A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

SER PROFESSOR É UM COMPROMISSO COM A HUMANIDADE[1]
Valdir Sodré
 
            Segundo o dicionário Globo, MOTIVAÇÃO é o ato de motivar. Motivar é dar motivos; causar; ocasionar; expor os motivos, as razões de. Motivo (do latim motivu) é o que determina ou causa alguma coisa; o que pode fazer mover. Nesse sentido, motivação está intimamente ligada a movimento.
                        Segundo o Dicionário Básico de Filosofia (Jupiassú & Marcondes, p. 189), “os filósofos definem movimento do mesmo modo que os físicos, associando sempre tempo e espaço, e não como simples sinônimo de deslocamento: toda modificação, tudo aquilo que faz com que as coisas mudem, com que o mundo esteja em permanente devir”.
                        Motivação requer ousadia, criação, autonomia, inconformismo, conflitos, contradição, compromisso, consciência, dentre outros atributos. É vontade de aprender sempre.
                        Os quatro pilares da Educação no século XXI, traçados pela UNESCO – APRENDER A CONHECER, APRENDER A FAZER, APRENDER A VIVER JUNTOS / A VIVER COM OS OUTROS e APRENDER A SER – contribuem substancialmente na reflexão necessária em torno do trabalho que realizamos.
                        A LDB (Lei nº 9394/96), no Título I, artigo 1º, afirma que “a Educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais, organização da sociedade civil e nas manifestações culturais.
                        O processo aprendizagem-ensino não acontece apenas na escola. Na relação professor-aluno é fundamental como teor a ética, já no processo aprendizagem-ensino o compromisso e a técnica. Na escola, precisamos oportunizar a criação da consciência reflexiva, que é a capacidade de focalizar, discernir e orientar o próprio pensamento. Assim, desenvolvemos a capacidade de pensar por conta própria. Isso é um desafio para o professor.
                        Quem ensina quem? Quem aprende com quem?
                        Tudo isso nos leva à importância do trabalho em grupo, ao mesmo tempo em que nos desenvolvemos pessoalmente, e ao diálogo. Segundo Sócrates e Platão, o diálogo consiste na forma de investigação filosófica da verdade, através de uma discussão entre o mestre e seus discípulos, cabendo ao mestre levá-los a descobrir um saber que trazem em si mesmos mas que ignoram.
                        Quem desenvolve o trabalho escolar? Qual é o ofício de aluno?
                        Etimologicamente, aluno significa “sem-luz” (a = sem, lune = luz). Tal percepção nos faz refletir profundamente sobre nossas ações e intervenções em sala de aula, de nosso papel social e de nosso exercício profissional.
                        A escola, por fim, é local do trabalho escolar, que deve ser necessariamente espaço de criação. “Educação é uma forma de intervenção no mundo e uma experiência exclusivamente humana” (Paulo Freire).
                        Ser professor é, sobretudo, fazer pulsar o sentido de nossa condição humana. É um compromisso com a humanidade. É estabelecer a importância do outro, da coletividade e da solidariedade, frente ao individualismo imposto pela proposta moderna de mundo.

[1] Quase 50% dos professores brasileiros apresentam sintomas de estresse, ansiedade ou depressão. A síndrome de BURNOUT (do inglês TO BURN OUT significa queimar completamente, consumir-se), síndrome do esgotamento profissional, não é exclusividade brasileira. É reflexo do profundo desrespeito imposto pela proposta moderna de mundo ao trabalho docente e à nossa condição humana.

 
Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  19/03/2007