ele, tentando descobrir um jeito de transformar aquele galho em um pinheirinho de natal
Ele lhe diz então:
Minha filha, este galho é como a nossa vida. Por pior que esteja, precisamos continuar acreditando que podemos mudar. Se fizermos as coisas juntos, pensando uns nos outros, nós com certeza faremos com este galho velho o mesmo que podemos fazer de nossas vidas.
Ela sorriu e disse: - Tá certo pai, entendi! Acho que sei o que fazer.
Enterraram o galho em uma lata forrada com papel de presente e o enfeitaram com brinquedos, algumas bolinhas de outros natais, puseram algodão nos galhos a guisa de neve e uma série de coisas que foram achando nas gavetas, nos armários e no quarto do filho.
Quando sua esposa retornou para casa mais tarde com sua outra filha, ficaram encantadas com o pinheirinho, indicando pela aprovação delas, que haviam feito um bom trabalho.
A noite fizeram uma pequena ceia e se reuniram na sala onde trocaram alguns presentes, junto ao pinheirinho, que agora parecia inclinado de propósito, os saudando.


 

205 - Leitura(s)
 Comentar

 

Comentário (1)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: EBaT (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.