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- A PEDAGOGIA DO
SOFRIMENTO
A felicidade existe? A felicidade é
permanente? É personalizada e/ou coletiva?
Tais indagações nos levam a reflexões profundas, que justificam a
história da humanidade na busca de compreensão da nossa existência.
Nem a tragédia grega nem o existencialismo foram capazes de
compreender a complexidade de ser feliz, admitindo a sua ausência e ao
colocar a dor da alma humana como processo natural em vida.
Faz-nos entender que sofrimento existe em qualquer ser, incluindo os
seres humanos, que são racionais e se diferenciam dos demais seres.
Para ampliar tal perspectiva, Marx afirmara que trabalhar é um ato
exclusivamente humano e por ele o homem se diferencia dos animais,
pois
Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha
supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia; mas o que
distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente
sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo
do trabalho aparece um resultado que já existia idealmente na
imaginação do trabalhador. Ele não transforma apenas o material sobre
o qual opera; ele imprime ao material o projeto que tinha
conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu
modo de operar e ao qual tem de subordinar sua vontade.
Tal sofrimento humano e ontológico está presente na planta da sala de
jantar de um apartamento, que busca a luz da janela no lado oposto do
ambiente. Está na venda da força do trabalho humano para o seu
sustento, reduzindo seu produto a algumas notas de dinheiro.
Porém, mesmo sofrendo, o homem tem uma extraordinária capacidade de
adaptação aos diferentes ambientes nos quais está inserido. Mesmo diante
de obstáculos, que parecem impossíveis de transpô-los, o homem sonha e
transforma um sonho em possibilidade real a partir do uso de sua
perfeita máquina de pensar.
Compreender o sofrimento pela lógica racional nos capacita para a
Criação e o Criador. Ficamos perplexos diante das injustiças, que
muitas vezes não são determinadas pela racionalidade humana. Assim,
julgamos, mesmo que inconscientemente, que exista uma força superior e
que nossa racionalidade não consegue decodificar em atributos reais.
Portanto, mesmo seres humanos infelizes são capazes de fazer outros
felizes. Ser feliz e tornar outros seres felizes são a plenitude. A
felicidade não se justifica na dimensão do imediatismo nem na lógica
temporal de calendários e de aniversários.
Ser infeliz e não tornar outros felizes é a escravidão crua e nua,
que alimenta o lamento dos que sofrem. Sofrer também é necessário. É
alimento para alma e nos transforma em guerreiros da vida.
Quando um ser humano infeliz, conscientemente percebe que a pedagogia
do sofrimento é um resgate das injustiças humanas, compreende que o
mal é produto de nossa arrogância, de nossa ambição e de nossa sede de
poder.
Entender essa lógica pedagógica é resgatar o paidagogo, que, na
Grécia Antiga, era o escravo condutor de crianças e transformá-lo
conscientemente em um ser especial, que mesmo sofrendo acreditara e
hoje deva acreditar que criança é a nossa esperança para que o mundo
precise continuar.
A construção de uma felicidade verdadeira começa compreendendo a
proposta apocalíptica de mundo “moderno”. Todas as mães e todos os
pais são pedagogos e preferem sofrer a ver um filho sofrendo.
Sofrimento é crescimento humano.
Valdir Sodré dos Santos
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
15/08/2008
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