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João Márcio F. Cruz
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Crônica
 
Os Japoneses não são inteligentes
Por: João Márcio F. Cruz

Os japoneses são conhecidos pela sua capacidade de superação. Construtores habilidosos, já foram a segunda potência econômica mundial, mas continuam no topo do desenvolvimento tecnológico. Tv, computador, celular, dvd, automóveis, são produtos de origem nipônica que oferecem um lugar de destaque diante da comunidade internacional.

Quando duas bombas atômicas explodiram Hiroshima e Nagasaki, o mundo esperou o caos financeiro daquela nação, porém, eles contornaram as situações, venceram as intempéries e provaram que o homem é capaz de superar a destruição em massa, com esforço, trabalho e organização.

Com o soerguimento de suas cidades, o povo amarelo destacou-se como força capitalista do oriente. Deixando para trás americanos e europeus, eles criaram, em sua linha de montagem do século XXI, tudo que deixa-nos abismado atualmente. Desde arranha céus até micro câmeras, do tamanho de um dente. Isso contribuiu para que a elite mundial aprendesse a respeitá-los, e o povo cria-se a imagem de um povo inteligente e trabalhador.


O inconsciente coletivo forjou o arquétipo japonês. Os olhos amendoados, levemente puxados, se tornaram sinônimo de genialidade e habilidade anormais. Nas empresas, indústrias, multinacionais, universidades, os nipônicos são reverenciados como a raça dos inteligentes. Realmente, suas principais capacidades são disciplina, organização, dedicação e inventividade. Como a terra do sol nascente se afastou de conflitos bélicos, surgiram ataques de outras instância. Terremotos, tsunamis, maremotos, se tornaram os inimigos naturais daquele povo. Prejudicados pela sua localização geográfica, eles foram e serão, alvo fácil para as forças da natureza. Situado acima de uma das grandes falhas geológicas entre as placas oceânicas do pacífico, são constantemente assolados por inevitáveis abalos sísmicos, de diferentes pontos na escala Richter.


O terremoto do dia 11 de março de 2011, que desencadeou um tsunami de ondas com mais de 8 metros de altura, até esta data, já dizimou 6.911 pessoas, aproximadamente, com possibilidade de aumentar esse índice catastrófico nos próximos dias. Além da tragédia, em si lamentável e comovente, capaz de mobilizar auxílio dos cinco continentes, além das imagens chocantes de crianças levadas pelo redemoinho de água e sujeira que invadiu as ruas, sem falar nos bairros destruídos em questão de minutos, tudo configurando uma situação de horror e calamidade imensurável. Semelhante a filmes de ficção, a cidade desapareceu, alterando todo o mapa, porque inclinou o eixo do planeta Terra. Diante de toda essa panorâmica, ocorreu-me uma reflexão, nada agradável, mas singular. O terremoto me provou que nós ocidentais, admiradores do povo japonês, estávamos enganados. Eles não são inteligentes!


Afinal, o que é inteligência? Segundo o psicólogo americano Howard Gardner, existem nove faculdades cognitivas: inteligência intrapessoal, interpessoal, natural, existencial, musical, cinestésica, espacial, linguística, lógico-matemática. Cada uma delas é imprescindível para a vida. Os engenheiros e arquitetos tem uma inteligência aguçada para os espaços. Os palestrantes e professores são dotados de habilidades linguísticas favoráveis. Os atletas e bailarinos tem um controle cinestésico considerável. Os poetas possuem habilidades musicais – artísticas – hiperdesenvolvidas.


Embora diferentes, todas as inteligências possuem uma capacidade em comum. Elas nos proporcionam respostas novas para problemas antigos. Quando Darwim descobriu o parentesco humano com os símios, também revelou que somente as espécies “adaptáveis” conseguiram sobreviver. Ou seja, a evolução obriga a inteligência a adaptar-se a situações novas para transmitir seus genes as gerações futuras. Se com toda a tecnologia que dispõem os japoneses não conseguiram prevenir tais desastres naturais, provando que a natureza é portadora de um dinamismo imprevisível em sua completude, se com sua arquitetura, edificada, segundo as leis perfeitas da geometria e da física, não impediram a morte de seus filhos, eles provam para o mundo que nem inteligentes são. Você acredita que, depois das imagens lamentáveis de morte e perda, destruição e devastação, ameaça nuclear e crateras no chão, eles estão organizando-se para construir “no mesmo lugar” tudo novamente?!


Eles, simplesmente, não conseguem se adaptar as mudanças impostas pela natureza. Insistem em fixar morada naquela região suicida do planeta. Semelhante aos dinossauros que sumiram da face da terra, estão erigindo ruas, prédios e bairros, para serem destruídos novamente, incapazes de compreender que certos locais são impróprios para a vida humana. Quando uma formiga morde meu pé, eu mudo o pé de lugar. Os japoneses já viram, uma centena de vezes, que seu país corre riscos, diariamente, então, porque não usar sua inteligência para manterem-se vivos? Não será essa a explicação para o alto índice de suicídio no Japão? Educados para construir, prosperar e crescer socialmente, esqueceram de valorizar a vida, aprender com a natureza e escutar os sinais do planeta? Ainda há tempo de mudar. Ainda há tempo de abrir os olhos e perceber que a vida humana é mais importante do que bolsas de valores e negócios.

Que um pobre vivo é melhor do que um rico morto.

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