A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

 
ENTRE A CIÊNCIA E A CONS-CIÊNCIA
 
Eu, como homem da ciência, descobri que sem Deus eu não sou nada.
 
Jesus veio para nos salvar e nos mostrar o que não devemos fazer. Somos vulneravelmente atraídos pelo pecado, pois somos imperfeitos. A racionalidade, que nos diferencia dos outros seres, não nos dá status de superioridade. Pagamos um "preço" muito caro por tê-la. Os outros seres nascem e mesmo sem o cuidado da mãe ou de outros seres adultos conseguem sobreviver e viver. Enquanto isso, nós largamos crianças na Lagoa da Pampulha, nos lixos em Curitiba, dentre muitos outros fatos reais e já vividos. Porém nenhuma criança vive sem o cuidado de uma mãe ou de um outro adulto. Para vivermos necessitamos sempre do amparo dos que já foram crianças. Talvez alguns adultos ainda sejam crianças, e continuam egocêntricas, carentes e não têm consciência de que um dia alguém ou alguns dedicaram paciência, amor, carinho e senso de humanidade para fazê-los viver.
A Ciência não explica tudo. E a única forma de viver em paz, com todos os nossos problemas, é admitir o mistério da vida, que só pode ser decifrado por uma Força Superior à nossa racionalidade. Deus é a comunhão de vários eus. Somos criados para sermos criativos, sem perder o sentido do limite racional.
Foi nos dado a capacidade de pensar e de termos conhecimento, mas antes do conhecimento vem a sabedoria. Ela só existirá com o tempo, que é relativo. O nosso tempo não é o tempo de Deus. A sabedoria está em todos os seres vivos. Basta olhar para seu cão, que quando pequeno, ao lhe ver, pulava de alegria e o lambia de felicidade. Quando esse cão envelhece, ele apenas abana o rabo e lhe observa quieto enquanto você lê notícias de crianças abandonadas no jornal.
Nada é por acaso, confrontando meu olhar de matemático. Tudo na vida tem um sentido, basta observar e buscar o discernimento da missão que lhe foi dada. Viver é um nascer contínuo, desde aquele choro na hora do parto. A única certeza que temos ao nascer é que um dia morreremos. Por que, então, não oportunizar a uma criança recém-nascida o tempo necessário para que entenda essa certeza racional?
Afinal, a vontade de viver é sempre maior do que a vontade de morrer. O mais importante no percurso da vida é o caminho, o processo, cada amanhecer e cada anoitecer, vivendo como se fosse o último dia.
Deus não fez o mal. O mal foi uma forma de entendermos o que significa a ausência de Deus...
 
Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  03/03/2008