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Crônica
 
EU, HERALDO, VALDIR E EU
Por: paulinho freitas






Consegui um emprego numa companhia de engenharia. No primeiro dia de trabalho o patrão me disse que eu ia chefiar o departamento de pessoal. Fiquei todo bobo. Era meu primeiro cargo de chefia. Me esforcei muito, trabalhava até tarde, dava conta do recado como ninguém. Meu patrão vendo meu esforço foi proporcionalmente aumentando meu salário e, conseqüentemente as tarefas a serem executadas por dia. Era um momento de afirmação profissional. Eu não queria nem saber que horas tinha. Passava da hora do almoço, hora para ir embora, nem pensar. Eu me entregava com gosto àquele monte de papel e não via a hora passar. Estava me realizando.
Nunca tive pretensão de ter um carro. Achava que era um bem inatingível, pelo menos por aqueles anos. Certa vez passando pela rua vi um carro com uma placa de “vendo”. Não sei por que tive a sensação de que aquele carro me chamava. Procurei o proprietário, conversamos sobre preço, fiz algumas propostas, recebi outras tantas contra-propostas e fechamos negócio. O carro era velhinho, azul com os pára-lamas pretos, faróis fraquinhos e muitas, muitas placas de ferrugem. Eu não queria nem saber limpava-o diariamente e saia todo metido com a família para fazer passeios noturnos pela orla da praia. Durante a semana eu guardava o carro num estacionamento onde meu pai trabalhava, perto do escritório. De tanto entrar pela manhã para guardar o carro e à tarde para pegá-lo, fiquei muito amigo do manobreiro. Conversávamos muito e toda vez que nos despedíamos eu sempre lhe dizia: “Fica com Deus Valdir.” Trabalhei muitos anos nesta empresa. A empresa mudou de endereço e não tive mais contato com meu amigo. Há pouco tempo atrás encontrei o Valdir com sua esposa e filhos fazendo compras. Dei-lhe um forte abraço, conversamos sobre nossos filhos, esposas e de quanto nossas vidas tinham mudado nos últimos anos. Nos desejamos felicidades e quando eu já estava me afastando me virei e como sempre fazia ao nos despedirmos disse: “Fica com Deus Valdir”. A esposa dele me olhou como se eu tivesse dito um palavrão. Ele veio meio sem jeito e sorrindo engraçado me revelou:”Meu amigo, meu nome é Heraldo.” Ri sem graça da situação. Desfeito o mal entendido fui embora. Depois fiquei refletindo: passei anos chamando Heraldo de Valdir. Ele talvez por não achar importante a troca de nome e sim a amizade que nos unia não ligava. Só me disse o nome por causa da esposa que o acompanhava.
Outro dia o vi passando por mim, estava do outro lado da rua. Me chamou pelo nome e eu respondi: “Fala Valdir!” Ao que ele retrucou:” É Heraldo meu querido!”

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