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Artigo
 
ESTER (Religião)
Por: Tolentino e Silva

Os opúsculos do autor Ivo Storniolo, publicados pela Editora Paulus, foram escritos com o objetivo de orientar e facilitar a pessoa que manuseia a Bíblia sagrada tanto na intenção da prática da leitura para si mesmo quanto para transmitir a palavra a outrem.
Muito sábia a sua iniciativa. Talvez tenha se colocado no lugar daqueles que desejam, de fato, entender a linguagem usada à época, direta ou indiretamente, (através de parábolas), proferidas pelo próprio Jesus Cristo, pelos apóstolos ou ainda por aqueles que testemunharam a verdade e pregavam os ensinamentos do Mestre.
Na interpretação do autor, o Livro de Ester é um conto sapiencial, ou seja, conto narrado com sabedoria divina e teria sido escrito como explicação para a origem da festa dos purim, que na língua judaica quer dizer dia da sorte, (2 Macabeus 15,36) “todos votaram a favor de que aquele dia nunca fosse esquecido, mas que fosse comemorado todos os anos um dia antes da festa de Mordecai, no dia treze do décimo segundo mês que em aramaico é chamado de adar”.
O Livro de Ester tem duas versões: hebraica e grega, sendo a primeira a mais antiga.
Levando em consideração o caráter ficcional do livro, em sua maioria, os estudiosos concordam em dizer que ele foi escrito nos meados do século IV (+ ou – 350 a.C), pouco antes da conquista do império persa por Alexandre Magno (333 a.C).
A igreja católica absorveu os dois textos, o hebraico e o grego, na esteira da vulgata (tradução da Bíblia para o latim, feita por São Jerônimo).
O único livro ao que de Ester se aproxima pela linguagem e o objetivo a ser atingido é o Livro do Êxodo, principalmente nos seguintes paralelos: Egito e Pérsia como terras estrangeiras.
A figura de opressor pode-se ver no rei Assuero e Amã¨, seu funcionário de confiança, “o agagita”.
Em Mardoqueu, Moisés e Ester, encontramos os personagens mediadores da libertação.
Contudo, segundo o autor, apesar dos paralelos, as situações são diferentes. Há situações em que a alternativa é restrita, limitando-se a influenciar o poder, para que o mesmo respeite a verdade e a justiça, para que o povo não seja sufocado pela opressão.
Na história de José do Egito o Livro de Ester se aproxima, mas a literatura é sapiencial. Dois temas parecidos entre os dois livros são a humilhação e a exaltação do justo. Em ambas as histórias, Deus age nos bastidores.
Na tradução e edição grega isso foi corrigido quando apresentou súplicas e orações, dando mais clareza à ação divina.
O zelo pela identidade cultural e religiosa apregoa o Eclesiástico, Daniel, Judite e Macabeus, de suma importância no Livro de Ester.
Ester trouxe a esperança para os judeus que eram subjugados pelos impérios.
Esses impérios ainda preocupam o povo, desta feita de forma mais amena, mas com expressão no que diz respeito à economia, a política e a ideologia.

No campo político a presença do imperialismo é mais acirrada. Há certo domínio de parte da população, seja pela liberação de verba ou retaliação política, o controle sobre o povo é notório. É uma forma de manter o povo sob domínio, para conseguir seus objetivos, sendo um deles a permanência no poder. (vivemos hoje essa situação).

Eu comparo isso a um empresário muito rico e avarento, proprietário de um oásis. (zona fértil em meio às terras áridas). Todos dependem dele para matar a sua sede e de seus animais, por um preço exorbitante, tendo em vista somente ele ter o controle daquela fonte de vida.
Os maus políticos, escravizadores e perseguidores do povo, aqueles que governam em proveito próprio e para os seus, têm o reflexo da pessoa de Amã, que espalhou a maldade sobre o povo.
Há certa expressão bíblica: “quando alguém lhe bater na face direita, ofereça-lhe também a esquerda”. Alguns Salmos dizem o contrário. Isso pode ser confirmado nos salmos 58; 94; 109 e 137.
O Salmo 58 diz: “castigos para os maus”. No Hino de Davi podemos ver claramente que suplica a vingança contra as autoridades injustas, que só cometem crimes de violência no país. “... os maus passam a vida praticando o mal; desde o dia em que nascem, só contam mentiras”. “Os bons ficarão contentes ao verem os maus sendo castigados” (Salmo 58, 4-11).
De acordo com a interpretação do autor, “Eles nos ajudam a descobrir que a vingança dos oprimidos não é mais do que a busca da verdade e da justiça”. E diz mais: “É da sua fome e sede de justiça que o povo vai tirar forças para derrotar todas as formas de genocídios, desde os declarados, até os mais disfarçados”.


