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Encontros por aí a fora
Conhecer pessoas é para mim uma grande aventura comparada a uma
viagem a um lugar surpreendente e que sempre há algo novo a ser
descoberto. Adoro conversar e apesar de falar muito, escuto
atentamente ao que me revelam. Conversar é trocar idéias, discutir,
desconstruir e construir. Cada um tem sua história e sua bagagem,
além disso, todos mudam, nossos amigos podem sempre nos surpreender
com uma atitude inimaginável, e como todas as relações humanas, há
sempre o inesperado.
Qualquer lugar é lugar e não há hora certa para puxar uma conversa
fiada. Pode ser uma fila de banco, parada de ônibus, velório, mas o
melhor mesmo é uma mesa de bar. A alegria da cerveja gelada e da
música boa, melhor ainda se for um bom samba, bar de chão de
cimento, cadeira plástica e que você chama o garçom pelo nome:
Pereiraaaa!!!! Oh Pereira traz mais uma! Quando você se dá conta já
está lá no maior papo ou sobre um jogo de futebol ou sobre a tal
filosofia da vida. Sinto falta hoje de um bar, aquele que é
praticamente a extensão da sua casa. Ah saudade boa do samba das
quartas-feiras no Garrafus!
Nunca fui de fazer restrições nem muita cerimônia para conhecer
gente, tanto que fui uma sócia fundadora da AFA (Associação dos
Forçadores de Amizade). Não gosto desse exclusivismo de turma,
aquele grupo fixo de amigos e que se torna uma verdadeira panela.
Tenho amigos intelectuais, dondocas, burgueses, marxistas,
conservadores, idealistas, evangélicos, espíritas, farristas,
caseiros e por aí vai. Sei aproveitar o que cada diferença me
proporciona. Por isso gosto de fazer festas para comemorar meu
aniversário, é o único momento que tenho para reunir todos aqueles
que fazem parte de minha vida e que são tão importantes para mim. A
festa vira uma verdadeira salada, uma mistura de gente diferente.
Lembro que em minha adolescência, se mudou para a minha rua uma
vizinha nova. Não tive dúvidas, bati em sua porta e me apresentei.
Não podia imaginar que a partir dali iria iniciar a formação de meu
gosto musical. Juliana me apresentou a bandas que nunca ouvira falar
antes, e era engraçado como ela se surpreendia com a minha
ignorância. Não satisfeita com meu desconhecimento, me mostrava cds,
vídeo clipes, colocava as músicas mais famosas, me contava a
história das bandas e dos cantores. Todas as tardes eu ia a sua casa
e ouvíamos aos velhos sucessos para ela, e as novidades do dia para
mim. O que conheço de música devo a ela, a sua paciência e
persistência.
Há encontros, como esse, que me influenciam e causam,
inevitavelmente, reflexões que desencadeiam um processo de mutação,
que até eu mesmo me surpreendo. Sou aberta a mudanças, me permito
mudar. Há pessoas que encontrei, passaram e nem imaginam a bagunça
que causaram. Talvez se um dia nos reencontrarmos nem me
reconheceriam, ou pelo menos teriam uma grande surpresa.
Raquel Moraes
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 17/01/2008
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