A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

FERNANDA MOROSO

 

 

 

O que é que eu não sei!

 

Quero mergulhar no submundo de mim e encontrar os resquícios de tudo o que aprendi, só para saber se valeu a pena ler tantos livros e tanto ter pensado no que era certo ou não. Se é que ainda se pode estabelecer alguma razão naquilo que alega o homem ter criado sob o racional e a emoção.

Se pude algum dia compreender tudo o que prezo e rezo pra mim e para os meus, até quem sabe, consiga eu prezar e rezar aos que me odeiam ou me desejam bem a seu modo, de que a mim não faz bem, mas ainda não conseguiram me entender.

Quero ver a vida com olhos de quem a vê pela primeira vez, a fim de manter a originalidade de minha interpretação, mas quanto por mais isto busco, mais deparo-me com as influências que esta dita rotina tem-me causado. Vejo ao meu redor, tantos entendidos intelectuais mestres em palavras vãs, como se para qualquer decisão que se deva tomar, recende a preocupação do que é ou não correto cometer diante do que foi ensinado.

O que me foi ensinado!? mas o que foi que eu aprendi?

Será que ainda vou discutir Saramago, Assis, a velha encomenda de livros ou qualquer outro mestre das palavras por tão poucos, realmente, lidas! O que é importante, senhoras e senhores? os livros que contam as sutis mazelas da sociedade, os que revelam nossos amores e dores, minuciosamente escondidas atrás de nossas máscaras?

O que vejo, agora, sem poucas falas, toca-me na inquietação de descobrir a suposta superioridade que há no julgo dos que pensam saber mais.

Descobri, por fim, que a leitura é amadurecimento, é questão de tempo e de vontade e não de superioridade, e tanto o conhecimento que delas advém, porque conhecimento não é sinônimo de sabedoria e sabedoria ainda não foi ensinada nos livros.

O que vale é seus olhos, seu coração e sua razão numa proporção equilibrada para manter a qualidade de seus atos e palavras, quem sabe da vida!

 
Fernanda Moroso
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.br  29/10/2007