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Crônica
 
GÊNESIS
Por: Luiz Carlos Morete

GÊNESIS



Tudo tem um começo e eu cheguei a conclusão de que o Criador é um gênio. Construiu o protótipo do homem e da mulher, à sua imagem e semelhança, colocou todas as pecinhas no lugar, viu-os funcionando, e de vez em quando fazia um “ recall”, ali mesmo no paraíso, e tudo ficou certinho, uma beleza! Que até Ele ficou maravilhado com o seu feito. O problema foram os defeitos que começaram a aparecer depois.
Tudo ia muito bem até que a dona serpente resolveu entrar em cena. Esperta, ela deu um jeito de bagunçar com a nova invenção, oferecendo a fruta proibida para a Eva comer, como de fato comeu e ainda ofereceu para o Adão, que muito “inocente” caiu no conto. Resultado: foram expulsos do paraíso e tiveram que trabalhar pelo resto da vida, sem plano de saúde e sem direito a aposentadoria pelo INSS.
No entanto, com o passar dos séculos tudo isso foi se transformando e tomando outra forma. O homem, cada vez mais sabido, bem espertinho, foi adquirindo manias nada saudáveis. E com esses hábitos seguiu por um caminho perigoso: o de querer conseguir tudo a qualquer preço.
Depois de muitos aperfeiçoamentos e muitas correções feitas no percurso, chegamos ao auge das reformas que nos deu uma das raças mais polêmicas: a raça dos políticos. Aí começou a esculhambação. Não houve separação dos que vinham com defeito dos que eram perfeitos, tudo tão estragado que nem dava mais “recall”, e assim ficou difícil de controlar a coisa. Durante a confusão o homem cismou em querer dominar, dominar e dominar, até que o Criador disse: “chega de “recall”! Vai que ele retoma as idéias do cremunhão e tenta dominar o paraíso!”.
Assim o Criador o deixou na terra mesmo, do jeito que estava. Deu um trabalho danado. Quebraram,consertaram,mataram e também fizeram muitos nascerem. Depois de muita baderna, conseguiram se organizar. Dividiram as cidades e as terras, entre os que tinham maiores despesas, tudo a base de pauladas e até inventaram mais tarde a tal democracia do cabresto, as eleições indiretas, mas a coisa pendia para um lado só.
Para se ver se resolviam o problema acabaram com as eleições indiretas e criaram a tal chamada eleição de forma direta, em que todos, por meio do voto, elegiam os seus representantes. Mas começou a haver fraudes e então modernizaram o pleito criando a urna eletrônica, que parece deu certo. Até que ficou bonitinho, pois aparece a fotografia do escolhido, aperta-se o botão, confirma e salve-se quem puder. Se nós escolhermos certo... se não escolhermos, tiririca pra nóis!
Muito tempo depois, e também de muitos sermões, a igreja conseguir convencer de que o Criador enviara o produto (homem) cem por cento genuíno de fábrica, e que ao chegar aqui, é o próprio homem quem dá um jeitinho de “aprimorar” as coisas e que não há quem tire essa mania dele. Cá entre nós é o famoso “jeitinho brasileiro” de resolver tudo.
O problema é que com o famoso “jeitinho” também vieram outras novidades: corrupção, quebra de sigilo, propinas transportadas em cuecas, malas, paletós, meias, sacolas, tudo na maior cara de pau. Tanta cara de pau que disseram que era para comprar panetones para os pobres.
Não duvido que o Criador tenha feito tudo na maior das boas intenções, mas vai chegar uma hora que elevai perder a paciência e pedir explicações de tudo que foi feito. Talvez houvesse um diálogo assim:
- Muito bem! O que você tem para me explicar?
- Tudo começou com a Eva, mestre, foi ela...
- Isso eu já sei! Onde está sua criatividade para inventar desculpas? E pare de por meu nome no meio das falcatruas que você faz. Eu não tenho nada com isso!
- É que eu precisava de um patrocínio e, então coloquei até a logomarca. Não ficou bonitinho?
Foi aí que o homem foi expulso do paraíso outra vez.






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