O PODER A SERVIÇO DA JUSTIÇA

Temos conhecimento de sonhos, oraculares, importantes para a pessoa ou para o grupo ao qual ela pertence. Há os casos dos milagres concedidos por Deus sob intercessão dos santos e santas às pessoas que a eles recorreram.
Deus continua falando através dos nossos sonhos. Ele age através de mediadores, assim como agiu através de Moisés, Abraão, Mardoqueu e do seu próprio filho Jesus.
É possível ser honesto e justo para com os poderosos, mesmo se eles nos prejudicam. Se colocarmos em prática e seguirmos ao pé da letra os ensinamentos e tomarmos como exemplo o perdão que Jesus concedeu aos seus algozes chegaremos à conclusão de que é preciso perdoar. Porém, a punição deve ser feita para que o fato não se repita e o opressor não continue espalhando crueldade em desfavor do inocente.
Por trás de conflitos entre pessoas, há muitas vezes conflitos entre grupos. Eles são constantes desde o início dos tempos. Várias são as causas que geraram e geram as discórdias e consequentemente os conflitos entre os povos ou grupos: Religião, terras, espaço marítimo, espaço aéreo, moeda, importação, exportação, intercambio. No Brasil especificamente, são muitos os conflitos: pela posse das terras, onde figura o Movimento dos Sem Terra, (MST), dos sem teto, dos trabalhadores de todos os setores, conflitos entre índios e empresários que invadem suas terras para extração de madeira e para mineração.
O esquema do Êxodo (situação difícil – clamor – libertação) continua atual e eficaz. O povo pode levantar o seu clamor buscando o apoio espiritual através dos ensinamentos da igreja, seus orientadores e através das experiências das associações, dos sindicatos, das ONG’s, dos movimentos populares.


PROGNÓSTICOS DE TEMPOS DIFÍCEIS

OS BANQUETES

Existem dois tipos de banquetes::

1º - O banquete do reino de Deus quando se comemora a páscoa, ou seja, quando e celebrada a libertação do povo em relação à história imperialista.

2º - O banquete da elite. É a elite que dá governabilidade, que patrocina o rei (governo).
Ela é subserviente.

O povo também gosta e pode se banquetear. Segundo a Bíblia, mais precisamente em (Zacarias 10,17) o vinho além do prazer de bebê-lo ele é também sinal do Dom de Deus, que alegra e promove a fraternidade.
Na opinião dos romanos, o povo quer “pão e circo”. “Para controlar o povo, basta dar-lhe pão e circo”. Mas como dizia o grande poeta Cazuza: “o povo não quer só comida”.
O povo participava dos míseros sete dias, contra cento e oitenta da elite por dois motivos: Porque eram praticamente obrigados a fazê-lo e pela necessidade de matar a fome, mesmo que fosse por apenas alguns dias.

MULHERES NÃO ENTRAM

As mulheres não podiam participar da festa dos homens.
Era costume oriental realizar os banquetes em separado. Com esse procedimento, vemos claramente que dentro do próprio palácio havia divisão social: de um lado os poderosos, de outro lado as mulheres e em outra parte do palácio, o povo. Talvez esse fosse atendido no curral, junto aos animais irracionais.
Quando a mulher diz “não” à autoridade política opressora e à autoridade patriarcal era considerada relapsa, subversiva. Na interpretação do rei e dos seus súditos, sua vassalagem, coloca em risco a autoridade do homem sobre sua mulher e causa revolução na escala social.
A boa mulher era aquela, cuja submissão enaltecia o homem. Não há como concordar com a opinião das autoridades do reino. A mulher tem os mesmos direitos que o homem. Deve haver reciprocidade, compreensão e divisão de direitos e deveres.

CLANDESTINIDADE

O povo oprimido é forçado a esconder a sua identidade. E para que ele possa se identificar, vai depender da ocasião, do lugar e da circunstância.
Há tempos atrás, em virtude de o regime ser militar, o povo, em especial os profissionais como jornalistas, cantores, escritores, políticos, eram obrigados a manter falsa identidade para sobreviver. Quando pegos, o mínimo que acontecia era o exílio. Esses eram expulsos da sua própria terra natal, vivendo tristes e solitários, longe dos seus familiares. Os textos ou músicas eram considerados subversivos, revolucionários.

