A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

A CONSEQÜÊNCIA DOS ATOS A SEQÜÊNCIA DOS FATOS

 

E faz-se a luz e a vida se faz, talvez com luz talvez não. E faz-se nova vida e nova a nova vida velha num círculo sem sustentação. E cresce o indivíduo sem futuro, sem perspectiva, sem sentido, sem razão; e faz-se o não na escola, no bairro na vida, o não que não o forma cidadão. E faz-se o ladrão e se faz o sexo e sem proteção nasce outra vida que sem sentido, sem razão vira um redemoinho de revolta raiva e ódio da civilização e cresce bandido ou ladrão e a culpa não é sua. O pai e a mãe, como desculpa: a culpa é do outro é do estado é do governo, da sociedade e da nação. Que não dá educação nem saúde nem cultura ou qualquer porque de ser o que se é. E a tevê mostra o que há de ruim em mim, em você, em nós, naquele que ninguém vê. Na ponte se faz a estrada do descaso, do frio, do pão que não se tem. Mas ninguém tem como convencer ou como explicar o que há de errado no que se vê, no que se sente, no que se reza? e no que não se pode ser.

E do que se faz e não se faz porque se esquece e se desfaz e se perde sem perceber o que era importante e tudo o cobra, mundo qualquer dos seus e você a perfeição que não se consegue alcançar, e que talvez não exista, porque o que há é você: seu jeito sua graça de ser e, agora, .... dada a liberdade, fecharam-se os olhos, todos cansados, correndo num tempo contra cada momento, ninguém quer mais pensar. Amar?

E fecham-se os olhos para que não doa a dor de não querer ver o mal.

E de quem tem verde na mão compra a admiração do filho, do neto, do genro e graças a tal faz-se outra a reação: a negação que não deveria existir, porque não há mais honra, prestigio, ética e moral. A sociedade que antes era desigual já não é mais. O que tinha verde, na educação, era melhor, mas a agressividade toma conta da classe média normal, parecem os mesmos animais que acham graça quando picham os muros do lado. E no lado que vejo, há o perigo do desabamento, que podem causar os olhos fechados; e passa-se o tempo e chamam meu tempo de moderno de evolução, mas não há nada disso, o que vejo ainda é indiscreto, inquieto e turvo, por tanto não me curvo às ordens que não as creio sábias..... deste mundo que me obrigo a saber, só não quero viver aqui me perdendo nesta falta de coesão e coerência da vida, que forma meu texto qualquer pretexto para escrever e não chorar, porque nem eu quero ver o mal que ao lado me abraça com disfarçada graça maldita de ser.

 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.br  22/10/2007