A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

O Enviado
 
Bárbara tem apenas 6 anos de idade. É uma criança tão normal quanto qualquer outra. Mesmo quando se senta no chão e fica conversando com os seus amiguinhos imaginários, ela é muito natural e comunicativa.
No jardim da casa, também brinca com as flores de sua mãe e conversa com elas, como se falasse com qualquer outra pessoa. D. Alice pergunta-se, muitas vezes, se não é por isso que as flores do seu jardim adorado sempre estão cheias de vida e beleza. A menina parece realmente levar encantos por onde passa. Bárbara é motivo de orgulho para a sua mãe.
Certo dia, Bárbara teimou em levar a mãe para os fundos do jardim, onde havia uma árvore grande e velha, quase sem vida. Era a única árvore da casa que tinha seus galhos secos e feios. Bárbara alegava que ali tinha uma criança perdida.
- Uma criança perdida, minha filha? - perguntou D. Alice, incrédula. E acompanhou sua pequena Bárbara até à árvore grande.
- Aqui mamãe - apontou Bárbara com sua mão para o tronco da árvore velha -. Aqui está o menino.
- Que brincadeira é essa, minha filha?! Não vejo criança alguma!
- Como não, mamãe? - Bárbara pensou que a sua mãe estivesse mentindo. - Ele está aqui e tem fome e medo da gente, por isso não quer dizer seu nome, nem brincar comigo. - Bárbara aproximou-se do tronco da árvore e a sua mãe, irritada, puxou-a pelo braço, desgostosa da brincadeira.
- Não quero você perto dessa árvore. Ela está muito velha. Algum tronco pode cair sobre a sua cabeça. Não, Bárbara, não discuta. Vá para o seu quarto!
Obediente, Bárbara foi para o quarto. Mas de lá, pela janela, podia avistar a árvore e o menino perdido.
Por que ele não fala comigo? Perguntou-se, em pensamento. - Porque você é estranha. - Respondeu o menino, sem pronunciar palavras. Bárbara logo notou que, para conversar com ele, tinha de ser em pensamento, de mente para mente.
- Qual é o seu nome? - Perguntou a menina.
- Alan.
- O que você faz aqui? - Quis saber ela.
- Eu morava aqui. Mas meus pais fugiram e pediram pra eu me esconder em cima desta árvore, porque havia bandidos em casa e, que eles voltariam para me buscar, mas não vieram.
- Faz muito tempo isso?
- Muito antes de você nascer.
- Nossa!
- Por que você não vem aqui brincar comigo enquanto espera seus pais chegarem?
- É que eles pediram pra eu esperar aqui.
- Venha, insistiu Bárbara, quando eles chegarem a gente vai ver. - Alan decidiu brincar com Bárbara e divertiu-se com ela.
D. Alice, depois de terminar seus afazeres, foi verificar se a filha estava se comportando como devia. E admirou-se com o silêncio do quarto. Depois de alguns minutos, ainda encostada atrás da porta, ouviu a filha dizer:
- Olha Alan! Uma luz! São seus pais vindo buscar você. - O quarto da pequena Bárbara iluminou-se e D. Alice pôde perceber, pela fresta da porta, que uma luz quase cegante, clareava o quarto de sua filha. Mas, quando entrou ali, a menina dormia como um anjo em sua cama.
Intrigada, olhou pelos cantos para ver se alguma coisa pudesse fazer sentido, e resolveu olhar para árvore. Surpreendeu-se com emoção. Meu Deus! O que foi que aconteceu? A árvore renasceu!
D. Alice mal podia acreditar que, por uma questão de minutos, a árvore velha e grande, transformara-se, de repente, em uma árvore cheia de flores e frutos. Um milagre!
Saiu do quarto exasperada, ainda não acreditando no que vira. Enquanto a pequena Bárbara, por sob as cobertas, espiava com graça seu toque de mágica.
 
Do livro: Diário de Crônicas e Outras Histórias. pg. 92. 2005.
 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.brr 21/07/2006