Mas Deus age na história, libertando e salvando o seu povo, “por debaixo dos panos”, às escondidas, através de alguém por Ele escolhido. Neste caso, foram usados Ester, seu primo Mardoqueu. Se Ele age desta forma, podemos descobrir a Sua ação.
Deus, quando enviou seu filho Jesus, deu-Lhe o poder para curar e ressuscitar. Da mesma forma com que usou Jesus, Ester, e Mardoqueu, usa também o médico, cujo juramento foi de salvar vidas. Quantas e tantas vidas foram salvas quando já não havia mais esperanças com os recursos disponíveis na medicina? Quantas crianças são abandonadas, deixadas em sacos plásticos em fétidos contêineres de lixo e sobrevivem? Quantas crianças caem de um dois, três, quatro andares de prédios e se salvam? Quantas pessoas pedem milagres e eles acontecem com a intercessão dos santos? Quantos aviões caem, quantos veículos colidem e em meio às ferragens aparecem crianças ilesas?
Tudo isso é prova de que Deus continua agindo às escondidas. Pode-se descobrir e ver a ação de Deus por toda parte. Cego de verdade é aquele que não acredita que teve a mão de Deus agindo de forma tão carinhosa, tão Pai de bondade em todos esses acontecimentos.

A PUREZA E A BELEZA DA ALMA

A beleza da mulher que fascina e conquista a simpatia de todos, especificamente em se tratando de Ester, além da sua beleza exterior o que mais chama a atenção é a sua beleza interior. A beleza está no seu coração, nas suas boas ações, na caridade e acima de tudo, por estar de mãos dadas com o povo de Deus, vivendo o seu sofrimento, a sua angústia, ao tempo em que o conduz para a libertação.

A POLÍTICA EGOÍSTA E A POLÍTICA DO POVO

A diferença entre um político que serve a si mesmo e um político que serve ao povo é que o político que serve a si mesmo está nada mais nada menos que também se enganando. Certamente, pois, aos olhos de Deus nada escapa. Se ele se banqueteia com o dinheiro do povo e deixa esse mesmo povo aquém das benfeitorias, da saúde, da educação, da segurança, do trabalho, da dignidade da qual tem direito, haja vista que o banquete do referido político é oriundo dos impostos, certamente está andando na contramão das expectativas criadas em torno da sua eleição. Quanto ao político que serve ao povo, este está fazendo os desejos não só desse povo, mas principalmente a vontade de Deus. Este sim, é digno de ser chamado de Moisés, de Ester, de Mardoqueu.

OS BANQUETES DOS PODEROSOS – DOMINAÇÃO

Se me perguntasse se o oprimido pode ser leal com ao seu opressor, eu diria que não. Contudo, há casos em que o oprimido é forçado a fazê-lo, principalmente se estiver em desvantagem, minoria.
Em alguns casos, quem não dobra os joelhos diante do poderoso torna-se ameaça para ele. “Se você não está do meu lado, você está contra mim”. Esta frase coloca a pessoa na parede. Exige uma decisão. Sufoca-a cada vez que depende unicamente dela para decidir. Se ela disser sim, “dobrou seus joelhos”, tudo bem, agradou a quem te oprimiu. Caso contrário estará sob a mira da vingança e da perseguição. É assim que agem os opressores, os perseguidores dos justos.
Exemplo I - Quando se tenta uma negociação salarial com um percentual justo de aumento, o representante dos empregados (Sindicato ou associação) tenta sustentar aquela reivindicação. Do outro lado o representante do empregador leva sua proposta, quase sempre muito inferior à apresentada pelos empregados, justificando através de planilhas confeccionadas por técnicos contratados, cheias de cálculos, tentando convencer representante e trabalhadores de que o pedido é inviável, que a inflação do período foi abaixo da média e outras desculpas mais.
Sendo os trabalhadores o lado mais fraco e sob ameaça de demissão, corte de ponto, perda de posto, esses acabam cedendo à vontade do patrão.
O intermediário representante dos trabalhadores que não assinou a proposta feita pela empresa é perseguido.

