A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

Presente
Valdir Sodré
 
O vento que soprara lá fora
Ainda aquece o meu outono.
Permaneço esperançoso
E esperando a primavera,
Mesmo sabendo que o inverno
Separa-nos permanentemente
 
A janela embaçada do instante
Embaraça meu olhar atento e distante
Não existem culpados no passado
Não existem culpados no presente
Não resistem culpados no futuro
 
Toda lágrima é fecunda
A insistência da dor é caminho
E os passos são as marcas do combate
A vitória é a incerteza da certeza
De que viver é para os fortes
 
O navio agora já se afunda
Mas parece tolo continuar blasfemando
Não temos asas, não somos peixes
Nem feixes fantasiados no útero
Remar contra O RIO É suavidade NA ALMA
 
Por mais que não seja preciso
Não é loucura buscar um veleiro
A tempestade já se dissipa
E parece que o passado não é destino
E nem o futuro promete os sonhos
 
Não seja incrédulo, nem presunçoso
Seja o mesmo de sempre
Evite o confronto e sorria p’ro mundo
Apesar de todos os erros
O mistério da vida ainda é pleno
 
Não há ciência sem preces
Não há religião sem homens
Tudo é relativo aos olhos
Porém na alma nada se esconde
Sou anarquista dos sonhos
 
Acredito na vida e nos homens
Mesmo pecadores insanos
O único esconderijo que existe
É o coração de todo homem
Deixe correr o rio de teu íntimo...
 
Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  18/09/2008