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Crônica
 
CAÇA E CAÇADOR (Política)
Por: Tolentino e Silva

CAÇA E CAÇADOR Tolentino e Silva


Pode até parecer pleonasmo, mas o fato é que à vezes é preciso, de uma ou de outra forma, mesmo que para desabafo, ou alerta, manifestar-se acerca de problemas crônicos que se repetem a cada dia, a cada ano, a cada eleição. Um deles é a indecisão. Por não ter muito acesso às informações adequadas, muitas vezes o eleitor se torna vítima de candidatos astutos e desonestos que nestas ocasiões se tornam santos bonzinhos, caridosos, verdadeiros gentleman. Mágicos, famosos Mister Ms, resolvem qualquer problema, É o caçador atrás da caça.
É preciso ser cauteloso para se tomar uma decisão. Há corruptos e corrompidos. Há políticos sérios e aqueles que usam o poder, a imunidade como trampolim para acesso a uma vida desonesta, uma vida pública indigna de confiança.
Digo isso com propriedade, em virtude da experiência vivida em Brasília, não só pelo fato de estar à época, próximo aos políticos, mas por ter a infelicidade de presenciar certos comportamentos e ouvir frases de candidatos, que deixavam qualquer cristão horrorizado. Não se sabe se por ignorância ou troca de favores, voto X qualquer coisa, uma camada da população elegia os sujeitos desta triste história.
Na qualidade de músico, amador, eu era constantemente contratado para fazer abertura de eventos, principalmente comícios de candidatos a cargos eletivos.
Num desses eventos, após o encerramento do show, sendo muito conhecido e querido no lugar, fui convidado a integra-me ao séqüito que faria visitas aos domicílios e comunidades, no meu caso por cortesia, tendo em vista não ser candidato a nenhum cargo e nem estar apoiando algum deles.
A outrora Vila, hoje cidade satélite, estava em pleno crescimento, ainda desordenado e sem administração oficial, Não dispunha de água tratada, energia elétrica suficiente para todos, postos de saúde, escolas e outros serviços públicos.
Em uma quadra residencial recém ocupada, pelas estreitas ruas, as fossas estouradas transbordavam. Redes de esgoto não existiam. Era lixo por todos os cantos. Crianças barrigudas, doentes, é claro, brincavam em meio aquele lodaçal.
Determinado momento uma das madames pegou uma daquelas crianças que se encontrava nua e toda rajada de sujeira, tomou-a em seus braços e com a mais descarada falsidade ironizou:
- Que criança linda!
- Pura demagogia!
O pior de tudo foi ouvir a infeliz frase da referida madame, dirigida à esposa de um dos candidatos:
- Menina, isso aqui é uma pocilga. Quando chegarmos a casa deverá tomar um banho de sal grosso e álcool para desinfetar nossos corpos.
Naquele momento, indignado, me dirigi ao organizador do evento e disse-lhe: não conte comigo para menosprezar, para humilhar essa gente pobre, tão sofrida, da qual só querem o voto, não lhes farão nenhum bem. Vocês estão sendo desonestos com este povo. Não mais pisarão neste chão, nessas ruas alagadas pelo esgoto que corre a céu aberto, não receberão e nem atenderão suas justa reivindicações.
Virando-lhes as costas, recolhi minha aparelhagem que estava sobre a carroceria de um caminhão de um amigo que gentilmente o cedeu para eu fazer a minha apresentação. Aquele caminhão era o meu palco. Voltei angustiado para casa. Arrependi-me mil vezes de ter acompanhado aquelas (des)autoridades. Senti-me culpado e envergonhado de ter estado ali, traindo meus amigos, conquistados através dos inúmeros trabalhos em prol daquela comunidade. Em algum momento, refletindo, senti-me um Judas.
Na verdade eu fui usado, ou quase usado. Quiseram mostrar àquelas pessoas que eu, líder comunitário os apoiava. Ainda bem que houve tempo de justificar-me e pedir-lhes desculpas.
É por essas outras razões que vez em quando, principalmente nesta época, vale a pena redundar, ser excessivo. Devemos redundar quantas vezes for necessário. É preciso fazer o povo enxergar as pessoas honestas, sérias, comprometidas com o bem social.
Em tempo de eleição todos são conhecidos. É o já político tentando se reeleger ou é alguém da comunidade, de uma associação de classe, de bairros, membro de uma igreja, de um sindicato e outros seguimentos.
Então, há como saber quem é quem na corrida ao voto para um cargo eletivo, para prefeituras, Câmaras de Vereadores, Câmaras Legislativas, Câmara distrital, Câmara dos Deputados, e Senado Federal.
Votando com sapiência e consciência certamente teremos políticos mais comprometidos com as causas públicas e sociais. Teremos políticos que respeitarão seus eleitores, que trabalharão para o bem comum.
Em meio a tantos escândalos envolvendo a classe, há de convir que perdura uma camada significativa que além de zelar pelo seu nome, defende a ética, a moral.
O que não pode é se deixar envolver, confiando em promessas faraônicas e que não poderão ser cumpridas.
Seja capaz de julgar moralmente seus próprios atos e os dos outros. Não vote pensando somente "eu". Pense em "nós". Não somos um, somos muitos.

GLOSSÁRIO

Comício - reuniões em praças públicas para tratar de assuntos políticos ou profissionais
Demagogia - Política ou atitude que explora a opinião pública para conquistar simpatia
Imunidade - Isenção de impostos, deveres, encargos. Ter privilégios.
Pleonasmo - Repetição, em uma frase, de palavras que têm o mesmo sentido
Séqüito - Conjunto de pessoas que acompanha alguém por dever oficial ou cortesia

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