Exemplo II – No âmbito político também se pode notar a opressão: Quantas obras estão inacabadas simplesmente porque o político que a iniciou e não concluiu (prefeito) não é aliado do atual. Há aí o decoro parlamentar. O prefeito atual não teve brio, sensatez. E quem perde como isso? Com certeza é o povo, que muitas vezes vem ao seu encontro, tentar corrigir o seu erro, cobrar uma postura decente. Onde corre o sério risco de ser através da conclusão da obra que fará dessas pessoas suas escravas, como se aquilo foi um grande favor prestado. Na eleição seguinte, jogará isso na cara de quem o procurou dizendo: eu fiz isso por vocês. Então os mais simples acham que devem a ele esse favor e consequentemente votará.
O povo de Deus pode se tornar uma ameaça para os sistemas opressores porque é um povo que tem fé. Sabe que Ele está sempre presente e na hora H encontrará a solução para o problema. “O povo é propriedade-herança de Javé”. A maior ameaça para os poderosos é a resistência. O povo de Deus é forte. Isso é tão real que sobrevive até hoje.
Em se tratando do povo brasileiro, quantas “tempestades” já passaram por aqui? Quantos regimes o Brasil já teve? Por último tivemos o regime militar com o seu SNI (Serviço Nacional de Informação), cujo objetivo era vasculhar a vidas dos brasileiros e persegui-los. E o povo resistiu. Foi para as ruas. Lutou pela sua liberdade. Liberdade de expressar-se, de ir e vir.

OS PODEROSOS AGEM SEM DAR EXPLICAÇÕES.

Um exemplo disso são as decisões tomadas em nome do povo, sem plebiscito. Submetem o povo a encargos que muitas vezes não podem com eles arcar, responsabilidade por dívidas que não foram por ele contraídas. A dívida externa e interna, principalmente a segunda, que é feita com dinheiro público, com contratação de pessoal e despesas próprias, cujos gastos não justificam.
Outro exemplo são as decisões tomadas em reuniões, quase sempre regadas a banquetes (comida, caros vinhos e wisks). No dia seguinte a elas, ouve-se a manchete, a palavra do orador, porta-voz: - “Em reunião entre patrões e empregados...” – Quais empregados? Quem estava lá para representar a classe? Paulinho, o saqueador do dinheiro do BNDES? Medeiros, envolvido em outros escândalos fazendo a vontade dos patrões?
E os banqueiros? Por que criaram tantas taxas e tarifas? Há alguns anos atrás, além de não existir as exorbitantes tarifas, os clientes eram chamados pelos nomes. Agora pagam por tudo e não têm direito a nada. São filas por todos os lados. A gente não mais fica cara a cara com a parte reclamada. Tudo agora é feito por telefone. Quando há necessidade de resolver algum problema com uma operadora de crédito ou telefonia por exemplo, haja saco para ouvir aquelas tão desagradáveis frases: “para... aperte o um. Para... aperte o dois. Para falar com um de nossos atendentes aperte o ...”
Todo poder opressor se apresenta com a máscara ideológica de benfeitor. Mas o povo pode desmascará-lo acompanhando de perto suas atitudes e exercícios. Por trás de uma benfeitoria, vinda de uma pessoa má intencionada haverá sempre uma cobrança. O ideólogo que orienta um movimento, uma doutrina ou uma organização com a intenção de tirar proveito dos resultados, deve ser desmascarado, pois colocará em risco a integridade o intelecto daqueles que o segue.
Ou se está do lado de Deus e do seu povo ou está do lado do opressor. Não há meio termo. Infelizmente existem pessoas que não estão nem do lado de Deus nem do povo. Elas preferem, mesmo que por um pequeno salário, ficar do lado do opressor e desfrutar das regalias da corte. Se banquetear, viver na fartura. Só que as conseqüências são as piores. Tudo tem um fim. No futuro as coisas podem se inverter e “o feitiço virar contra o feiticeiro”.

CLAMOR E SÚPLICA É SINAL DE CONSCIÊNCIA

É no clamor e na súplica que o povo toma consciência de sua situação. Apesar da credulidade o povo às vezes esquece de Deus. É preciso que Deus dê uma “cutucada” para lhe despertar. Essa “cutucada” consiste de numa provação. Diante dessa provação o povo se desperta através de súplicas e clamores. Não é por falta de fé. Como disse anteriormente, o povo é resistente. Contudo, há deslizes. Quer um exemplo? Pela fraqueza, que é normal no ser humano, esquecendo de Deus, ou visitando-o periodicamente, quando essa visita deveria ser diária, na sua vida está tudo bem. Aí essa pessoa cai em desgraça. Seja ela qual for. Uma doença, uma perda, um infortúnio. Então, é chegada a hora de refletir. É hora do clamor. É hora da súplica. Nesse momento Deus manda um castigo para que a pessoa tome uma atitude. É como um alerta, um aviso.
Hoje o povo clama através das orações, das súplicas, através dos movimentos sociais. Para o povo ser ouvido é preciso resistir e lutar. Lutar pacificamente para conquistar seus direitos. O dever do povo é trabalhar e receber dignamente. O dever do patrão é respeitar os direitos dos seus empregados. Assim ambos viverão em harmonia entre si e principalmente com Deus.

