A casa dos grandes pensadores
 
 
 

RICHARD ZAJACZKOWSKI

 

 

 

NÃO  JULGUE

O título acima, por sua extensão deveria ser: não julgue, para não ser julgado e/ou não julgue, você pode estar sendo injusto. Todos nós temos uma grave mania: a de julgar pessoas e coisas, sem antes tomarmos o devido cuidado de verificar todos os lados de cada situação. E uma das coisas que mais fazemos é julgar as pessoas pelo que os outros dizem e/ou pelo que lemos nos jornais.
Essa maneira de tirarmos conclusões precipitadas, já prejudicou muitas pessoas; algumas, foram à falência e perderam seus bens, outras, ficaram com suas reputações manchadas pelo resto da vida, e outras ainda, levadas pelo desespero, acabaram tirando suas próprias vidas. Destruir a moral das pessoas por emitir julgamentos equivocados, é bastante fácil. Difícil é consertar pois tanto a palavra escrita quanto a falada, uma vez lida ou ouvida por centenas de pessoas, nem sempre é analisada com profundidade.
Isso porque, quando emitimos uma opinião desfavorável acerca de uma pessoa, da qual ouvimos falar e/ou lemos num jornal, tiramos nossas próprias conclusões, achando que aquilo que nos foi transmitido espelha realmente a verdade. Ledo engano semelhante comportamento. Para tanto, antes teríamos que vasculhar a vida pregressa da pessoa em questão e somente nesse caso nos valer daquilo que foi escrito e/ou falado.
Quem mancha a reputação e a honra de alguém em público, dificilmente terá oportunidade de fazer justiça, mesmo no caso de uma retratação, posto que, nem todas as pessoas (centenas, às vezes, milhares delas) estariam naquele momento do pedido de perdão, ouvindo-o quando o fizeram no instante em que usou da palavra para denegrir. Assim, muitas delas ainda ficariam com a primeira impressão negativa, independente dos malgrados esforços do ofensor.
Uma das situações mais comuns pela qual gostamos de julgar e emitir nossa opinião, é a aparência, quer seja envolvendo pessoas e/ou coisas. Não raras vezes as pessoas que mantêm esse tipo de comportamento, caem no ridículo ou conforme o grau de ofensa, podem até ser processadas. Seres humanos assim, são completamente destituídos do conhecimento das leis espirituais que regam tudo: dos nossos desejos mais íntimos até os atos mais grosseiros perpetrados neste plano, ainda que ninguém nos tenha visto fazê-los.
Um exemplo de atitude comportamental equivocada, com influências de orientação superior pouco esclarecedoras, é retratada no conto a seguir: "Joaquim era casado com Vera e pai de seis filhos. Recebia apenas três salários mínimos, mal conseguindo sustentar a família. Certo dia, foi despedido da firma em que trabalhava, e o desespero tomou conta de seu coração.
No domingo, quando foi à missa, ouviu do padre que tudo aquilo de que precisamos devemos pedir a Deus e, se for para o nosso bem, ele atenderá. Joaquim voltou para casa, escreveu uma carta pedindo ajuda a Deus e enviou-a para o seguinte endereço: Deus Pai - Céu.
Os funcionários do correio leram o estranho endereço e resolveram abrir a carta para ver do que se tratava. Estava escrito: "Meu bom Pai, tenho seis filhos. Estou desempregado. A esposa doente. Os filhos passam fome. Ajude-me, por favor. Preciso urgentemente de R$ 100,00. Obrigado, Joaquim." Comovidos, os funcionários do correio arrecadaram o dinheiro entre eles, conseguindo R$ 80,00. Colocaram o dinheiro num envelope e enviaram-no para Joaquim.
Quando este abriu a carta, pulou de alegria, mas constatou que dentro dela só havia R$ 80,00 e ele havia pedido R$ 100,00. Resolveu então escrever outra carta para o mesmo destinatário: Deus Pai - Céu. Os funcionários do correio, pensando que fosse o agradecimento de Joaquim a Deus, resolveram abrir novamente a carta... que dizia: "Senhor Deus, recebi os R$ 80,00. Mas cuidado, Senhor Deus! Numa próxima vez é melhor que o Senhor mande um cheque nominal, porque, mandando em dinheiro, os funcionários do correio roubam uma parte. Obrigado!" Moral da história: nem sempre vemos as coisas como elas realmente são e corremos o risco de cometer graves erros, precipitando-nos em nossos julgamentos.


 Richard Zajaczkowski, bacharel em Direito, Oficial de Justiça Avaliador e acadêmico de Jornalismo e membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 09/07/2007