A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

REALMENTE O HOMEM NÃO É HOMEM DE UMA  MULHER SÓ...

Nasci em 1968 – o ano que não terminou, segundo Ventura – em meio conflituoso de uma ditadura militar, que ainda nos influencia e nos mostra amarras, que nos prendem a pensamentos contrários à democracia, que ainda estamos construindo no Brasil, nesse início de novo século. Reabertura política que nos circunda nos pequenos detalhes do cotidiano, consciente e/ou inconscientemente.

Vivi um final de século recheado de episódios políticos e estruturais, que consolidaram em mim um projeto de homem que sobreviveu aos conflitos externos e internos impostos e necessários ao pulsar da vida. Convivi com separações, opressões, manifestações, construções, destruições, implosões, contusões, tensões,...e tesões. Vi na janela da minha vida uma infância suburbana, uma adolescência rurbana e um início de vida adulta confuso. Disseram-me que o mundo acabaria no ano 2000 e, aos 32 anos de vida, vi que o boom da virada do século só me fez realçar novos horizontes e perspectivas, apesar da imposição do individualismo do mundo neo-liberal e da depressão pessoal e social que assistia nos vídeos de TV e nos consultórios terapêuticos.

Renasci em 2005 – o ano que não terminou, segundo a mim mesmo – em meio conflituoso de uma ditadura capitalista, que ainda nos sufoca com sua mão invisível e só nos quer fazer infelizes, consciente ou inconscientemente. Descobri duas mulheres na minha vida. Isso já era dezembro e o sol do verão me impulsionava para a praia, que não tenho aqui em Brasília. Fui beijar o mar e as sereias e descobri ainda que meus amores eram essas duas mulheres. Realmente o homem não é um homem de uma mulher só. Descobri que o amor que sentia me fez renascer todos os amores que já tive: o amor de minha mãe, de meu pai, de meus avós, de meus irmãos, de meus amigos, de todos aqueles que também amei. Hoje estou preparado para um novo desafio: o casamento. Só que agora junto com a mulher que escolhi para viver junto e constituir minha família e a minha outra mulher, que hoje me chama de “papai” e passou ser minha filha, com seus 5 anos de idade. Percebi que o tempo é muito mais que relativo. O tempo pode ser amoroso. Basta deixar que o tempo de Deus nos faça enxergar o nosso tempo, para assim entender que só seremos dois quando um mais um for mais que dois...

Carla e Ana Carolina, eu vou amar vocês p’ra sempre!!!!

Papai Valdir Sodré

                                                                                    Novembro/2006

 
Valdir Sodré dos Santos(e Carla A. Sodré e Ana Carolina)
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  27/12/2006