OS CONFLITOS

Em toda parte, em todo o tempo, em todo seguimento há conflitos. Nesses conflitos os fracos, pela fé, pela resistência, pela união e pela insistência são capazes de derrotar os poderosos. Deus está com eles. Deus está presente e realiza sua ação fundamental: estar voltado para os fracos e os pobres, a fim de libertá-los.

QUEM MANDA NA CASA

Hoje, ao contrário de ontem, quem governa a casa e a mulher. “Agora ela é a mulher que manda na casa”: impõe suas condições, mas provoca o diálogo, facilita a comunicação.
A mulher é a maior defensora da vida.
Deus e mulher têm o mesmo desejo: criar e defender a vida. Seu ofício é gerar, cuidar, zelar e defender a vida.

A FRAQUEZA DOBRA A FORÇA

O pior desprezo é o do dominado que despreza o poder que o domina. Nesse sentido, é a fraqueza que dobra a força. E cedo ou tarde o justo é recompensado, mas sempre na hora certa. Deus não dorme, Ele vê tudo, age de forma escondida. Nas mãos de Deus as situações se invertem. Na sorte, no acaso é a maneira de Deus agir nas vidas das pessoas. A travessia do Mar Vermelho (Êxodo 14,21) e A noite da Páscoa (êxodo 12,42)

O PODER POLÍTICO

A morte do povo apenas prejudica o poder político. A administração pública depende do povo. Ele ajuda a sustentar o poder através dos impostos, ao contrário da elite, que é patrocinadora. Sem o povo não há o poder.

“É melhor ter um povo que luta pelos seus direitos do que ter que sobreviver sem ele”. (Tolentino e Silva).

A revelação da verdade tem a força de exigir justiça. Quando se prova veementemente a culpa, a verdade aparece. Então, é hora de exigir justiça e reparos por danos causados.

OS BANQUETES DE ESTER – VERDADE E JUSTIÇA

TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO

A retribuição deve ser vista como conseqüência dos próprios atos: o mal projeta o mal contra si próprio. Parece ser uma lei inerente à realidade que de tudo o que pensamos, falamos e fazemos para os outros, o original fica em nós, e a cópia vai para os outros. Ester em nada ajudou para salvar Amã da morte, porque Amã ia sacrificar o povo inocente de Israel.

PÓS-EXÍLIO

O povo judeu pós-exílio não era conformista. Cobrou através de Ester a sua libertação, conquistando o direito de se reunir e se defender, o direito de matar todos que os atacassem e o direito de saquear os bens dos inimigos.
Ester era a autoridade política que não ficava feliz com a ruína do povo. Nossas autoridades políticas nem sempre são assim. Houve ocasiões em que o povo foi muito sacrificado. Opressão, altos impostos, repressão, domínio etc. Até a pouco tempo existiam áreas em nosso país em que o povo sobrevivia “por milagre”. Terras áridas, pouca água, escassas vagas de emprego, falta de assistência social. Ao contrário de Ester, algumas autoridades ficam felizes com a desgraça do povo. Usa da situação para tirar proveito, mantê-lo refém.

DIREITOS CONCEDIDOS AOS JUDEUS PELO DECRETO REAL

Os três decretos nada mais são do que a retribuição. “Dar a César o que é de César”. O rei só devolveu aos Judeus a liberdade, o direito de se defender, o direito de se expressar. O Reino de Deus é o oposto do imperialismo.
Na realidade quem governa é Deus. Porque o Reino de Deus não é feito de disputas, de guerras, de dinheiro, de vinganças, de opressão. Ele é feito de amor, caridade, de esperança, de fé.

