A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

A contínua busca pelo amadurecimento

 

Almas fracas vagas almas facilmente se perdem em conceitos de certo. A ilusão se dá pelo não questionamento do que é imposto como ordem não escrita em códigos, mas sentida nos olhares de todos. Cresce a menina, linda, sonhadora, cheia de vida, com a luz do sol nos cabelos e a face redonda e rosada, como flores do campo. E passam-se os anos e perde-se a meiguice, porque hoje ela a entende como criancice, também perde os sonhos, pois mulher feita, adulta e madura é sinônimo de títulos, socialmente, representativos, cartão de crédito, coluna ereta, além de regimes para se enquadrar no que você não consegue, naturalmente, ser.

E passam-se os anos e você acredita que a vida que leva é a mais certa, mais objetiva, a ‘mais pé no chão’. Já que agora, você diz não ao passado, como se todo aquele ele fosse errado, “imagina, eu era uma criança”, palavras suas. Então vive sem procurar respostas, e cala todas as perguntas, porque você cresceu e de tudo sabe, e se, por ventura, houver ainda alguma dúvida, haverá por perto aqueles que sabem influenciá-la, mesmo porque você nunca duvidará que elas estejam erradas.

A infelicidade é uma praga que cresce sorrateiramente em nossa alma. Pessoas como você, linda moça, agora, feia, não conseguem enxergar, nem sentir, porque calaram a essência de ser. Também não percebe que abandonou os amigos de outrora, até os amores, não os consegue mais ver com o brilho no olhar que possuía, porque os status dessa sociedade matam sua alma, aniquilam sua luz.

Hoje ela olha pra mim e me toma, como se eu ainda tivesse a mesma idade. Talvez esteja certa! No entanto, sobre minhas mudanças conheço eu muito bem seus efeitos e defeitos, não me calei e nem me ponho a justo julgo de seu paladar, caríssimo leitor. Também não creio na facilidade de me compreender. Mas o que é claro é que não estou querendo dizer nada. Apenas digo. Se não me compreende, nada posso fazer a não ser continuar a escrever sob a pena invisível de meu coração.

Minha reflexão é sobre o tempo. Tempo que, ironicamente, perdemos, querer ser e não somos. Se o que nos vale na vida é apenas a conquista do que os Outros consideram... realmente que Deus não me dê o desprezar de me fazer adulta. Que corram eternos, em mim, os sonhos de minha infância e a rebeldia de minha juventude, porque não quero me cansar de lutar pelos sonhos que insistem em viver aqui. Compreendo a vida como uma luta contínua pelo melhor, não a percebo como o tempo do descanso, da preguiça, dos títulos ou apenas dos prazeres. A vida é isso sim, mas é muito mais do que se pode perceber; para tanto, é necessário aniquilar todos os meios de alienação dessas tolas ordens de como ser.

Não quero que minha poética se polua nessa prostituição sem calcinhas e preservativos. Quero a essência guardada na luz e na transparência de minha’lma. E rir destes que ainda me vêem, como se fosse errado sonhar e persistir no que, sinceramente, se deseja. O tempo é o senhor de nossos passos, mas é preciso sabedoria para perceber que não é o melhor esperar ele passar, para ver o quanto se perde em continuar com os olhos fechados e com medo de não lutar pela nossa mais pura essência de ser.

 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.br  01/11/2007