A casa dos grandes pensadores
 
 
 

VALDIR SODRÉ DOS SANTOS

 

 

 

TEMPO, MANO VELHO...

Valdir Sodré

                   Muitos poetas, músicos, artistas, filósofos e pessoas comuns já escreveram e questionaram quem é o Tempo. Comumente, no dia-a-dia, estamos sempre envolvidos com esse mecanismo, com essa força determinante, a ponto de falarmos quase que inconscientemente que, quando estamos esperando algo ou alguém, uma hora marcada que não chega, queremos “matar o tempo”.

             Essa sensação de pura ansiedade, patologia muito comum nos tempos atuais, nos indica que somos escravos do tempo. Não parece que foi o próprio homem que criou mecanismos históricos para demarcar o tempo.

             Ao olhar para o céu, o homem percebeu os ciclos naturais que nos acompanha. Criamos calendários e relógios. Ademais, fisiologicamente, criamos nos adaptando, por ordem alheia a nossa vontade, o relógio biológico, e sincronizamos comportamentos, desejos e vontades em face ao mundo externo.

             Nesse sentido, o mundo externo é tão grande quanto o nosso mundo interno. Esse tempo nos dá conhecimento e experiência de vida, mas nos cobra potencialmente por isso.

             Para Kant, o tempo é relativo, é subjetivo. Cada um de nós tem sua subjetividade, personalidade e forma particular de olhar esses dois mundos. Também temos subjetividades sociais que alimentam nossa cultura.

             Outro dia uma criança olhou para o céu e viu um avião passando e disse que era mais veloz que o avião. Todos ouviram aquela afirmação com sorrisos. Posteriormente, a criança pegou sua bicicleta e pedalou fortemente e parou mais a frente e disse: “está vendo como sou mais rápido...” Apontou o dedo para aquele avião e traçou uma linha imaginária que indicava o movimento do avião e retrucou: “olha como ele anda devagar...”. Todos ficaram perplexos com tal intensidade de pensamento.

             A percepção que temos, quando deixamos nossos centros urbanos e visitamos uma cidade rural, pequena e pacata, de cidadãos simples, de vida simples, é que o mundo é muito mais lento do que pensamos.

             “A luz do Sol, que recebemos agora, foi emitida no passado, e para se ter uma idéia, se o Sol explodisse neste exato momento, iríamos ficar sabendo daqui a aproximadamente oito minutos” (CONTADOR, 2006, p. 45).

             O tempo é uma abstração psicológica, que determina até o nosso período de existência.

             O coração de um elefante bate 40 vezes por minuto, 36.000 vezes por ano e vive em média 40 anos. Portanto, seu coração bate 518.400.000 vezes em toda a vida. O coração de um rato bate 600 vezes por minuto e vive em média 2 anos. Portanto seu coração bate 622.080.000 vezes durante a vida.

             Percebe-se que os números de vezes de batidas cardíacas são muito próximos. Tal detalhe vale para qualquer ser vivo, inclusive o homem.

             Um atleta tem batidas cardíacas a 60/70 vezes por minuto. Mas temos muitas emoções e momentos que mantivemos aceleração em função da cobrança do tempo. Praticar atividade física, dormir bem, relaxar-se, meditar, orar, rezar, alimentar-se bem e buscar equilíbrio e felicidade nos dá a certeza de que podemos viver muito mais do que pensamos.

             A arte de envelhecer é a arte de viver no seu tempo. A gravidade sempre vence, mas podemos vencer o tempo, oportunizando novos tempos a novas gerações. Eis o desenvolvimento sustentável e a insustentável leveza do ser.

Valdir Sodré dos Santos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  11/02/2008