A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

A distância e à distância de tudo

 

Outro dia, escutei duas colegas minhas conversando sobre a nova faculdade que estavam fazendo. Elas diziam que haviam se matriculado num determinado curso, porque era mais barato e era à distância, e o mais importante, que a faculdade era aprovada pelo MEC. Sinceramente, não sei se isto era o mais importante, mas enfim... é a modernidade cada vez mais moderna, e, permitam-me, mais burra também. Daqui a pouco estarão alfabetizando à distância e o povo dizendo amém!

Fico pensando se fosse comigo, eu sei o meu comprometimento e a minha responsabilidade com os estudos, já tenho dificuldades com as poucas aulas que temos, imaginem longe da sala de aula! Querem mudar tudo, a língua, adaptar os novos livros, ensinar tudo de novo, agora ensino à distância. Será que estão fazendo o certo?

Vou me adentrar no mundo dos irresponsáveis e retirar deles a ingenuidade em determinar as novas formas de ser. Há tanta hipocrisia nesta terra por onde correm meus pés que, por vezes, nego-me a crer que sou humana. Não que não tenha defeitos, porque na verdade isso é o que mais possuo, mas sinceramente, o que queremos? Títulos e mais títulos, e diplomas e mais diplomas!? Desde quando isso é garantia de um bom profissional!?

O mundo mudou muito depois da Revolução Industrial, mas agora além da inquietude que a todos acerca, dando a cruel impressão de que não temos mais tempo para nada, é que se pode ver que do mundo da velocidade que começou a ganhar espaço, com mais intensidade no início do século passado, agora o que se vê é o tempo agir sobre nós e nós nos rendendo a ele, numa procura meticulosa de que o mais é melhor. Nada dura muito, a qualidade tem-se perdido em muitas coisas, perceba, caro leitor, observe seu cotidiano, o calçado que você há pouco comprou já está se arrebentando, o celular já está na hora de comprar outro, mal você terminou de pagar o antigo, há uma nova conexão para a internet “mais rápida e mais barata”, atualize-se, troque a velha! Não precisamos nem falar dos computadores de mesa, da madeira, do ferro, de um outro eletro qualquer coisa. Enfim, a atualidade está regida pela velocidade, pela rapidez de tudo, porque o que está valendo é o mais e não o melhor. Isso poderá enlouquecer a todos? Então o que importa é mais cursos e quanto mais rápidos, melhor! Porque a educação e o ensino são produtos de venda, você compra o título, mas e o conhecimento? Tudo bem que queiram inventar novos aparelhos de televisão e celular, mas não podemos mais aceitar que a educação seja vista como um produto, pois estamos tratando de mentes. Com o ensino à distância, onde ficarão as amizades, a solidariedade, os encontros, as turmas de discussão, de brincadeiras e de todas as artes? Pôxa, sempre condenei o conservadorismo, principalmente o exagero dele, mas agora.... sei lá, só sei dizer que isso dói, porque parece que alguma “coisa” importante também está ficando no passado!

 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 18/10/2007