-
Presente
-
Valdir Sodré
-
- O vento que
soprara lá fora
- Ainda
aquece o meu outono.
- Permaneço
esperançoso
- E esperando
a primavera,
- Mesmo
sabendo que o inverno
- Separa-nos
permanentemente
-
- A janela
embaçada do instante
- Embaraça
meu olhar atento e distante
- Não existem
culpados no passado
- Não existem
culpados no presente
- Não
resistem culpados no futuro
-
- Toda
lágrima é fecunda
- A
insistência da dor é caminho
- E os passos
são as marcas do combate
- A vitória é
a incerteza da certeza
- De que
viver é para os fortes
-
- O navio
agora já se afunda
- Mas parece
tolo continuar blasfemando
- Não temos
asas, não somos peixes
- Nem feixes
fantasiados no útero
- Remar
contra O RIO É suavidade NA ALMA
-
- Por mais
que não seja preciso
- Não é
loucura buscar um veleiro
- A
tempestade já se dissipa
- E parece
que o passado não é destino
- E nem o
futuro promete os sonhos
-
- Não seja
incrédulo, nem presunçoso
- Seja o
mesmo de sempre
- Evite o
confronto e sorria p’ro mundo
- Apesar de
todos os erros
- O mistério
da vida ainda é pleno
-
- Não há
ciência sem preces
- Não há
religião sem homens
- Tudo é
relativo aos olhos
- Porém na
alma nada se esconde
- Sou
anarquista dos sonhos
-
- Acredito na
vida e nos homens
- Mesmo
pecadores insanos
- O único
esconderijo que existe
- É o coração
de todo homem
- Deixe
correr o rio de teu íntimo...