NASCI PARA SER SANTO
Passei décadas
para entender o que minha mãe dizia quando afirmava que nós nascemos
para ser santos.
Afinal, o que
significa essa tal santidade?
Para poder começar a
entender tal afirmação, precisei correr muitos riscos. Percebi que a
democracia grega ainda é muito saudável nos dias de hoje e que a
democracia capitalista ainda é a melhor opção. Que a liberdade dos
ideais socialistas e comunistas ainda sobrevive. Que a força da palavra
ainda existe.
Tal magnitude
afirmativa nos coloca frente a frente com o etnocentrismo. Faz-me
remeter à Terra Santa e aos discursos enfaticamente consistentes e
radicais de evangélicos, que não aceitam reverências à imagens e à
representação materna de Maria. Religiosos que enfrentam o poder
historicamente construído da Igreja Católica. Pessoas que se espalham em
todos os lugares, sobretudo em comunidades carentes, e constroem uma
nova perspectiva ideológico-religiosa de compreensão de Deus. Compreendo
tais iniciativas e louvores e percebo claramente que não estão distantes
do pensamento católico apostólico romano.
Redimensionar a
palavra contida nos documentos sagrados: a Bíblia (o documento mais
importante da história humana, para mim), só me faz acreditar que somos
diferentes para ser um só. Que temos um único Deus, mesmo que este
esteja representado numa Santíssima Trindade ou em diversos deuses (e
não Deuses). Que temos muito mais aspectos racionais que nos aproximam
do que aqueles que nos separam.
Precisamos aprender a
deixarmos de ser etnocêntricos. Precisamos respeitar as diversidades
cultural e religiosa. Podemos discutir com qualquer um que pensa
diferente da gente, sem deixar de acreditar naquilo que acreditamos ou
louvamos.
O ecumenismo é um
caminho importante, assim como o multiculturalismo, a
multirreferencialidade e o holismo.
Não basta ter fé. É
preciso ter discernimento...
A força da palavra
está na forma como refletimos sobre os escritos sagrados. Lá não está
escrito que temos que nos separar e que não é numa comunidade religiosa
que se dará a comunhão fraterna e encontro com a verdade.
Os caríssimos e
importantes evangélicos também são santos, uma vez que fazem de suas
vidas um exemplo.
Ser santo é dar
exemplo... O exemplo é uma das formas de se educar, sem domesticar. É
fraternal, ao mesmo tempo filosófica e prática. É pelo exemplo que
mostramos e demonstramos a “teoria” com a prática. Somos verdadeiros e
não nos escondemos entre máscaras e discursos. É o exemplo da mãe, do
pai e do filho. E também do Espírito Santo.
Os anjos são uma das
representações divinas que são aceitas por todas as religiões. Os anjos
se apresentam entre nós como pessoas normais. Eu posso ser um anjo.
Todos nós podemos ser anjos, mensageiros de Deus.
Nesse sentido, todas
religiões são santas. Todas as religiões tem anjos. E não é no discurso
que seremos anjos ou santos. Posso afirmar isso, porque não foi no
discurso de minha mãe que aprendi que nascemos para ser santos. Foi a
própria vida que me oportunizou esse discernimento, a partir de inúmeros
anjos que apareceram na minha vida, dentre eles minha mãe e você.
Quem é o anjo: eu ou
você?
Quem é santo?