A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Crônica
 
Sonho e pesadelo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Sonho e pesadelo


Qual é a diferença entre o sonho e o pesadelo... se ambos são sonhos? Responder isso é tão fácil como distinguir o preto do branco! Um é a soma de todos os nossos desejos; o outro é a total falta deles. Como nas cores, onde o branco é a fusão delas e o preto é a ausência das mesmas. Mas são essas fantasias que motivam e impulsionam as pessoas no mundo. Para sonhar basta estar vivo e tentar atender as nossas necessidades. Ou sofrer carências extremas para saber o que significa um pesadelo.
O mundo midiático expõe casos particulares de todas as partes do planeta - sonhos realizados ou objetivos alcançados que influenciam milhares de pessoas. São as provas reais de que tudo é possível. Somam-se a isso inúmeras publicações de auto-ajuda e palestras motivadoras, com focos na mudança de atitude, que viabilizam qualquer projeto pessoal. A indústria da beleza, então, ocupa o topo das opções para a realização de qualquer sonho. Portanto, só não tem auto-estima quem não gosta de sonhar.
Nesta época de festas natalinas, com o espírito de solidariedade à flor da pele, multiplicam-se as intenções de ajuda aos mais necessitados, buscando tornar os sonhos em realidade. O símbolo máximo da cristandade, o nascimento de Jesus Cristo, espalha-se pelos locais públicos das cidades, ratificando que a humildade e a pobreza não são empecilhos para se promover grandes mudanças. Eis o motivo do Salvador do mundo sempre estar exposto numa manjedoura rodeado pela simplicidade camponesa.
A mesma mídia, porém, mostra a incompetência global quando se trata de excluir o pesadelo da vida de muita gente, principalmente dos habitantes do Terceiro Mundo, entre os quais vários países da África e da Ásia. Causam tristeza e indignação a exposição contínua do ser humano a tanta humilhação. Aí, não vemos como a eficiência das técnicas do marketing, com todo o seu poder de convencimento, podem transformar o pesadelo dessas pessoas em sonho. O que dizer da auto-estima nesses casos?
Em todo empreendimento a relação custo/benefício sempre tem um peso considerável para uma tomada de decisão. Talvez por isso as grandes corporações privadas não demonstrem nenhum interesse para investir na erradicação da pobreza e da miséria no mundo. Essa tarefa fica sob a responsabilidade do poder público e da sociedade civil, muito embora todos saiam perdendo por causa da exclusão de milhares de pessoas no acesso ao consumo de bens e serviços. Até quando vai durar esse pesadelo?
Com o fracasso do socialismo e as derrapadas do neoliberalismo, resta saber como a Terceira Via, com a sua proposta de “humanizar” o capitalismo global, viabilizará o bem-estar social das pessoas. Como disse Michael Edwards, no livro O debate global sobre a Terceira Via: “... qualquer tentativa séria de humanizar o capitalismo depende de mudarmos a maneira como as pessoas utilizam o poder que conquistaram, não apenas para si mesmas, mas também a serviço do bem comum...” Isso é um sonho?
Os sonhos e pesadelos, obviamente, podem ser individuais ou coletivos. Essa limitação depende da forma como os governos administram os países. Alguns não permitem qualquer espécie de sonho; outros prometem realizá-los, mas ficam somente nisso. Mas o pior mesmo é quando resolvem impor um pesadelo coletivo à sociedade. Daí, além da proibição de sonhar, muitos são obrigados a viver sob um constante estado de privações... Quando nem as necessidades básicas da população são atendidas.
Assim como todos querem o fim do pesadelo, a maioria quer ter a chance de começar a sonhar. Com mais Justiça, com mais qualidade de vida, com mais oportunidade para todos, com menos corrupção e desigualdade. Não apenas em época de festa natalina, mas com um programa de vida para as famílias e seus descendentes. Sem promessas utópicas ou milagrosas, mas com ações que comprovem a credibilidade e a eficácia na utilização dos recursos públicos. Enfim... Um sonho possível!
Qual é o melhor antídoto contra o pesadelo? Políticas públicas voltadas para o bem-estar social? Solidariedade, ONGs e movimentos sociais? Redistribuição mais justa dos recursos? Aproveitar o bonde da globalização? Mais tecnologia? Talvez uma fusão de tudo isso. Mas se não houver uma aliança confiável entre governo, sociedade civil e empresas privadas, avançaremos muito pouco para transformar pesadelo em sonho. Então... Que tal priorizar a eliminação deste mal como o maior dos nossos sonhos?


J R Ichihara
30/12/2008

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: FGFU (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.