OS BANQUETES DO POVO – LIBERTAÇÃO

Deus age escondido, mas transforma as situações e nós já experimentamos isso. Alguns exemplos: o domínio espanhol e português: o povo brasileiro era sacrificado, obrigado a trabalhar duramente para extrair ouro e outras pedras preciosas para a coroa portuguesa. (para o Rei de Portugal). Por ironia do destino, um português liberta os brasileiros através do “grito da independência”, às margens do Rio Ipiranga. Não é mesmo uma obra divina? Assim como Ester, Deus usou D. Pedro, filho de Portugal, o país escravizador, para proclamar a liberdade, dar a carta alforria.
Na mesma história do Brasil, temos a abolição dos escravos, através da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel. (é a mão de Deus agindo através de um ser humano por Ele escolhido).

LIBERDADE E BANQUETE

O povo pode celebrar antecipadamente a liberdade. Ele tem fé e sabe que Deus fará justiça, cedo ou tarde. O fato é que a libertação está garantida e, na fé, o povo pode celebrar a sua vida.
“Seguindo a trajetória dos banquetes, podemos dizer que o povo só pode se banquetear quando há triunfo da verdade e da justiça, aqui mediadas por Ester”

A DERROTA DOS MAUS

Derrotar os maus não significa matar os maus. Significa vencer a maldade, a opressão, a injustiça, a falta de consciência dos problemas políticos, sociais ou intelectuais. “ O que devemos ver aqui, é a fé de que o mal será vencido e definitivamente derrotado no fim da história”. Os poderosos têm medo do povo que luta pela verdade e pela justiça. Todos aqueles que fundamentam sua vida e ação na mentira têm medo do povo. Embora se agarrem às prerrogativas que lhes concedem as Leis, “feitas por eles mesmos”, sabem que o povo oprimido é um povo perigoso. Ao mesmo tempo em que está sendo cordeiro, pode dar uma reviravolta e mostrar o seu poder. O povo não tem armas e vive sob as leis, mas é forte, tem fé e leva vantagem na quantidade.
Darei um pequeno exemplo, relatando um acontecimento, em Brasília, no governo do Presidente João Batista de Figueiredo: Todas as classes trabalhadoras reivindicavam aumentos de salários, em virtude de a inflação estar muito alta e o poder de compra só diminuindo, aconteceu o inesperado. Até hoje não se sabe quem organizou, quem participou e quantos eram. O fato é que, em questão de minutos, conseguiram virar de rodas para cima várias viaturas da polícia e do corpo bombeiros que estavam estacionadas no pátio da estação rodoviária, atearam fogo em um mercado da COBAL (Companhia Brasileira de Alimentos), entraram e destruiram várias máquinas teleimpressoras que estavam no segundo andar do Edifício Telex, no Setor Bancário Sul, (sala de aparelhos) e destruíram também, parcialmente o prédio do Banco SAFRA, no Setor Comercial Sul.
Abri este parêntese só para mostrar que quando o povo está oprimido, a força surge para inverter a situação. Todos nós sabemos que não é através da força, da violência e da destruição do patrimônio público que se chega à vitória.
Este triste episódio deixou as autoridades chocadas e certamente receosas de que algo pior pudesse acontecer.
O povo de Deus luta pela verdade e pela justiça, e não pela riqueza e pelo poder. Há diferença porque é na verdade e na justiça que está a vida e na vida está Deus. A luta pela verdade e pela justiça necessariamente não acarreta derramamento de sangue. A sabedoria, articulação, organização e negociação com propostas justas dispensam o derramamento de sangue. Não é pela espada que se vence o inimigo, mas pela fé, pela sabedoria.

PRESENTES

Os presentes nem sempre são sinais de fraternidade. Fraternidade é uma palavra muito forte, muito íntima. É sinal de irmandade. Quanto aos presentes, depende muito da origem e da ocasião. Nos meses, por exemplo, os que antecedem as eleições, há quem ganhe e dá presentes, não porque está aniversariando, porque passou no vestibular, mas agradando a pessoa, certamente para conquistar seu voto e de outros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando há justiça, o povo agradece e se coloca ao lado do justiceiro para que ambos caminhem na mesma direção. Quando ela falha, o povo injustiçado repudia, vai ao encontro do opressor, para que o mesmo retifique as ações movidas contra ele.
A justiça emana de Deus e sabendo disso, o povo cobra por justiça social, por liberdade de expressão, pelo direito de ir e vir, pela terra, pelo teto, pelo emprego decente, pelo salário justo, pela segurança, pela saúde e pela educação.
“Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17,22 Atos 1, 12-14/Atos 2, 42-47/Atos 3, 32-35/ Ef. 4, 1-6/Sl. 132)

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