A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

 
NOSSOS QUOCIENTES (IN) CONSCIENTES
Valdir Sodré – 20/03/2008
 
 
                   Observando atentamente os problemas que hoje afligem a humanidade, deparamos com diversas injustiças sociais, guerras, queda de paradigmas, com a velocidade da informação e da construção do conhecimento, entre juventudes transviadas, crimes, violência, senso de desumanização, fome, misérias, dentre outros aspectos e espectros. Mas, sobretudo, adquirimos patologias, que incapacitam seres humanos e desafiam a Ciência.
                   Sob a ótica de que nada é por acaso, que o Universo está em profunda expansão e que o mistério da vida ainda nos desafia, posso acreditar que tais doenças são formas de ampliar os limites da racionalidade humana. E, assim, tais incógnitas são motivos para desenvolvermos novas inteligências, que não devam ser artificiais. Pois é no próprio homem, que é uma máquina perfeita, que estão todas as respostas para essas inquietudes e incertezas.
                   Foi-se o tempo em que o quociente de inteligência (Q.I.) determinava o grau da inteligência humana, mapeando apenas as inteligências lingüística e lógico-matemática. De fato a língua materna e a ciência matemática são pilares da formação de estruturas superiores mentais, conforme preconizava Vygotsky. Porém somos seres epistemológico-sócio-culturais, que ampliam novas formas de inteligência na influência direta de um determinado tempo, em um determinado lugar e em uma determinada cultura.
                   Gardner construiu a teoria das inteligências múltiplas, redimensionando a forma científica e sistematizada de compreendermos nossas formas de inteligibilidade. Formatou 8 formas de inteligência (humana) e já aponta novas possibilidades.
                   Acredito, assim como Gardner, que a possível inteligência ambiental seja o próximo caminho para a cientificidade da inteligibilidade. Compreender que somos ambientes dentro de um outro ambiente não é somente ter inteligência intrapessoal ou interpessoal. A primeira nos diz que é desenvolvida quando estamos diante de nós mesmos, enquanto que a outra nos capacita no desenvolvimento refinado das relações com o (s) outro (s). A primeira é muito comum ser observada nos religiosos, padres, budistas, dentre outros. A inteligência interpessoal é comumente observada naquelas pessoas extrovertidas, motivadas e com um universo amplo de amigos.
A “inteligência ambiental” é mais ampla, pois supera essas duas lógicas dialéticas, assim como o construtivismo supera o inatismo e o empirismo (ambientalismo) sem negá-los. Ela nos capacita ao desenvolvermos o olhar necessário e urgente de nos percebermos ambiente vivo nessa complexa teia planetária que nos envolve. Somos ao mesmo tempo um grão de areia no oceano e grandiosamente importantes nesse cenário permanentemente em expansão. Um mergulho interno nos leva ao auto-conhecimento (à inteligência intrapessoal), que ao mesmo tempo nos leva ao mundo subjetivo de todas as autonomias em vida, que não são somente humanas.
Esse é o caminho da humanidade...
O Tratado de Kioto é apenas mais um registro e um contrato social para podermos dar luz às trevas de nossa perpetuação humana, que só existe e existirá se existir um lugar que nos acolha e nos faça respirar e mover os nossos corações, pulsando o enfrentamento das incertezas pós-modernas e as cegueiras do conhecimento, conforme o pensamento de Edgar Morin.
Um novo mundo nos espera, certamente ancorado numa nova queda de Império e numa nova revolução de uma nova “classe média”, intelectualizada e formada por profissionais liberais. Essa parcela da sociedade agora se encontra desfalecida, conjugando não o verbo TER, mas desmascarando o PARECER TER neoliberal.
Queremos apenas consciente ou inconscientemente SER...
 
Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  24/03/2008