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Artigo
 
Sobre o dom e a arte
Por: Marlene Nascimento

Como seres semelhantes e dotados de inteligência, todos nascem para brilhar. Assim sendo, todos nós possuímos dom em relação às Artes. As tensões e frustrações do dia a dia insuflam no homem o desejo lírico de buscar caminhos que lhe proporcionem satisfação de viver e minimizem as turbulências sistêmicas da condição humana. Procuramos então, não o sentido da vida, mas, isto sim, dar-lhe um sentido. No fluxo constante das nossas emoções intensas, os sentimentos traduzem felicidade e infelicidade e deles nos alimentamos. As emoções alegres ou tristes, as paixões leves ou avassaladoras, fazem com que volvamos as nossas energias vitais para o Belo, para o que possuímos de melhor; o dom de criarmos, de inventarmos, de nos traduzirmos em arte. As dores e angústias d'alma fragilizam, mas somos capazes de minimizar o nosso sofrimento existencial e as exigências impostas pela sociedade (deveras sacrificadora, até castradora) através de sublimes inspirações. Destarte, somos capazes de impressionar a nós próprios ao explorarmos a nossa capacidade criativa.
Na saúde ou na doença a arte se torna uma benção. Sempre encontramos quem afirme não saber como conseguiu a glória por um determinado feito. Pois bem, essa pessoa, finalmente, descobriu que possuía um dom (ou dons) e o lapidou, aperfeiçoando-o insistentemente. Como? Estudando e trabalhando muito. Ninguém chega a nada sem batalhar pelo que se propõe criar. Somos todos capazes de dar cor e forma ao nosso dom, mas apenas isso não é o bastante. Um artesão precisará insuflar-se de paciência e persistência para aprender a técnica que comporá a sua arte. Assim dar-se-á com o pintor, o músico, o bailarino, o escultor, o escritor, o ator, o pianista, e outros.
Dor e sofrimento oriundos de doenças severas inspiram homens e mulheres que excedem a sua própria capacidade criadora, burilando incansavelmente a sua natureza artística, criando, na efervescência das suas cruciantes dores físicas e atrozes fraquezas mentais, obras fulgurantes, como se fora deuses.
Através dos séculos as patologias severas têm desafiado os artistas e estes, desafiam-nas, mostrando toda dor d’alma, direta ou indiretamente, através da sua arte. Van Gogh, Aleijadinho, Goya, Munch, Pollock, Mozart, David Helgott, Virginia Woof, Florbela Espanca, Isadora Duncan, são alguns exemplos de artistas que apesar dos seus infortúnios conseguiram nos impressionar com sua arte de forma tal a nos parecer seres sobrenaturais.
Como homens e mulheres em sofrimento físico e/ou mental conseguem arrebatar os nossos sentidos com sua arte? Como alguém como o Aleijadinho foi capaz de nos maravilhar com a grandiloqüência das suas esculturas, apesar das suas mãos mutiladas por uma doença severíssima?
Em verdade, sobre os artistas aclamados, portadores de doenças severas ou não, sem estudo, persistência e disciplina para lapidar o seu dom, eles não teriam saído do anonimato. Não sendo assim, Michelangelo não teria realizado o seu monumental trabalho na Capela Sistina. Numa analogia contundente, Voltaire filosofou: “É preciso ter o diabo no corpo para alcançar êxito em alguma arte.” Interprete-se como persistência, muita persistência, nada mais do que persistência. Ou seja: dedicação, estudo, trabalho. A nossa capacidade de criar é a luz que emana da nossa energia transcendental. Da infância à velhice, o nosso dom para a arte pode florescer em qualquer idade. Lapidemo-lo, então.


Nota: Este artigo foi inspirado em outro artigo de autoria desconhecida.

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