A casa dos grandes pensadores
 
 
 

RICHARD ZAJACZKOWSKI

 

 

 

AS TRÊS FASES DO HOMEM

O ser humano nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se adulto, adquire experiência, fica senil e por fim morre. Na evolução dessa sua existência de movimento circular, ele passa por três etapas diferentes : a do instinto, a do intelecto e a do espírito. Lamentavelmente, a grande maioria dos seres humanos não desenvolve essas três fases a contento, ficando quase sempre cativa nos laços da fase do instinto. 

Assim, a primeira etapa encontra-o remoendo suas deficiências da infância, dos erros e defeitos da educação que teve, e com isso afloram-se conseqüências cotidianas: vive emocionalmente tenso, preocupando-se com ninharias que não resolvem nada; adquire temores injustificados, com fatos e situações que nem aconteceram, mas tortura-se mentalmente por antecipação; irrita-se facilmente, com problemas de somenos importância, e com isso atraindo para si, conflitos mentais, complexos, atitudes intolerantes etc.

Nessa fase ele acredita piamente, que sua felicidade consiste exclusivamente na posse de bens materiais, na fama e na popularidade. Julgando-se dono de seu destino, por acreditar que a força do poder econômico, aliada à influência política, tudo pode, e na interpessoalidade de suas relações, famílias são jogadas na miséria, na dor, no desespero; pessoas suicidam-se, roubam, matam, mentem, umas em relação às outras, porque sempre há alguém com mais poderio que subjuga, explora e suga seu semelhante.

Na fase do intelecto, preocupações de outra ordem começam a inquietá-lo. O êxito alcançado, e os bens materiais que sempre almejou, já não mais lhe satisfazem, e tem princípio a procura de algo que não sabe definir o que seja. Ao descobrir que a fama e a aquisição de bens materiais, não lhe trouxeram aquela paz espiritual que almejava, tem início a indagação de perguntas e exigindo respostas que nunca virão, e com isso, sofre.

Se a pessoa que chegou nessa fase do intelecto, não possuir boa formação moral, e tampouco rígidos princípios éticos, nasce então, mais um cidadão corrupto; se tiver tendências políticas, desequilibrará a nação pelo desemprego, pela recessão e pela inflação; se for militar, certamente tornar-se-á um déspota ou ditador. Esse tipo de pessoas perdeu o verdadeiro significado da vida, pois tudo o que lhes interessa é atingir seus objetivos egoísticos, pouco importando o preço a pagar.

Por outro lado, se a pessoa tiver caráter norteado por princípios ético-morais, fatalmente enveredará para o caminho da terceira fase, a espiritual, cuja trajetória é a meta última de toda a criatura humana na face da terra. Começa para ela então, um novo despertar, o da consciência, que lhe permite atingir a percepção exata da realidade das coisas, ou seja, aprende a conhecer a si mesmo.

Essa percepção vai um pouco além daquela compreensão vulgar dos sentidos, quando ela se satisfaz com tudo aquilo que pode ser tocado, visto, degustado, ouvido ou aspirado (como já dizia Saint-Exupéry: o essencial é invisível aos olhos ). Essa percepção espiritual nada tem a ver com sentimentos de religiosidade, sendo excluídas todas e quaisquer manifestações de credos religiosos, independente do nome que tenham.

No cômputo das ações, não haverá igreja, religião, seita, ordem ou tempo algum que resgatará os liames negativos criados pelo ser humano, a não ser, que ele próprio o faça, pela lei do retorno do resgate. É nisso que reside a infalível Justiça Divina. Despertar espiritualmente, não significa praticar o culto, arrepender-se dos erros, para tornar a cometê-los novamente, num círculo vicioso que parece nunca acabar.

Despertam espiritualmente, todas aquelas criaturas humanas: isentas de egoísmo; desprendidas de bens materiais; que mantêm o foco de seus pensamentos puros e limpos; que não cobiçam bens alheios; que não usam as palavras além do necessário; que ajudam seus semelhantes, sem segundas intenções; e que não prejudicam seus corpos com excesso alimentar ou alcoólico.

Refere a sabedoria popular, que a caminhada espiritual é um verdadeiro calvário. No fundo, não é. Nós é que nos acomodamos com a caminhada fácil da humanidade libertina, por isso, não podemos e nem devemos nos queixar do inferno astral que enfrentamos diariamente, nessa viciada primeira fase do instinto.


 Richard Zajaczkowski, bacharel em Direito, Oficial de Justiça Avaliador e acadêmico de Jornalismo e membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 23/05/2007