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Paulo Murilo Carneiro Valença
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Conto
 
Misteriosa interrogação
Por: Paulo Murilo Carneiro Valença

1
- Resumindo: você diz que o casal alugou o quarto e que depois a moça desceu sozinha e lhe avisou de que o seu companheiro desceria em seguida?
O funcionário do motel aquiesce, pálido, o suor na testa larga, as mãos trêmulas:
- Foi isso mesmo. A morena saiu aí pra garagem e como não voltou... Subi pra o andar de cima e bati no quarto quatorze e... Nada! Desconfiei. Desci, peguei a chave e subindo de novo, abri a porta, foi quando vi esse cara deitado, de olhos arregalados e sem se mexer... Então, avisei ao gerente, que veio vê e chamou a polícia e o senhor veio.
O policial retira o celular do bolso do blusão e faz a ligação. Chamando os colegas do departamento de laudo.
Ao lado, o funcionário do Motel “O sonho dourado” fitá-lo, com discrição. Sentindo-se como personagem de um sonho, do qual precisa despertar para a vida normal, sem partilhar do absurdo de tudo que está passando.
- Pesadelo da gota serena!
Perplexo, o sargento repondo o aparelhinho no bolso, indaga-lhe:
- Você falou, camarada?
- Nada não, senhor.
No leito, o corpo se destaca sobre o lençol azul, como uma interrogação. Sim, misteriosa interrogação.

2
Em quatro meses três corpos encontrados em leitos de motéis. Semi-despidos. Os pescoços com as pequenas perfurações ao lado. Paralelas. O sangue fraquinho deixando-as. Que animal (sim, porque tudo indica no laudo, ter sido um animal que os atacou, sugando-lhes grande quantidade de sangue) os vitimou?
Reflete o sargento Elias, mais uma vez (quanta vez fez essa mesma reflexão e se indagou, desde as mortes ocorridas?)... A figura jovem da bonita morena, que acompanha o sujeito ao apartamento. Ela depois desaparecendo. Misteriosamente...
Então, ele pede ao garçom que se avizinha:
- Um conhaque daqueles, bem reforçado e um pratinho de queijo assado.
- Certo sargento.
Responde o rapaz sorrindo, mostrando-se simpático, conhecedor do gosto do freqüentador do restaurante que sempre aparece.
Afasta-se em passos largos, indo ao balcão aos fundos do salão, repleto de mesas e que aos poucos se enchem com o movimento noturno da sexta-feira.
Elias circula o olhar, analisando tudo. Integrado à sua profissão de policial em se manter sempre alerta, pois o mundo é cheio de armadilhas perigosas e, agora com esses crimes em série, nos motéis...
Aí a jovem morena esguia, alta, de cabelos negros, longos, calças comprida azul e blusa laranja adentra. O elegante gingado dos quadris no charme feminino e, senta-se a mesa próxima do policial, que fascinado com o que vê, segue-lhe os gestos do corpo, que é mesmo uma provocação do convite ao pecado.
Ela percebe-o e erguendo o rosto, volta-se, sorrindo. Numa aquiescência, promessa.
- O conhaque sargento.
- Sim, Toinho. Obrigado.
Novamente o garçom se ausenta. Entendendo. Conhecedor que é desse ambiente de bebidas, conversas e encontros aos prazeres.

3
À cama, o corpo negro do homem grande, gordo, de cuecas, imóvel, com as perfurações paralelas ao lado do pescoço, o sangue fraquinho saindo...
A janela do quarto escancarada. A madrugada avançada. O mistério dessa morte. A semelhança com as mortes anteriores... E a voz do policial para o seu auxiliar, ao lado:
- Conheço o morto aí, é o sargento Elias.
- Mas... Esse sargento Elias não é o que estava investigando as mortes dos homens nos motéis?
- Falou e disse soldado!
Silencia, contudo, de repente, volta a falar, com a conclusão:
- Cara ele tá com os furinhos no pescoço, igualzinho aos dos falecidos... Ele foi mordido por um animal.
Cala-se novamente, mas, logo sorrindo, retorna a falar:
- O Elias terá sido atacado por um vampiro?
- Nesse mundo louco que vivemos tudo pode acontecer, cabo. Tou pra acreditar!
Então se avizinham do leito, com o cadáver ao centro, de olhos perplexos ante a provável realidade entendida antes do seu último suspiro de vida.
De fora, quebrando a placidez da madrugada avançada, chega o som ritmado, seco de asas batendo uma contra a outra, como num aplauso à vitória alcançada.
Perplexos os policiais se voltam, buscando vê o que temem acreditar, enquanto o som vai se afastando, se afastando... Conduzido pelas asas nervosas do gigantesco morcego.



Um conto policial com a assinatura de Paulo Valença.
Não preciso dizer mais nada.
Abraços
Betusko – São Paulo (SP) – 14/4/2011 23:39











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