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VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

ONDE NASCE A ESPERANÇA?

Valdir Sodré – 02/02/2007

                   Apesar da racionalidade, somos demasiadamente emotivos, conscientemente ou não. A própria negação da emoção já é por si só um ato emocional. A emoção não escolhe gênero ou qualquer outro aspecto ou traço individual e/ou social. Ela é força natural de qualquer ser. Racionalmente, o que fazemos com ela, interiormente ou exteriorizando-a faz a diferença.

                   Numa perspectiva de inteligências múltiplas, segundo Gardner, as inteligências intrapessoal e interpessoal destacam-se nesse contraste reflexivo. A inteligência lógico-matemática não assume o posto de comando, uma vez que a arte de compreender e/ou explicar os fatos não resume a ópera (matema(r) = compreender / explicar e tica = arte / técnica). Ademais, a inteligência lingüística serve de válvula de escape dessa intensa dinâmica emocional. Sendo assim, o quociente de inteligência (QI) perde sua majestade e o quociente emocional (QE) surge como mais uma ferramenta de discernimento do mistério da vida.

                   Portanto, podemos perceber o quanto as mulheres são importantes, sem deixar de esquecer do papel masculino. Afinal, as mulheres são detentoras, cultural e biologicamente, do domínio equilibrado entre a razão e a emoção. São elas quem suavizam o crepúsculo do nosso mundo. Elas quem dão cor, salto alto, delicadeza, suavidade, leveza, sutileza, sobriedade e esperança para todos nós, inclusive elas mesmas.

                   Todos estes aspectos só são possíveis com a presença de homens. Portanto, destacando a esperança, esta existe somente de forma coletiva, humana e respeitosa.

                   Onde nasce, então, a esperança?

                   A esperança nasce no bom dia. A esperança é a criança, que é a opinião de Deus que o mundo precisa continuar. A criança é o reflexo de nossos desejos de perpetuação, de nosso livre arbítrio, para que possamos dar continuidade nos nossos sonhos. O tempo de vida é muito curto para responder nossos desejos.

                   Podemos, então, acreditar que a esperança nasce quando acreditamos no outro. A esperança não é solitária. Ela é solidária e, sobretudo, amorosa, amiga e fraterna.

                   A esperança é a mão de Deus sobre nós e determina a perpetuação de nossa espécie, ontologicamente.

                   Relembrando o belíssimo livro de Pablo Gentili e Chico Alencar, Educar na Esperança em Tempos de Desencanto, “esperança é uma palavra que se pronuncia coletivamente”.

                   Sendo assim, toda pronúncia coletiva é um aspecto cultural e uma denúncia que nossa capacidade racional precisa ainda mais evoluir. E que, portanto, nossos espaços sociais, sobretudo a escola, são fontes e filtros permanentes de construção e reconstrução de esperança.

                   Precisamos fazer reais todos os discursos, conservadores ou progressistas, de que a Educação é solução de nossos problemas sociais. Precisamos ter atitudes e entender que a escola somos todos nós.

                   A escola não é e nem será institucionalizada por decretos. Precisamos ser instituintes de nossas escolas. Entender que fazemos escolas até debaixo de uma árvore, conforme preconizava Paulo Freire.

                   A esperança é a porta de nossa escola...

 
Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  05/02/2007