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- EROTIZAR A EDUCAÇÃO
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- Eros:
amor e deus do amor...
- Para Platão,
existe uma ambigüidade na incorporação desse termo: “Eros, na
mitologia grega, é filho de Poros (riqueza) e de Pênia
(pobreza); pobreza, porque o desejo amoroso exprime ausência;
riqueza pelo sentimento de plenitude que acompanha o amor”
(JUPIASSÚ & MARCONDES, 2001, p. 86).
- Esse campo de
forças antagônicas nos exprimem o que somos, aonde estamos, porque
somos e porque continuamos vivos. Nosso desejo de perpetuação está
entre aquilo que acreditamos e naquilo que ainda precisamos
entender, que julgamos ser o que não acreditamos ser o que julgam
o que somos.
- “O Eros
inferior, o amor carnal, é distinto do Eros que conduz ao amor
divino; os homens passam de um a outro por degraus, em virtude da
dialética ascendente” (op. cit,
p.86).
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Assistindo a obra-prima do vídeo O
SABOR E O SABER, podemos entender a nossa pequenez e a nossa
importância. São relatos de vida expostos por educadores por
excelência, que já viveram mais do que podem ainda viver. São
personagens do mundo e do mundo brasileiro, que transformaram suas
vidas em luta pacífica das palavras e do conhecimento (cotidiano e
sistematizado) em prol da transformação do mundo que temos. Eles
são as vozes de anjos anunciando o mundo que queremos e que
sonhamos. E assim, esses senhores e senhoras, doutores e
pós-doutores do mundo acadêmico cartesiano, anunciam a canção de
um novo mundo:
- “Quem perdeu o trem da história por querer
- Saiu do juízo sem saber
- Foi mais um covarde a se esconder
- Diante de um novo mundo”
- (Beto Guedes).
- Num desses
relatos, extraio as palavras da afirmação cristã e humanista de
Ubiratan D’Ambrosio, quando afirmara, horizontalizando as relações
humanas, que o que o diferencia de seus educandos (como eu) são a
experiência e a criticidade. Passando por Chauí, remeto-me a Rubem
Alves, que entre a ciência e a sapiência, nos diz que
precisamos erotizar a educação. Que precisamos ter o desejo de
transar com o conhecimento e termos orgasmos transcendentais.
- É triste saber
que quando Rubem Alves diz “tudo isso”, a maioria das pessoas
incorporam a ausência e a pobreza. E consolidam esse exercício
deturpando a ótica de Freud, que refere Eros às “pulsões de vida e
de auto-conservação, cuja energia potencial, essencialmente de
caráter sexual (não genital) é constituída pela libido, regida
pelo princípio do prazer. Por oposição, a Eros, Thánatos
designa as pulsões da morte que se traduzem, tanto por uma
tendência à autodestruição quanto por uma agressividade dirigida
ao exterior” (op. cit., p. 86).
- Não se trata de
ato sexual exterior. Erotizar a Educação, assim acredito, é um
mergulho interior, externalizando o desejo mais profundo por
aquele com quem se apresenta comunicativo e necessita do mesmo
espectro dialético vital e complementar, ignorando o conhecimento
que traz em si, mas que assim acende o imanente, seu imaginário
radical, tão preconizado por Castoriadis, que é seu permanente
poder de criação.
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Eis então a riqueza platônica na qualidade primeira social e
jamais total. A totalidade é a complexidade apontada por Morin, e
para erotizá-la carecemos de uma visão cósmica e holística. A simplicidade é a resposta que precisamos para a brutal
estupidez de homens nacionalistas economicamente sem pátrias, de
países com nomes plurais. Que não respeitam os verdadeiros homens,
que têm culturas próprias e consolidam imaginários sociais
significativos.
- Portanto,
erotizar a Educação é romper fronteiras. É globalizar misérias. É
ter fome de não ter fome. É apenas viver mais do que podemos.
Afinal, aqueles senhores e senhoras relativizam o tempo e o
espaço, coordenando subjetividade e ciência. Eles gozam e nos
fazem rir, enquanto os monstros inventam novos jogos de guerra.
- Erotizar a
Educação é viver Paulo Freire, para aprender sempre e fazer do ato
educativo um ato politicamente correto e indivisível: celebrar a
vida!
- Valdir Sodré dos Santos
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
01/06/2007

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