A casa dos grandes pensadores
 
 
 

RICHARD ZAJACZKOWSKI

 

 

 

ADÚLTEROS E FORNICADORES

Conhecido jornal desta cidade publicou matéria de uma famosa revista de circulação nacional sobre a infidelidade no casamento. Segundo as estatísticas, cerca de 5.900 pessoas foram entrevistadas. Entre os homens, 75% assumiram a infidelidade; nas mulheres, 67% se confessam adúlteras.
O periódico também fez sua própria pesquisa como parâmetro, no sentido de verificar se a nossa realidade é compatível com a tendência nacional. Não houve dúvidas: conduta similar. Isso não é de se admirar, pois a luxúria não escolhe povoado, seja ele uma vila ou uma metrópole.
Vamos esclarecer ao leitor a pequena diferença entre adúltero e fornicador. Podemos dizer que todo adúltero é fornicador, mas a recíproca não é verdadeira, ou seja, nem todo fornicador é adúltero.
Fornicar é praticar o coito, fazer sexo, seja ele legítimo ou espúrio. O adúltero fornica, mas ele é assim chamado por causa de sua condição matrimonial, ou seja, é casado. Quando uma pessoa casada transa (eufemismo pedante para aliviar a consciência do ato), com outra que não seja seu cônjuge, é ao mesmo tempo adúltera, fornicadora e promíscua.
Quando uma pessoa solteira faz sexo, seja com outras casadas ou celibatárias, ela é fornicadora e promíscua. O verbo promiscuir significa misturar, confundir, mesclar. O verbete brasileirismo indica pessoa que se entrega sexualmente com facilidade.
 Os adúlteros e os fornicadores são os principais disseminadores das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). As autoridades brasileiras estão preocupadíssimas com o avanço acelerado da Aids. Segundo o Ministério de Saúde, um bilhão de reais já foram gastos este ano em remédios.
O governo estima em dois anos a ajuda financeira para continuar o programa nacional dessa doença, depois, poderá ser o caos, pois não há orçamento que agüente, opinou certa autoridade.
A proliferação desenfreada da Aids, provavelmente deve-se a dois fatores: pessoas recalcitrantes ainda se recusam a usar a camisinha e, assintomáticas, ou seja, possuem o vírus HIV, mas não o desenvolvem porque seu sistema é imune. É aí que mora o perigo: contaminam, mas não são contaminados. Por isso, não lhes interessa usar preservativo.   
É triste saber que com o passar das décadas aumenta cada vez mais o rol das pessoas escravas de seus pendores. O que deveria ser o templo sagrado do espírito e da alma tornou-se o relicário da luxúria, co-irmã da concupiscência, da lascívia e da sensualidade.
Essa luxúria é guiada pela sua genitora, a libido (apetite sexual) que não escolhe posição na sociedade, sexo, raça e faixa etária, vai aos poucos, pela banalidade das relações, minando o escasso respeito que já temos pelas pessoas.
Os seres humanos jamais aprendem que não se deve dar o troco na mesma intensidade das emoções negativas, ou seja, pagar um erro ou uma traição por outra. Se isso fosse uma lei imposta, imagine-se o caos que seria viver numa sociedade corrupta e injusta como a nossa.
Na entrevista, uma acadêmica de Direito deu uma dica para se obter a fidelidade: Uma coisa é certa, mulher apaixonada, feliz e bem-comida (sic), não pula a cerca!! Até pode ser, mas esqueceram de lhe dizer que esse termo chulo não é pressuposto de nenhuma felicidade, exceto uma exaltação emocional dos sentidos.
E quanto à paixão, esta é prisioneira do descontrole dos desejos das emoções, ou seja, os instintos ao apelo da carne, sempre está em primeiro lugar, depois, vamos ver se temos vergonha na cara para sermos fiéis ao cumprimento das virtudes nobres inerentes à alma.
Segundo relato bíblico, Sodoma e Gomorra foram destruídas por uma chuva de fogo e enxofre. Naquele tempo, imperavam mais as relações carnais.
Hoje, institutos e uma enorme variedade de livros que estimulam a ampliação da mente por meio do pensamento, aliados à globalização via internet, em matéria de fidelidade, dão-nos a impressão de que as cidades palestinas incineradas estão presentes entre nós, tal qual a Fênix ressurgida das cinzas. 
 

 Richard Zajaczkowski, bacharel em Direito, Oficial de Justiça Avaliador e acadêmico de Jornalismo e membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 23/05/2007