Muitos poetas, músicos, artistas, filósofos e pessoas comuns já
escreveram e questionaram quem é o Tempo. Comumente, no dia-a-dia,
estamos sempre envolvidos com esse mecanismo, com essa força
determinante, a ponto de falarmos quase que inconscientemente que,
quando estamos esperando algo ou alguém, uma hora marcada que não
chega, queremos “matar o tempo”.
Essa
sensação de pura ansiedade, patologia muito comum nos tempos atuais, nos
indica que somos escravos do tempo. Não parece que foi o próprio homem
que criou mecanismos históricos para demarcar o tempo.
Ao olhar
para o céu, o homem percebeu os ciclos naturais que nos acompanha.
Criamos calendários e relógios. Ademais, fisiologicamente, criamos nos
adaptando, por ordem alheia a nossa vontade, o relógio biológico,
e sincronizamos comportamentos, desejos e vontades em face ao mundo
externo.
Nesse
sentido, o mundo externo é tão grande quanto o nosso mundo interno. Esse
tempo nos dá conhecimento e experiência de vida, mas nos cobra
potencialmente por isso.
Para Kant,
o tempo é relativo, é subjetivo. Cada um de nós tem sua subjetividade,
personalidade e forma particular de olhar esses dois mundos. Também
temos subjetividades sociais que alimentam nossa cultura.
Outro dia
uma criança olhou para o céu e viu um avião passando e disse que era
mais veloz que o avião. Todos ouviram aquela afirmação com sorrisos.
Posteriormente, a criança pegou sua bicicleta e pedalou fortemente e
parou mais a frente e disse: “está vendo como sou mais rápido...”
Apontou o dedo para aquele avião e traçou uma linha imaginária que
indicava o movimento do avião e retrucou: “olha como ele anda
devagar...”. Todos ficaram perplexos com tal intensidade de pensamento.
A percepção
que temos, quando deixamos nossos centros urbanos e visitamos uma cidade
rural, pequena e pacata, de cidadãos simples, de vida simples, é que o
mundo é muito mais lento do que pensamos.
“A luz do
Sol, que recebemos agora, foi emitida no passado, e para se ter uma
idéia, se o Sol explodisse neste exato momento, iríamos ficar sabendo
daqui a aproximadamente oito minutos” (CONTADOR, 2006, p. 45).
O tempo é
uma abstração psicológica, que determina até o nosso período de
existência.
O coração
de um elefante bate 40 vezes por minuto, 36.000 vezes por ano e vive em
média 40 anos. Portanto, seu coração bate 518.400.000 vezes em toda a
vida. O coração de um rato bate 600 vezes por minuto e vive em média 2
anos. Portanto seu coração bate 622.080.000 vezes durante a vida.
Percebe-se
que os números de vezes de batidas cardíacas são muito próximos. Tal
detalhe vale para qualquer ser vivo, inclusive o homem.
Um atleta
tem batidas cardíacas a 60/70 vezes por minuto. Mas temos muitas emoções
e momentos que mantivemos aceleração em função da cobrança do tempo.
Praticar atividade física, dormir bem, relaxar-se, meditar, orar, rezar,
alimentar-se bem e buscar equilíbrio e felicidade nos dá a certeza de
que podemos viver muito mais do que pensamos.
A arte de
envelhecer é a arte de viver no seu tempo. A gravidade sempre vence, mas
podemos vencer o tempo, oportunizando novos tempos a novas gerações. Eis
o desenvolvimento sustentável e a insustentável leveza do ser.
Valdir Sodré dos Santos
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
11/02/2008