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Crônica
 
Morte, o algoritmo da vida
Por: Alexandre Misturini

Não adianta, não tente lutar: é inevitável! A morte é nosso algoritmo aqui no Brasil. Todos, ou na sua maioria, trabalham para ganhar um baixo salário, pagam suas contas, constroem e sonham. Mas ninguém tem a consciência de que a morte é o algoritmo da transformação no Brasil. Explico: para muitas coisas mudarem, para melhor é claro, é preciso uma grande tragédia e muitas vidas ceifadas para que se tomem providências. Tomamos como exemplo as chuvas que assolam os grandes centros urbanos do país como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e muitos outros. Pessoas morrem todos os anos nessas cidades para que o poder público tome alguma providência, ou pior, não tomam nenhuma providência na infra-estrutura das mesmas. Alguém saberia dizer o porquê? Vou ajudar! Nenhum Governo investe em infra-estrutura em periferia porque o que está embaixo da terra ninguém vê e não gera votos. Vivemos com a morte sempre nos cercando em tudo. Não somente no cotidiano, mas também na arte, na cultura. Na arte podemos afirmar que depois que o artista morre sua obra valoriza, seu reconhecimento aumenta entre a elite intelectual do país, ganha mais espaço na mídia. Infelizmente este algoritmo é a medida das coisas neste país, precisamos morrer para explicitar as deficiências e dificuldades que temos em nosso cotidiano. É necessária a morte para enxergarmos a vida como ela é; cheia de problemas para variar, com ela vendem-se jornais, revistas, temos audiência nos telejornais. Enfim, a morte gera uma gama de negócios lucrativos, que, se o Estado tentar evitá-la (em catástrofes naturais, e acidentes) seria ruim para muitos que vivem alheios a outras realidades existentes em um país que dorme em berço esplêndido. Mas o direito à vida nos é garantido pela Constituição de 1988, mas é ambígua a política que é adotada pelos nossos governantes. É preciso que a vida seja o algoritmo das coisas, que o ser humano seja prioridade, princípio, meio e fim de nossa sociedade, economia e tecnologia. Precisamos recalcular nossa rota, nossa sociedade, temos que mudar este algoritmo nefasto que ceifa vidas, tantas e tantas vezes em vão, sem que haja mudanças, sem que se mude nada. Façamos os cálculos antes que seja tarde, antes que nossa própria vida seja subtraída.


Leia esta crônica também em:
http://alexandremisturini.blogspot.com

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