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Crônica
 
Brasil nas quatro linhas
Por: Alexandre Misturini

Brasil nas quatro linhas

Sinto que não estou em um país comum, ou seja, onde o ciclo natural dos acontecimentos favorece aos cidadãos de bem e os recompensa por seus árduos trabalhos com a prosperidade. Estamos no Brasil, 1 “morada da pobreza, berço da preguiça e teatro dos vícios”. Mas ainda me sinto em um enorme campo de futebol, dentro de quatro linhas: o juiz é Presidente, e os auxiliares são o Senado e o Congresso Nacional. Quando nascemos, o jogo começa. Mal damos o pontapé inicial e já se passaram uns sete anos a infância. O placar já indica que estamos perdendo de uns três a zero, porque não temos saúde, educação e muito menos segurança. Nossa infância é, com certeza, uma fase muito importante para nosso desenvolvimento psicoemocional, mas, neste jogo desigual, estamos atrás no placar. Nossas escolas não oferecem estruturas físicas adequadas para um ambiente propício à aprendizagem. Os professores ganham muito mal, então já é um a zero. A saúde pública nos oferece precariamente a vacinação e muitas filas de espera para o atendimento, mais um gol contra, dois a zero. Segurança? Nossa! Que assunto complicado para se tocar! Não podemos exercer o direto de ir e vir senão somos assaltados na ida e sequestrados na volta, pronto, três a zero. Na adolescência e juventude, o sistema público de ensino superior no Brasil oferece poucas vagas e poucas bolsas de estudo e, às vezes, quem não precisa, acaba contemplado com uma. Quando tentamos avançar para o ataque, o auxiliar levanta a bandeira declarando nosso impedimento, assim fica difícil marcar um gol. Depois de muito lutar, trabalhando dois turnos e estudando à noite, acabamos por teimosia nos formando no ensino superior e marcamos o primeiro gol. Agora não estamos muito atrás no placar. Partimos com tudo para o ataque para marcar o segundo gol e marcamos de letra. Placar atualizado agora é três a dois. Começamos a trabalhar e procurar investir em um empreendimento próprio, mas acabamos por esbarrar na burocracia e nos impostos. Acabamos por tomar mais um gol. Se tentarmos jogar dentro das regras, vai ser uma goleada, mas conseguimos tomar a bola com falta e seguir adiante, sem o juiz ver. Quando estamos na cara do gol, acaba. O juiz apita e termina o primeiro tempo. No vestiário, tentamos articular novas estratégias para virar o jogo. Sabemos das dificuldades, mas voltamos a campo com muita vontade de ganhar. Dá-se início ao segundo tempo. O jogo começa truncado e disputado no meio de campo, muita disputa pela bola. Depois de muita disputa, sofremos um carrinho por trás, mas o juiz não viu, para variar! Teria sido uma jogada injusta dos impostos, ou mais, uma mordida do leão do imposto de renda. Não importa, ninguém viu nada e continuamos perdendo o jogo. Perto dos quarenta minutos, o juiz nem os auxiliares viram o pênalti que sofremos, ou seja, mudaram as regras da aposentadoria. E agora, quase no final do jogo, não conseguimos sequer empatar. Que coisa! Mudam as regras no meio jogo. Sofremos penalidades e não conseguimos marcar gols. Está difícil jogar com a arbitragem favorecendo o time do Governo. O Brasil das quatro linhas é, realmente, injusto aos seus jogadores. Opa, desculpa aos seus cidadãos que, por mais que lutem, ou tentam jogar com lealdade, são sempre prejudicados pela arbitragem tendenciosa! Mas tudo bem. Este país tem vários campeonatos mesmo: Regionais, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil. Tudo para nos distrair principalmente em ano de eleição, onde, coincidentemente temos Copa do Mundo, o maior espetáculo do futebol mundial. Bem, agora vamos ao apito final e damos por encerrada a partida, pelo menos nesta semana, porque, semana que vem, tem mais.





1 (VILHENA, Luís dos Santos. A Bahia no século XVIII. Bahia: Itapuã, 1969.)







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