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Crônica
 
ITUETA
Por: Tolentino e Silva

O primeiro dilúvio, conforme a própria história relata, foi anunciado e mandado por Deus. Com o objetivo de apurar as raças, Ele chamou Noé e ordenou que construísse uma arca, reunisse sua família e recolhesse também um casal de cada espécie de animal. Obedecendo as ordens do Senhor, Noé passou bom tempo construindo a arca. Quando concluído e inspecionado o serviço, saiu à procura das espécies. Feito isso, juntamente com sua família, abasteceu de provisões entre alimentos para eles, muito feno e água para os animais. Enfim, como anunciado, veio o dilúvio. A terra ficou submersa. Apenas os tripulantes da arca sobreviveram. Da família de Noé e das espécies surgiram novas gerações. Além de tantos outros já ocorridos, está acontecendo e desta vez, pelas mãos dos homens. A ganância pelo poder, pelo dinheiro, pela fama, trouxe as barragens para geração de energia elétrica, as famosas e devastadoras UHE. Com a construção dessas barragens, vieram as desocupações. Os grandes consórcios formados por empresas nacionais e internacionais, responsáveis pelas obras (estragos), não querem nem saber dos seres humanos, fauna e flora.
Um exemplo desse mal é o que aconteceu com o pequeno município de Itueta, situado na região leste do Estado de Minas Gerais, localizada na Zona fisiológica do Rio Doce, desbravada por Fernandes Tourinho em 1572. A cidade tinha uma área de 456,5 quilômetros quadrados e uma população de 5.641 habitantes. A ocupação mais intensa do município ocorreu após a primeira guerra mundial em 1914, pelos colonos alemães e italianos, que ficaram de lados opostos. Uns do lado direito, outros do lado esquerdo do rio. Em 1925, com a implantação da Fazenda Barra dos Quatis, o então povoado cresceu, devido à quantidade de serrarias que gerava emprego e comércio de madeira. Itueta foi município da cidade de Resplendor, sendo desmembrado e emancipado em 27 de dezembro de 1948. Com a construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés ou Eliezer Batista, deslocaram todas as famílias, donas legítimas das terras. Famílias que geraram famílias, fizeram suas plantações, enterraram seus mortos, que trabalharam uma vida inteira, tirando daquele solo o sagrado sustento. Cada árvore ali plantada tinha a sua história. Cada animal que antes ali pastava alimentou com sua carne, o seu leite inúmeras família. Cada junta de boi ali atrelada arou a terra para muitas plantações. Cada cavalo antes ali, viajou léguas e léguas, conduzindo seu dono ou transportando em seu dorso os produtos do campo para a cidade e vice-versa. Cada córrego que cruzava aqueles terrenos fornecia gratuitamente a preciosa água e o pão em forma de peixe. Cada ave criada nos quintais daquelas casas alimentou muitas famílias e mães de famílias, principalmente quando em resguardo. Em cada igreja ou capela, quantos joelhos se curvaram, tantas crianças foram batizadas, quantos casais se uniram pelo matrimônio. No cemitério, tantos corpos de ente queridos. Em cada cerca de arames farpados que dividiam as propriedades, tantas marcas de sangue e suor derramados. No Cruzeiro, no alto da colina, quantos fiéis rezaram pedindo ou agradecendo as graças alcançadas.
O fato de as empresas transporem as famílias para outro lugar, para outras terras, (uma falsa doação), não devolveu a dignidade daquele povo. Não devolveu o que foi alcançado com sacrifícios ao longo da vida.
A falta de respeito, a crueldade vem em nome do “progresso”. Esse mesmo tão falado “progresso”, só beneficia os grandes empresários. Quanto mais se constrói, mais se criam impostos. Taxas são elevadas para disfarçadamente cobrir os gastos com as obras. Tiram a tranqüilidade dos menos favorecidos, que ficam cada vez mais pobres, sem respeito, sem terras, desmoralizados. É a cara e o custo do “progresso”, além da devastação da fauna e da flora. Hoje, os homens, principalmente os de pequenos poderes aquisitivos, agricultores e moradores de pequenas comunidades vivem encurralados, feito gado de corte, confinados em pequenos espaços, posteriormente levados ao abatedouro.
De acordo com José Luiz, (pescador,) ”num rio, igual a este, antes de pesca abundante, se pescava até duzentos quilos por semana. Hoje, não se pesca nem para o sustento da família. Os únicos peixes encontrados, com escassez são as piranhas e curetas.” O consórcio não vem cumprindo as promessas e compromissos assumidos com os pescadores de Aymorés, Itueta e Resplendor, áreas atingidas pela represa. Procurados pela imprensa, os responsáveis não quiseram se pronunciar à época.
Na maioria das vezes, a contrariedade e sentimento de impotência para reagir e lutar contra tantos, indefesos, aquém do real acontecimento, muitos vêm a falecer, mesmo antes da conclusão do seu ciclo de vida.
O que é “progresso” para tais empresas, na realidade é a falência das famílias.

FONTES: Rede Globo de Televisão
MGTV de 29/04 e 02/05/2007
Repórter: Rangel Faula

ENTREVISTADOS;
Luciana Morgado
Séc. do Meio Ambiente

Pescadores
José Costa
José Luiz
Joaquim Alves
Maurílio Antônio

Sr. Lupércio
Geólogo

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