A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

 
Às vezes
 
Às vezes, ele briga comigo,
Sei que fico meio aluada e não sei o que escuto em meu pensamento; então às vezes, saio do ar e imagino palavras e ações que não sei se são reais, se partem elas dele ou se partem de mim, me partindo assim; então, eu acho que, às vezes, eu sonho e, às vezes, não. Às vezes, eu sinto seu beijo e, às vezes, não sei o que vejo, o que quero enxergar... Porque a vida pra se viver bem é preciso doer, porque, às vezes, queremos fugir e não encontramos saída nenhuma todas as vezes que saímos pra rua.
Às vezes, quero desistir, mas ele não deixa, às vezes ele tem que sair, mas às vezes sou eu que me ocupo com outras importâncias.
Às vezes, eu também queria rir e achar que a vida é mais leve do que algodão doce ... mas ela não é.
Às vezes, a vida é pura poesia, às vezes, uma guerra infinda e, às vezes, eu amo, e, às vezes eu não quero amar.
Às vezes, eu construo igrejas de fé, às vezes, parque de diversão, às vezes sou criança e às vezes, adolescente perdido na multidão. Às vezes, sou praia, e, também, vento, e às vezes sou pedra ou tempo, sou saudade e outras, solidão. E às vezes, eu me incomodo com a vida, e em outras, me entrego à sua resolução. Mas às vezes eu não sei esperar, e... também, eu não sei esperar tantas vezes assim... Então eu sou cópia e criação. E não me interessa a opinião do mundo, porque, em muitas vezes, o mundo perdeu a opinião e perdeu opinião. E, também, não me interessa as versões sobre mim, porque às vezes me dói a dor da vida da incompreensão; ... e da saudade dele, o que me vale é que às vezes sou depressão e outras, a força da paixão.
 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.brr 16/02/2009